Mês: outubro 2018

Como parar de levar tudo para o lado pessoal e aumentar a autoestima

Se como a maioria, você foi criado em um ambiente de negligência emocional, provavelmente acredita – mesmo de forma inconsciente – que é incompetente, não é bom o suficiente e/ou digno de ser amado. Isso se deve ao fato de que, quando não temos as nossas emoções validadas pelos pais, sentimo-nos vazios e sem valor. O ato de ignorar de forma sistemática a necessidade de uma criança ter seus os sentimentos reconhecidos afeta não somente a sua saúde emocional, como também a psicológica. Visto que aprendemos a nos regular com a ajuda de pais empáticos e em sintonia com as nossas necessidades individuais, quando estes não respondem com a frequência e consistência necessárias para que construamos um sentido interior de integridade e segurança, crescemos sem sermos capazes de cuidar do nosso próprio bem-estar emocional.

Não saber o que fazer com o próprio medo, raiva, tristeza, culpa e/ou vergonha depois de tê-los testemunhado sendo descartados ou – pior – ser julgado por expressar ou possuir tais sentimentos é desconcertante para a criança em desenvolvimento. Aliás, a mensagem que registra em tais cenários é “Se os meus sentimentos não são importantes, significa que não sou importante”. Este processo cognitivo, embora de natureza predominante inconsciente, afeta-nos profundamente, independente da idade. Torna-se impossível acreditarmos em nosso valor próprio, bem como sentirmo-nos amados e aceitos de modo autônomo, quando o que sentimos não é digno da atenção de quem é responsável pelos nossos cuidados e representa a nossa referência mais influente.

O que tem de errado comigo?

Portanto, você cresceu em um ambiente de negligência emocional e agora sua autoestima é volátil. Como resultado (e porque você não uma habilidade sólida de regular as emoções), é muito sensível às mudanças que ocorrem ao seu redor, especialmente quando envolvem pessoas. Se um colega é seco ou rude com você sem motivo aparente, começa a se perguntar o que pode ter feito para perturbá-lo. Nervosamente passa a analisar as últimas interações que teve com essa pessoa, examinando as suas ações repetida e meticulosamente a fim de identificar a causa. Você se pergunta, sentindo-se impotente e exposto: “O que foi que eu fiz (de errado)?”.

Levar as coisas para o lado pessoal é um erro cognitivo frequentemente cometido por aqueles com baixa autoestima, pois decorre do princípio que se algo desagradável acontece com você, deve ser culpa sua. Naturalmente, como um amante da lei de causa e efeito, faz sentido para o cérebro humano pensar que o que acontece em nossas vidas tenha sido uma consequência de quem somos, portanto, conectar algo de ruim que acontece consigo com o seu próprio eu parece-nos um ato racional, sobretudo, quando se acredita que não se é competente, bom o suficiente ou digno de amor e respeito. O conhecimento, mesmo quando de natureza altamente subjetiva, tendenciosa e imprecisa tal como ilustrado, ajuda-nos a encontrar um senso de direção e segurança, especialmente quando não o possuímos, como a capacidade de nos separarmos dos sentimentos dos outros e de nos regularmos de forma independente. Em virtude desta tendência, levar tudo para o lado pessoal pode tornar-se um hábito para aqueles que não sabem como se regularem emocionalmente e com crenças fundamentais negativas sobre si mesmos.

Como parar de levar tudo para o lado pessoal e aumentar a autoestima
Quando você muda a maneira como se posiciona no mundo, consegue gerenciar a própria inadequação

Como parar de levar tudo para o lado pessoal? Comece a fazer a pergunta certa

Para quebrar esse hábito e parar de se sentir abalado toda vez que houver algum desconforto a sua volta, sugiro uma técnica simples. Quando se sentir inadequado com o modo como os outros estão se comportando ao seu redor, em vez de refletir no que possa ter feito de errado, pergunte-se o seguinte:

“O que está acontecendo aqui?”

Fazer a pergunta “O que está acontecendo aqui?” em vez de “O que foi que eu fiz (de errado)?”  beneficiará a sua capacidade de avaliar a situação de maneira objetiva, visto que ao formular essa pergunta simples, você se afasta do que está acontecendo. Ao se colocar no papel de espectador obterá o distanciamento necessário para ver as coisas de uma forma mais clara. Vale lembrar que se tornar um observador não significa evitar ou negar a responsabilidade pelo impacto que as suas ações causam aos outros (se algum), mas lhe propicia o espaço de que precisa para analisar a situação e se manter equilibrado.

Manter a autoestima em um nível elevado revela-se um desafio para aqueles que cresceram em um ambiente emocionalmente negligente. Seja como for, você tem o poder de substituir antigos padrões de pensamento por mais saudáveis. Quando muda a maneira como se posiciona no mundo e cria uma perspectiva neutra e com a mente aberta, encontra-se em uma posição mais favorável para administrar a própria inadequação e agir com confiança, inclusive nas ocasiões em que haja evidência de falhas em seu comportamento.