Mês: fevereiro 2018

3 fatos sobre as crenças fundamentais que farão você reavaliar as suas

3 fatos sobre as crenças fundamentais que farão você reavaliar as suas
As crenças fundamentais não somente refletem a nossa história, mas também ajudam a defini-la

Nós organizamos as informações sobre nós, o mundo e outras pessoas por meio de crenças fundamentais que são unidades cognitivas de conhecimento que nos permitem dar sentido à realidade de uma forma coerente com a nossa própria perspectiva. Além disso, afetam não só o modo como interpretamos e armazenamos as informações processadas pelos nossos sentidos, bem como os nossos sentimentos e comportamentos em relação a elas. Como são um produto da nossa cultura, do meio ambiente e da qualidade de nossa experiência e relacionamentos que tivemos ao longo dos anos, as crenças fundamentais não somente refletem a nossa história, mas também ajudam a defini-la. Por influenciarem o modo como pensamos, sentimos, relacionamo-nos e levamos a vida, expandir o seu conhecimento acerca das crenças fundamentais revela-se um exercício produtivo. Para ajudá-lo a alcançar exatamente isso, aqui estão 3 fatos sobre as crenças fundamentais que farão você reavaliar as suas:

1- As crenças fundamentais não refletem a realidade objetiva

Embora você se sinta fortemente inclinado a acreditar em algo, não significa que reflita uma abordagem ou avaliação acurada. Na realidade, as convicções são fundamentadas por crenças rígidas. Essas crenças, por sua vez, encontram-se associadas a nossa experiência e perspectiva subjetiva. Esta experiência é, então, reconhecida como importante pelas emoções, as quais desempenham um grande papel em convencer-nos da “veracidade” de algo, mesmo quando há pouca ou nenhuma prova concreta para validá-la. Somos capazes de observar esse processo na prática quando concordamos ou rejeitamos algo ou alguém sem uma prolongada deliberação. Quando se trata de tomar uma decisão ou formular julgamentos, quanto mais rápidas e automáticas mais subjetivas, intuitivas e emocionais são as suas reações.

2- As crenças fundamentais são armazenadas no “cérebro emocional”

As crenças fundamentais são armazenadas na amígdala, que faz parte do sistema límbico. A amígdala é responsável por reações comportamentais e emocionais, tais como: a raiva, o medo e as respostas a situações estressantes (luta ou fuga), além de codificar, armazenar e recuperar as memórias de eventos que definem a nossa experiência pessoal. Essas memórias – carregadas de significado emocional – são o que moldam as nossas crenças fundamentais sobre nós mesmos, o mundo e as outras pessoas. Quando consideramos a perspectiva subjetiva, o nosso passado prevê o futuro. As crenças fundamentais refletem esse princípio com precisão, pois tendem a permanecer rígidas ao longo do desenvolvimento de um indivíduo, sendo indiferentes a mudanças. Portanto, um único ou vários eventos traumáticos na infância têm o potencial de definir a visão de alguém como um adulto incompetente e indigno de ser amado, por exemplo, e permanecer inalterada por muitos anos após a sua ocorrência.

3- As crenças fundamentais estão no cerne dos problemas de saúde mental

Devido ao fato de que as crenças centrais formadas na infância possuírem uma natureza inflexível tornam-se propensas a filtrarem a informação de uma forma extremamente tendenciosa e, muitas vezes, irracional. Os sofredores de depressão e ansiedade, bem como as vítimas sobreviventes do trauma, por exemplo, tendem a apresentar uma visão demasiadamente negativa sobre si mesmos, o mundo e as outras pessoas. Os indivíduos que acreditam não serem bons o suficiente e, portanto, sentem-se aterrorizados com o prospecto de serem julgados pelos outros em interações sociais, são altamente propensos a desenvolverem problemas de ansiedade. Quando essa ansiedade torna-se insuportável, podem sentir a necessidade de se isolarem do contato social, um comportamento disfuncional que contribui com a depressão. Similarmente, as vítimas sobreviventes do trauma, cujas crenças sobre as emoções estão centradas na negação, são naturalmente resistentes a abordar o próprio sofrimento de maneira honesta e proativa. Essa tendência compromete a sua capacidade de lidar com os efeitos do trauma a longo prazo, isto pode resultar em problemas de saúde mental debilitantes, tais como os vícios e transtornos alimentares.

Caso suspeite que as suas crenças fundamentais estejam interferindo com o seu bem-estar psicológico e emocional, vale a pena dedicar algum tempo para reavaliá-las. Para julgar se favorecem ou prejudicam a sua autoestima e crescimento e desenvolvimento pessoal, verifique consigo mesmo a sua linha de pensamento sempre que sentir uma mudança de humor, então, pergunte-se: “O que eu estava pensando agora?”. Analise os seus pensamentos automáticos de maneira tão objetiva quanto possível. O que dizem a respeito das opiniões que mantém sobre si, o mundo e os outros? Qual é o tom das regras, atitudes e suposições que orientam o seu pensamento e comportamento, rígido ou flexível? Elas refletem uma perspectiva compassiva ou demasiado crítica?