Mês: janeiro 2018

Como identificar os sentimentos de vergonha

Como identificar os sentimentos de vergonha
A vergonha é a mais tóxica das emoções

A relevância da vergonha não pode ser subestimada, pois é a mais tóxica das emoções. A vergonha não somente aniquila a autoestima, como também se encontra no centro de problemas de saúde mental, tais como: a depressão e a ansiedade. Apesar de ser potencialmente prejudicial ao nosso bem-estar psicológico e emocional, a vergonha raramente é tratada de modo direto. Por ser tão desconfortável falar a respeito, necessita-se de um tempo considerável até que nos sintamos seguros o suficiente para relacionarmos os nossos pensamentos e comportamentos a profundos sentimentos de vergonha ou às crenças fundamentais que os alimentam.

Como a cura emocional depende da nossa capacidade de nos sentirmos inteiros e conectados com as emoções, é vital aprender a identificar os sentimentos de vergonha. Como Brené Brown (2013) observa em seu best-seller, Daring Greatly: “Shame hates having words wrapped around it. If we speak shame, it begins to wither” (A vergonha odeia palavras entrelaçadas a si. Se tocamos no assunto “vergonha”, começa a definhar). Para ajudá-lo a lidar com a sua inadequação da forma mais aberta possível, seguem os sentimentos e atitudes comumente motivados pela vergonha:

  • Sentir-se isolado, ignorado, sem importância
  • Sentir-se derrotado, vulnerável, fraco
  • Sentir-se rejeitado, indesejado
  • Sentir que não se é bom o suficiente
  • Sentir desgosto ou ódio a si mesmo
  • Evitar o contato social ou ser o centro das atenções
  • Acreditar fielmente nas opiniões dos outros sobre você, especialmente quando negativas
  • Sentir-se inadequado e envergonhado pelo que diz e faz
  • Ter dificuldade de aceitar-se de forma inteira, especialmente o que considera como um traço negativo
  • Sentir-se oprimido pela autocrítica, a ponto de pensar em suicídio
  • Evitar dizer qualquer coisa em encontros sociais ou dar voz às suas necessidades ou opiniões por não as considerar importantes ou interessantes o suficiente para as outras pessoas
  • Estar constantemente preocupado com o que os outros pensam
  • Não ser capaz de dizer não ou sempre fazer o que os outros querem para se sentir valorizado em um relacionamento
  • Acreditar que não é digno de ser amado, como se fosse um fato e não apenas um pensamento
  • Comportar-se de forma a garantir a aprovação alheia, mesmo quando não reflete o seu verdadeiro eu
  • Não ter nada de positivo a dizer sobre si ou sobre a sua aparência pessoal
  • Colocar o bem-estar dos outros na frente do seu ou acreditar que é seu dever cuidar deles
  • Esconder ou mentir a idade, ter a necessidade de parecer mais jovem
  • Sentir-se mais confortável com a ideia de fracasso do que a de sucesso
  • Sentir-se como uma pessoa ruim ou quebrada, ou acreditar que é a razão pela qual algo ruim aconteceu consigo
  • Procrastinar a realização de uma tarefa para aumentar a chance de se conseguir resultados “perfeitos”
  • Achar que ninguém se sente da mesma maneira que você ou tenha passado pelo que você passou na vida
  • Sentir-se diferente ou menos do que outros, como se fosse indigno de obter coisas boas
  • Ter dificuldade de aceitar o que acontece de bom consigo ou acreditar no amor ou interesse dos outros em si
  • Minimizar o dano causado a si por um relacionamento abusivo
  • Acreditar não ser capaz de fazer nada certo ou conquistar o que gostaria na vida
  • Manter um relacionamento falido por não acreditar que conseguiria outro melhor ou evitar se envolver afetiva e emocionalmente com alguém para não correr o risco de ser rejeitado
  • Manter-se em estado de negação em relação a como se sente ou esforçar-se para escamotear as verdadeiras emoções para não ser “julgado pelos outros”
  • Sentir-se usado
  • Levar tudo para o lado pessoal: imediatamente acreditar algo é culpa sua/que fez algo de errado quando os outros não são tão amigáveis ​​ou educados como gostaria ou esperava que fossem
  • Não ser capaz de encarar a crítica de forma objetiva, não se sentir bom o suficiente imediatamente após cometer um erro ou não ser capaz de cumprir com as expectativas alheias
  • Usar rótulos de conotação negativa para descrever características pessoais ou de comportamento, tal como “estúpido”, “feio”, “gordo” etc.
  • Ter o hábito de analisar o próprio desempenho, o que disse e fez, com o intuito de identificar erros

Referência:

Brown, B. (2013). Daring Greatly: How the Courage to Be Vulnerable Transforms the Way We Live, Love, Parent and Lead. New York, NY: Gotham Books.