Mês: janeiro 2020

O que é um relacionamento disfuncional?

O que é um relacionamento disfuncional
Os relacionamentos disfuncionais são aqueles que não favorecem a verdadeira intimidade, a saúde emocional e o crescimento pessoal

Embora nenhum relacionamento seja perfeito, alguns são mais funcionais do que os outros. Se este princípio corresponde à realidade, o que torna certos relacionamentos menos saudáveis ​​ou mais disfuncionais do que os outros? A resposta está na quantidade, intensidade e frequência dos comportamentos disfuncionais que os moldam e os definem como tais.

Como regra universal, os relacionamentos disfuncionais são aqueles que não favorecem a verdadeira intimidade, a saúde emocional e o crescimento pessoal. Nestes contextos, as necessidades, os desejos, as vulnerabilidades e os sentimentos negativos não são expressos com clareza e autoconfiança por medo de rejeição e abandono. Portanto, o eu autêntico não floresce na presença do outro, mas se refugia atrás de uma fachada de equilíbrio e força criada para atender às expectativas do outro.

Apesar dessas expectativas terem significativa influência na dinâmica e saúde de qualquer relacionamento, na modalidade disfuncional, tendem a ser demasiado altas e irrealistas. Como não são discutidas abertamente, negociadas democraticamente e com um compromisso razoável, não correspondem às diferenças, necessidades e limitações individuais do eu autêntico. A falha em atender os próprios padrões idealizados ou as expectativas do outro culmina em sentimentos de não se considerar bom o suficiente, de não ser competente (medo de cometer erros, não agradar o outro ou “fazer tudo certo”) e indigno de ser amado. A inadequação que permeia tais relacionamentos desemboca, também, em uma tendência de encontrar falhas, culpar o outro e guardar rancores.

Devido à imaturidade, negligência e dependência emocional, as emoções não são processadas de forma autônoma ou através da presença empática com o outro. Como resultado, o comportamento é amplamente motivado por sentimentos inconscientes de medo, vergonha, raiva e ansiedade que exercem grande impacto negativo tanto em nível individual quanto relacional. A falta de apoio emocional adequado e validação, ou da disposição para escutar o outro e implementar mudanças de comportamento, resulta em um crescente ressentimento que faz com que se pareça “explodir por nada”, de tempos em tempos.

Nos relacionamentos disfuncionais, os limites não são claros ou respeitados, assim como o querer e as preferências de, pelo menos, um ou todos os envolvidos. Como os valores e as funções de cada um são rígidos, a dinâmica é altamente desigual e favorece a uma díade dominante/ativo e submisso/passivo, frequentemente mantida de modo inconsciente e baseada em muita negação. Em tais cenários, o relacionamento é usado como uma arma de manipulação e controle. A recusa de se conformar com a dinâmica disfuncional e desempenhar os seus rígidos papéis é seguida por ameaças de abandono, sejam manifestas de forma aberta/verbal ou oculta, através do distanciamento emocional e da agressividade passiva.

Nos casos em que há tentativas de resolver os problemas, a motivação é fraca e tende a definhar rapidamente, portanto, a trajetória dos relacionamentos disfuncionais é marcada por altos e baixos. Enquanto um assume a responsabilidade do bem-estar do relacionamento, o outro se recusa a reconhecer, integralmente, os efeitos de sua atitude, e, com facilidade, retorna aos antigos hábitos de negação, negligência ou resistência à mudança. Como as relações disfuncionais são constituídas por duas unidades altamente independentes que não funcionam de forma cooperativa, também são caracterizadas por sentimentos de impotência, vergonha, descontentamento e isolamento.

Se gostaria de parar de alimentar a dinâmica disfuncional de certo relacionamento, seja com o seu(sua) parceiro(a), parente, amigo(a), colega de trabalho ou chefe, a autoconsciência é fundamental. Embora não seja responsabilidade de ninguém carregar o bem-estar de qualquer relacionamento exclusivamente nas suas costas, abordar a questão de forma proativa e mudar o próprio comportamento possibilitará que se torne um modelo de autoestima e maturidade emocional.