Mês: março 2020

3 sinais de que você está viciado no medo

3 sinais que está viciado no medo
Garantir que os dias sejam preenchidos com milhares de atividades é um dos sinais de que está viciado no medo

É possível tornar-se viciado em uma emoção? Quando refletimos acerca dos efeitos que as emoções como a raiva e o medo têm em nossos corpos, a resposta é, definitivamente, sim. Isso ocorre porque a resposta luta ou fuga ou o medo que se origina da nossa percepção de perigo, por exemplo, aciona os receptores de adrenalina e dopamina no cérebro. A dopamina, em particular, foi conectada não apenas ao prazer, mas também aos comportamentos de recompensa, busca e evasão. A combinação desses hormônios nos faz sentir física e emocionalmente “turbinados” e produz uma sensação de euforia com o potencial, portanto, de tornar-se bastante viciante. Elencam-se 3 sinais de que você está viciado no medo para ajudá-lo a entender melhor o papel que este desempenha em sua vida:

1- Você construiu uma narrativa pessoal em torno do medo

Para quem é viciado no medo, a história pessoal é interpretada através de eventos adversos, com tanta intensidade, aliás, que se deixam definir pelas experiências negativas. É um fato bem conhecido que o trauma faz com que o cérebro apresente uma inclinação para o negativo como uma medida evolutiva da autopreservação. No entanto, os viciados no medo recusam-se a ir além disso. Embora conscientes dessa tendência, exibem dificuldade de adotar uma perspectiva equilibrada e veem o mundo, as pessoas e o futuro por meio de crenças extremamente rígidas e atitudes polarizadas ou “é tudo ou nada”. A falta de medo ou ansiedade causa um demasiado desconforto emocional para os viciados nesta emoção, sentem-se mais seguros ao se conceberem como condenados ao sofrimento e desastre.

2- As suas escolhas de estilo de vida reforçam o seu medo

Qualquer tipo de dependência demanda absoluta dedicação. Os viciados em medo mantêm-se neste estado criando e conservando hábitos que reforcem o vício. Portanto, o que fazem, consomem e vivenciam são reflexos desse princípio. Garantirem que os dias sejam preenchidos com milhares de atividades, faz se sentirem (secretamente) orgulhosos de estarem sempre ocupados, ouvirem podcasts ou assistirem documentários de crimes reais, tornarem-se viciados em notícias e controvérsias, lerem livros referentes a histórias de violência, abuso e trauma – sejam de natureza técnica ou biográfica – além de beberem grandes quantidades de café e consumirem alimentos ricos em carboidratos refinados – tais como pão branco e massa – conferem aos viciados no medo a sua amada euforia de adrenalina e os “ajudam” a manter o basal do estresse em um alto nível.

3- Você atrai pessoas que reforçam o seu medo

As pessoas positivas, emocionalmente maduras, zen e centradas são entediantes para os viciados no medo, salvo nas situações em que se sintam conscientemente sobrecarregados pelo próprio vício. Escolhem a companhia de indivíduos que adicionam mais drama a suas vidas e reforçam o seu medo. Aqueles que têm uma visão negativa e dificuldade de verem além dos piores cenários, assim como os que pensam e agem de maneira que não refletem objetividade, são os seus pares perfeitos. Além disso, as pessoas que apresentam comportamentos inapropriados, têm problemas de saúde mental, “personalidades difíceis” e/ou provêm de famílias tóxicas e, por esses motivos, alimentam (mesmo inconscientemente) uma dinâmica de relacionamento disfuncional, são fontes garantidas de medo e preocupação excessiva.

Se se sente disposto e preparado para superar o seu vício no medo, recomendo as práticas que acalmam o sistema nervoso e estimulam o córtex pré-frontal, tais como os exercícios de respiração e relaxamento, a meditação mindfulness e o aumento da autoconsciência através do questionamento ativo dos pensamentos negativos. Quanto mais você ativar essa região do seu cérebro, mais sentirá controle sobre os seus impulsos, essencial para dar um fim definitivo a qualquer tipo de dependência.