Mês: outubro 2019

4 crenças disfuncionais que inviabilizam a autoafirmação

4 crenças disfuncionais que inviabilizam a autoafirmação
As crenças disfuncionais impedem que ajamos de forma assertiva

As crenças disfuncionais estão no centro de nossas vulnerabilidades. Para aqueles que sofrem de baixa autoestima e têm dificuldade de se autoafirmarem, identificar as crenças negativas que dão força a esses valores é um exercício produtivo. Para ajudá-lo a encontrar alguns dos fundamentos cognitivos que mantêm os seus sentimentos de insegurança, elencam-se 4 crenças disfuncionais que inviabilizam a autoafirmação:

“Eu não posso afetar os outros negativamente”

Essa regra implica que é responsabilidade de todos cuidar do bem-estar emocional dos outros e, pressupõe que a suposta necessidade alheia de felicidade constante venha em primeiro lugar. Por fim, sugere que as emoções negativas são de natureza insalubre e, portanto, devem ser evitadas como se não conseguíssemos nos recuperar delas, uma vez que “injustamente” submetidas a sua experiência.

“Eu não posso cometer erros”

O perfeccionismo nos leva a agir como crianças inseguras quando cometemos falhas e/ou recebemos críticas. Embora a maioria de nós não consiga associar a atitude intolerante ao perfeccionismo, a fobia do erro e da crítica é uma de suas características mais comuns. Além disso, essa crença desumana e idealista insinua que as consequências de nossos erros são sempre terríveis, tão terríveis, que não conseguiremos lidar com elas ou corrigi-las. Para quem mantém essa crença rígida, o aprendizado tende a ser uma experiência desagradável ou até traumática.

“Priorizar as minhas próprias necessidades é uma atitude egoísta”

Esta crença, apesar de bastante difundida entre os emocionalmente dependentes e codependentes, rouba-lhes o direito à individualidade e autoexpressão. Também sugere que só temos relevância em relação aos outros, ou que o direito de existir do nosso eu e seu senso de valor dependem da nossa capacidade de adequá-los às necessidades dos outros. Embora errônea, esta crença assume que um comprometimento é sempre melhor do que seguir a própria inclinação.

“Quando não tenho vontade de fazer o que os outros querem, devo dar-lhes uma boa razão para isso”

Essa crença pressupõe que os nossos sentimentos, necessidades e desejos só têm mérito quando forem razoáveis. Em outras palavras, não temos direito a eles apenas por sua existência, mas a importância deles depende do julgamento dos outros. De acordo com esse princípio, os sentimentos são como os pensamentos, uma vez que “devem” vir conectados à racionalidade. O eu autêntico e, portanto, altamente subjetivo, não tem como florescer sob uma regra tão inflexível.

O que as crenças mencionadas têm em comum? Todas se originam de uma postura de fraqueza e rigidez que aniquila o eu verdadeiro e criativo. Além disso, a sua abordagem perfeccionista (polarizada) “é tudo ou nada” em relação às emoções, os comportamentos, os relacionamentos e à vida em si é demasiadamente rígida para refletir a complexidade de nossa experiência e permitir a realização pessoal. Para que cessem de governar você e a sua vida, traga-as à consciência e questione-as abertamente. Faça um esforço consciente e corajoso para estabelecer a congruência entre o que acredita e como age e sente, a fim de tornar-se você e o ato de estar presente no próprio corpo algo agradável e gratificante.

10 conceitos básicos da terapia do trauma

10 conceitos básicos da terapia do trauma
Um evento traumático é uma experiência adversa tão intensa que supera a capacidade de lidarmos emocionalmente

Se você está sofrendo por causa de um trauma, pode se beneficiar de alguns conceitos que a ajudarão compreender como isso afeta a sua mente, as suas emoções e o seu comportamento. A seguir, você encontrará uma lista de 10 conceitos básicos da terapia do trauma, para expandir o seu conhecimento e facilitar o aprendizado:

1- Evento traumático: trata-se de uma experiência adversa tão intensa que supera a capacidade de lidarmos emocionalmente. Isso pode ser um evento muito assustador ou chocante, como um acidente de carro ou crescer sofrendo abuso verbal de alguém que se conhece e em quem se confia.

2- Tipos de trauma: o trauma vai além da lesão física, mas diz respeito a qualquer experiência negativa que afeta um indivíduo como um todo, corpo e mente. Portanto, o trauma também pode ser de natureza emocional/psicológica e relacional. O trauma é classificado como “simples” quando decorre de uma ocorrência, como no exemplo mencionado de acidente de carro. O trauma complexo, no entanto, consiste em uma série de eventos traumáticos que acontece em um longo período, tal como o trauma de infância ou desenvolvimento.

3- Gatilho: é algo ou alguém que acarreta a lembrança de um evento traumático. Um gatilho pode ser um cheiro, um som, um comportamento ou até mesmo uma emoção que o conecte a traumas passados. O adulto que tenha sofrido abuso emocional por parte do genitor, por exemplo, pode sentir-se afetado emocionalmente por uma situação gatilho em que testemunha idêntico tipo de abuso. Sob a influência de gatilhos, pode-se experienciar os flashbacks e reviver emoções negativas e sensações corporais relacionadas a um evento traumático em particular.

4- Flashback: como mencionado anteriormente, um flashback é a ativação de uma memória traumática, com ou sem a intenção da vítima/sobrevivente. Sob a influência de um flashback, sente-se como se estivesse revivendo a experiência adversa que a levou ao trauma. Ao contrário do conhecimento popular, nem todo o flashback possui um componente visual. Em alguns casos, os flashbacks não ativam imagens, mas exclusivamente as emoções negativas e/ou sensações corporais de quando o trauma ocorreu.

5- A resposta de luta ou fuga: quando o cérebro identifica uma ameaça ao nosso bem-estar, seja real ou imaginária, prepara o corpo para a ação, ou, em outras palavras, para lutar contra um inimigo, fugir da cena ou “congelar” no local. Quando em estado de luta ou fuga, a nossa fisiologia muda de modo a adaptar-se às nossas necessidades de autopreservação e proteção: o nosso coração bate mais rápido, a respiração fica mais curta e os músculos mais tensos, tudo para nos preparar para o embate ou para a fuga. Essas mudanças fisiológicas refletem o estado de alerta e sobrevivência do nosso sistema nervoso.

6- Estresse traumático crônico: o estresse vivenciado de maneira saudável ou administrável tende a não durar muito tempo. Na realidade, a maioria dos estresses com os quais lidamos são de curta duração, como correr apressado de manhã para chegar ao trabalho na hora. O estresse traumático crônico, contudo, não é temporário e pode durar meses ou até anos. Uma vítima vulnerável de abuso doméstico ou um prisioneiro de guerra, por exemplo, vivencia um estresse que não diminui com o tempo e que, como resultado, torna-se crônico a longo prazo.

7- Hipervigilância: compreende um estado de agitação e estimulação constantes. Quando alguém é hipervigilante, mesmo sem consciência, opera no modo sobrevivência ou luta ou fuga. Nesse estado, pensa-se de forma demasiada tendenciosa para o negativo, tende-se a ver catástrofes e ameaças ou perigos onde não haja, pois o cérebro encontra-se em constante estado de alerta. Portanto, as pessoas hipervigilantes são muito mais propensas a se preocuparem excessivamente e a terem transtorno de ansiedade.

8- A neurobiologia do trauma: explica como o trauma afeta o cérebro. Quando se estuda a neurobiologia do trauma, entende-se como a exposição ao estresse contínuo durante o desenvolvimento, por exemplo, resulta em um aumento acentuado da atividade do sistema límbico ou da área responsável pela resposta de luta ou fuga, a ponto da vítima tornar-se hipervigilante e incapaz de se desligar disso.

9- TEPT e TEPT-C: a exposição a um único ou vários eventos traumáticos pode resultar no Transtorno de Estresse Pós-Traumático e Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo, respectivamente. Os sintomas de TEPT incluem flashbacks, pesadelos, distúrbios do sono, hipervigilância e irritabilidade. Os sofredores do TEPT-C não só exibem esses sintomas, bem como a vergonha e culpa crônicas, raiva acumulada, pensamentos suicidas, problemas de relacionamento e desequilíbrio emocional, entre outros.

10- Retraumatização: pode ocorrer quando uma vítima do trauma é exposta a pessoas, situações e comportamentos, os quais, de alguma forma, provocam um estado de vulnerabilidade em si similar ao vivenciado no trauma original. Um exemplo clássico de retraumatização é uma mulher vítima de estupro ser considerada culpada pelo que aconteceu pelas autoridades envolvidas no caso, como um juiz ou policial.

O trauma mal resolvido pode ser bastante debilitante e comprometer a qualidade de vida. Se quiser obter ajuda para lidar com os efeitos do trauma, recomendo a terapia de EMDR Focada no Apego. Para saber mais sobre esta abordagem, clique aqui ou entre em contato comigo para solicitar uma consulta.