Mês: julho 2018

Entendendo as emoções negativas: o fator medo

Quando exploramos as emoções “negativas” com maior profundidade e desconsideramos as suas conotações antagônicas, passamos a apreciar a sua sabedoria e o seu valor. Sob uma perspectiva evolucionista, o medo contribuiu ativamente com a nossa sobrevivência e habilidade de prosperar como espécie. O medo da morte e perda de saúde, por exemplo, não é somente um tremendo motivador para se manter vivo, bem como um excelente lembrete de como é importante investir em um estilo de vida saudável e não embarcar em comportamentos violentos. Um crescente sentimento de autopreservação – destacado pelo significado emocional do medo – permitiu-nos priorizar e valorizar a vida, evitando práticas que ameacem a nossa paz e segurança. Se estiver interessado em aumentar a confiança emocional, congruência e intimidade, este artigo irá ajudá-lo a ampliar o seu conhecimento acerca do medo e reconhecer o seu significado.

Entendendo as emoções negativas: o fator medo
O medo é uma resposta emocional ao que percebemos como uma ameaça ao nosso bem-estar

O papel do medo

O medo é uma resposta emocional ao que percebemos como uma ameaça ao nosso bem-estar, seja físico ou emocional. O reflexo do medo existe para nos proteger de qualquer tipo de perigo, seja real ou imaginário. Devido a nossa capacidade de sentir medo, somos capazes de nos proteger de coisas, animais, pessoas (até de nós mesmos) e situações que nos exponham a danos a nossas mentes, aos nossos corpos ou relacionamentos. Como o medo não é apenas uma resposta automática ao perigo, mas um comportamento aprendido, também depende de instrução ou experiência direta para ganhar maior significado em nossas vidas. Por essa razão, somos mais inclinados a sentir medo do que aprendemos a temer, seja pelas histórias de nossos pais, valores culturais ou eventos passados ​​que foram desagradáveis ​​de alguma forma e, como resultado, garantiram o seu lugar na nossa memória.

Sentimentos relacionados ao medo

A ansiedade, preocupação, angústia, apreensão, tensão, horror e pânico, por exemplo, são todos estados do medo. Muitas vezes esquecemos, quando nos preocupamos excessivamente, por exemplo, que estamos, essencialmente, temendo alguém, uma determinada situação ou resultado.

Como o medo é sentido no corpo

A resposta do medo é um produto da amígdala, que faz parte do sistema límbico ou “cérebro emocional”. A amígdala é responsável por nos preparar fisiologicamente para lidar com ameaças, em outras palavras, para combater um inimigo, fugir ou congelar no local. Como você pode observar na lista abaixo, as sensações corporais mais comumente associadas ao medo podem ser conectadas a essas três respostas básicas:

  • Batimento cardíaco acelerado
  • Respiração curta
  • Armouring (músculos tensos, especialmente das costas e pescoço)
  • Tremores
  • Formigamento
  • Dormência
  • Tontura
  • Suor
  • Boca seca

Medo adaptativo e mal-adaptativo 

O medo é adaptativo quando se revela produtivo. De forma estereotipada, o medo produtivo aumenta a nossa consciência de situações potencialmente ameaçadoras à vida, como se aproximar da beira de um precipício. O medo mal-adaptativo, por outro lado – mesmo quando surge, inicialmente, de uma resposta de medo saudável como a fuga ou a evasão – é exagerado e patológico, tal como o sentido pelos sofredores dos transtornos de ansiedade. Essa última modalidade causa muito mais dano do que benefício, comprometendo os bem-estares psicológico, emocional e físico.

O que os seus medos dizem a seu respeito

Como o medo também é um comportamento aprendido, está profundamente vinculado às visões que temos de nós mesmos, do mundo e dos outros – as nossas crenças fundamentais. Quando essas crenças básicas são rígidas e desembocam em pensamentos automáticos repletos de erros cognitivos, tal como a “polarização” e “catastrofização”, por exemplo, exageram a relevância ou a probabilidade de resultados negativos, tornando-nos mais vigilantes e suscetíveis ao medo. Esse elevado estado de alerta resulta em sentimentos de inadequação que interferem com a nossa capacidade de agir com confiança, seja em um cenário social, acadêmico ou profissional. Se você se sente facilmente afetado ou mesmo sobrecarregado pela preocupação excessiva, ansiedade ou uma necessidade constante de sentir-se seguro está na hora de reavaliar as crenças fundamentais que estão na raiz do seu medo. As crenças centrais rígidas tais como, “É vergonhoso cometer erros”, “Se eu não me preocupar, algo de ruim irá acontecer”, “O mundo é um lugar perigoso” e “Eu não posso confiar nos outros” são famosos por fazerem com que nos sintamos impotentes e receosos.

A melhor maneira de lidar com o medo não é reprimi-lo por meio de negação ou disfarçá-lo através da raiva, mas aceitá-lo com honestidade. Você pode aceitar seu medo admitindo-o (mesmo que apenas para si), respeitando a sua sabedoria e aprendendo um pouco mais sobre si através dele. Mesmo quando desconfortável e mal-adaptativo, o medo revela as nossas vulnerabilidades e destaca as áreas que precisam da nossa atenção. Sobretudo, o ato de enfrentar os nossos medos nos lembra das limitações da nossa humanidade e promove o crescimento e desenvolvimento pessoal, permitindo-nos viver vidas mais gratificantes e recompensadoras.