Categoria: Ansiedade

Como aceitar as emoções negativas

Como aceitar as emoções negativas
A saúde mental é mantida por meio da conexão e aceitação emocional

A saúde mental é mantida por meio da conexão e aceitação emocional, enquanto que o hábito de julgar e negligenciar as emoções negativas, bem como a nossa obsessão em controlá-las, faz com que nos tornemos infelizes e desequilibrados. Caso você esteja cansado de lutar contra si próprio e a maneira como se sente e gostaria de reconstruir um relacionamento mais saudável com as emoções, elenca-se 5 dicas de como aceitar as emoções negativas:

1- Conecte-se com o corpo

As emoções são expressas no corpo, portanto, quem almeja conectar-se com as emoções de forma íntegra deve fazer, primeiramente, pela reconexão com o corpo. Você pode alcançar esse objetivo através da exploração das sensações corporais, como as de tensão e leveza. Caso tenha dificuldade de identificar as emoções, explorar as sensações corporais lhe dará uma boa noção do impacto que os seus pensamentos e suas experiências exercem sobre você.

2- Torne-se consciente da presença de emoções negativas

Em vez de desviar o foco das emoções negativas ou fazer o máximo para reprimi-las ou controlá-las, torne-se plenamente consciente destas. Você pode fazer isso movendo a atenção para elas e criando um mapa mental de onde são sentidas através da observação direta de sua intensidade e movimento, assim como do efeito que têm em você.

3- Observe-as sem julgamento

A maioria de nós foi criada em uma cultura de negligência emocional, na qual as emoções “negativas” são consideradas uma inconveniência que deve ser resolvida o mais rápido possível. Tal atitude tende a ser improdutiva, uma vez que tem o potencial de criar um problema ainda maior. Evitar, negar ou reprimir as emoções negativas são comportamentos disfuncionais que, com grande frequência, desembocam em problemas de ordem emocional e física. Para evitar que isso aconteça, basta permitir que existam e resistir à tentação de fazer algo.

4- Valide o direito de suas emoções existirem

Todas as emoções são parte de nós, quando negamos a sua sabedoria e o seu valor, abertamente e rejeitando-as através da repressão, evasão ou negação, fazemos isso em detrimento de nós mesmos. Mesmo quando as emoções negativas não parecem coerentes, à primeira vista, têm o direito de serem registradas na sua consciência. Toda vez que você reconhece uma emoção negativa com abertura e respeito, torna-se completo e íntegro.

5- Seja amigo do seu corpo

Para se tornar mais tolerante às emoções negativas, é essencial que veja o corpo como um amigo. O amor-próprio e a autoaceitação só são viáveis ​​através de uma forte aliança com todo o nosso ser, corpo e mente. Para criar uma amizade com o corpo, mude as suas crenças sobre as sensações corporais e emoções “negativas”, considerando-as como expressões naturais do seu eu. Vê-las como transitórias, também o ajudará a abordá-las com paciência, compreensão e bondade.

Os benefícios de concentrar a atenção nas emoções vão além do equilíbrio emocional e do bem-estar, pois ajudam também a melhorar a capacidade de concentração e equilíbrio de comportamentos. Para aproveitar ao máximo o que foi dito acima, monitore como se sente e faça o que puder para agir de maneira diferente quando passar por episódios de preocupação excessiva ou ansiedade.

Porque você não consegue parar de se preocupar

Porque você não consegue parar de se preocupar
Você pode levar-se a um estado de intenso medo e ansiedade apenas imaginando algo horrível

A preocupação excessiva é um problema comum. A maioria das reclamações de meus clientes está diretamente associada à ocorrência frequente de pensamentos negativos. Enquanto alguns são constantemente bombardeados por pensamentos intrusivos que os fazem se sentir envergonhados ou inseguros, outros se veem à mercê de um cenário catastrófico. Independente do conteúdo, o pensamento disfuncional exerce um grande impacto na saúde mental e qualidade de vida, já que aqueles que se preocupam excessivamente acham difícil se sentirem bem e aproveitarem o momento. Isso se deve ao fato de que os seus cérebros estão sempre ocupados antecipando supostas adversidades, perigos e perdas. Mas se nos perturbarmos demais é contraproducente, por que a maioria de nós não consegue parar de se preocupar?

No seu extraordinário livro Mind to Matter, Church (2018) explora “O valor evolutivo do pensamento negativo” e nos ajuda a compreender como uma atitude preocupada revelou-se fundamental para o sucesso da espécie humana. Se não fossemos capazes de sermos sensibilizados pelo medo, o nosso sistema límbico ou cérebro emocional não nos mobilizaria para a resposta de luta ou fuga. Uma atitude descontraída em relação ao perigo aumentaria a nossa exposição e seríamos devorados por predadores, por exemplo. Mesmo que alguns de nós tivessem a sorte de evitar a morte e conseguissem crescer e procriar, a nossa probabilidade de prosperar como um grupo seria consideravelmente reduzida. Um estado de hipervigilância, ou a capacidade de permanecermos alerta e sermos avisados pelo cérebro sobre a possibilidade de algo ruim acontecer, portanto, parece ter contribuído grandemente para permanecemos vivos e nos tornarmos mestres do próprio destino.

Tudo faz sentido, não é mesmo? Agora você já sabe porque é tão fácil começar a se preocupar: o seu cérebro evoluído está tentando protegê-lo! Contudo, há uma ressalva: a sua incapacidade de diferenciar entre as ameaças reais e imaginárias já que você pode, literalmente, levar-se a um estado de intenso medo e ansiedade apenas imaginando algo horrível como, por exemplo,  morrer repentinamente de um ataque cardíaco, embora goze de uma perfeita saúde. Somente através do pensamento, podemos ativar a resposta de estresse do corpo e induzir uma mudança em nossa fisiologia, de modo a prepará-la para lidar com um problema que não existe. O cortisol e a adrenalina, os nossos hormônios do estresse, inundam o corpo e aumentam o ritmo cardiorrespiratório, assim como a pressão sanguínea. Enquanto você se preocupa se conseguiu encantar a todos naquela apresentação, o seu instinto de sobrevivência trata essa aprovação como uma questão de vida ou morte.

Para descobrir se está preso no modo luta ou fuga, faça um esforço consciente para se reconectar com o corpo e as emoções, já que os indivíduos hipervigilantes tendem a viver no mundo de suas cabeças e negligenciar a saúde física e emocional. Pergunte-se, de tempos em tempos, “O que as minhas sensações corporais e meus sentimentos estão revelando sobre mim neste exato momento?”. A tensão muscular que não melhora com o tempo, as crises de enxaqueca frequentes e as dores inexplicáveis, por exemplo, são sintomas comuns do estresse crônico. Embora verificar constantemente o telefone pareça um comportamento inofensivo, mantém o seu cérebro em um estado de superestimulação. A prática da autoconsciência fará com que saia do modo piloto automático e permitirá a recuperação do controle sobre si mesmo. À medida que passar a se familiarizar com a maneira como o estilo de vida, os hábitos e as escolhas afetam a sua mente e o seu corpo, seja corajoso e comece a investir em mudanças que introduzirão equilíbrio e felicidade em sua vida.

Referência:

Church, D. (2018). Mind to Matter, The Astonishing Science of how Your Brain Creates Material Reality.  Carlsbad, CA: Hay House.

Como curar a insônia naturalmente

Se você sofre com os distúrbios do sono e gostaria de uma cura natural, este artigo irá ajudá-lo a reduzir ou até mesmo acabar com a sua dependência de medicação. Como já deve estar ciente, a insônia e ansiedade têm um alto índice de comorbidade ou, em outras palavras, tendem a coexistir. Por mais compreensível que isso lhe pareça, determinar a raiz do problema revela-se uma tarefa mais árdua. Você está sofrendo de insônia porque está ansioso, ou está ansioso porque está sofrendo de insônia? A boa notícia é que, mesmo que não consiga identificar a principal causa de sua incapacidade atual de dormir bem, talvez ainda seja possível restaurá-la abordando o problema de diferentes ângulos.

Como curar a insônia naturalmente
O nosso ritmo circadiano, ou relógio interno, regula o ciclo do sono.

1- Regule o seu ritmo circadiano com a terapia da luz

Se não está sofrendo de depressão ou uma condição médica, tal como a doença de refluxo gastroesofágico ou asma, a sua insônia pode ser o resultado de uma falta de regulação do ritmo circadiano. O nosso ritmo circadiano, ou relógio interno, regula o ciclo do sono. A exposição dos olhos à luz é um dos principais fatores que mantém o bom funcionamento do nosso relógio interno, bem como uma rotina de sono fixa. Se acredita que a sua insônia pode estar relacionada a uma falta de regulação do ritmo circadiano, recomendo a terapia da luz com a ajuda de uma lâmpada de terapia da luz de 10.000 Lux. Para regular o seu relógio interno com sucesso, siga os passos abaixo:

  • Decida quando gostaria de acordar todas as manhãs. Se precisa estar acordado às 7 da manhã, por exemplo, configure o seu despertador para esse horário
  • Só vá para a cama quando estiver exausto
  • Acorde quando o alarme despertar, independente de quão cansado se sinta. Imediatamente após levantar-se, faça uma sessão de 20 a 30 minutos de terapia da luz
  • Posicione a sua lâmpada de terapia da luz 10.000 Lux diagonalmente e no nível dos olhos, a uma distância equivalente ao comprimento do braço
  • Repita essa rotina diariamente, sobretudo durante os meses de inverno

2- Ouça o seu corpo

Se não está cansado o suficiente para adormecer, isso provavelmente significa que não irá. Mover-se de um lado para o outro na cama, enquanto se força a dormir, só aumenta a ansiedade e atrasa ainda mais o início do sono. Se isso acontece com você, pare de se repreender e use a complacência e a tolerância para aceitar quando não estiver pronto para pegar no sono. Enquanto o sono não vem, descanse, faça um exercício de respiração ou leia, por exemplo. Não olhe para o telefone, já que o brilho da tela pode enviar a mensagem errada para o seu cérebro e interferir com o seu ciclo do sono.

3- Seja paciente e perseverante

Tratar a insônia naturalmente é possível, mas requer paciência e perseverança. Siga uma rotina de sono rigorosa e não tire cochilos ou tente recuperar o sono perdido pela manhã ou durante o dia. Mesmo quando estiver exausto, levante-se quando o despertador tocar, não desista e dê tempo ao seu corpo para processar a sua nova rotina do sono.

4- Pratique exercício vigoroso

Se o seu corpo está preso na configuração medo (a ansiedade é um sentimento que se origina do medo), ou luta ou fuga, tende a não permiti-lo ficar cansado. Você pode mudar esse cenário fazendo algum tipo de exercício vigoroso, tal como correr, nadar, jogar futebol, praticar artes marciais ou fazer aulas de dança rápidas. Seja qual for a sua escolha, não faça exercício vigoroso 3 horas antes de dormir.

5- Faça terapia para o trauma da infância mal resolvido

A insônia causada pela ansiedade e hipervigilância é um dos efeitos do trauma mal resolvido da infância/desenvolvimento. As vítimas de trauma complexo tendem a sofrer com os distúrbios do sono durante certos períodos, o que pode aumentar ainda mais a sua ansiedade, particularmente, quando passam por momentos difíceis em suas vidas. Em tais casos, a terapia pode ajudá-lo a curar as feridas do seu trauma e melhorar o sono.

Outras dicas de higiene do sono também incluem:

  • Leia livros “light” na hora de dormir e evite uma leitura de conteúdo intelectual ou técnico que exija concentração
  • Evite as telas de computador ou celular 2 horas antes de dormir
  • Evite tomar café depois das 14h00
  • Evite o álcool, as refeições pesadas ou fumar à noite
  • Durma em um lugar escuro e sem barulho
  • Se sofre com o terror noturno, pratique as técnicas de autorrelaxamento listadas aqui

5 técnicas de autorrelaxamento para os distúrbios do sono causados pelo trauma

Os distúrbios do sono não são incomuns para aqueles com um histórico de trauma, seja psicológico/emocional e/ou físico, de natureza singular ou complexa (que envolve uma série de eventos adversos). Isso se deve ao fato de que as vítimas do trauma, especialmente aquelas que cresceram em um ambiente de intenso e prologado estresse (trauma do desenvolvimento), frequentemente sofrem de hipervigilância, que é um estado de alerta constante, independente de ser vivenciado de uma maneira consciente. No caso destes indivíduos, o cérebro encontra-se preso ao modo sobrevivência, inclusive quando não há razão nenhuma para se sentir inseguro. Como resultado, tendem a exibir, pelo menos, um dos seguintes problemas do sono:

5 técnicas de autorrelaxamento para os distúrbios do sono causados pelo trauma
Os distúrbios do sono não são incomuns para aqueles com um histórico de trauma
  • Dificuldade de pegar no sono
  • Acordar durante a noite ou muito cedo e ter dificuldade de voltar a dormir
  • Sentir medo enquanto tenta pegar no sono
  • Ter um sentimento estranho de que há uma imagem, algo ou alguém no quarto
  • Batimento cardíaco acelerado
  • Acordar sobressaltado quando está pegando no sono
  • Ter pensamentos automáticos e incompreensíveis
  • Sentir medo de pegar no sono
  • Não conseguir dormir depois de ter um pesadelo
  • Acordar com medo, perdido e sem saber o porquê
  • Não conseguir dormir na escuridão total e/ou sem nenhum ruído

Para melhor lidar com o exposto, sugiro as seguintes 5 técnicas de autorrelaxamento para os distúrbios do sono causados ​​pelo trauma:

1- Diga a si mesmo que está seguro

Embora pareça demasiado simples, dizer a si mesmo: “Eu estou seguro”, silenciosa e repetidamente, funciona para relembrá-lo de que não há nada com o que deva preocupar-se. Lembrar-se de que está seguro agora, ajudará a trazê-lo de volta para o presente. Além disso, quando diz para si que está bem e não existe mais uma ameaça ao seu bem-estar, você retorna para o seu corpo de adulto e para a segurança do seu próprio lar (ou onde estiver dormindo).

2- Conforte-se fisicamente

Como o renomado terapeuta do trauma Peter Levine explica neste vídeo (Disponível somente em inglês), dar-se um abraço ou tocar a testa e o peito, simultaneamente, pode ajudá-lo a regular não só os sentimentos negativos que fazem com que se sinta sobrecarregado emocionalmente, bem como o medo e a ansiedade. Costumo recomendar aos meus clientes que gentilmente acariciem os seus braços para sentirem um senso de ternura e amor por si próprios, não apenas quando estão tendo os distúrbios do sono, mas também quando se sentem rejeitados. O toque, mesmo quando efetuado de forma independente e sem outro ser humano, ajuda-nos a acalmar e relaxar.

3- Conecte-se com a sua criança interior

Se você sofreu de trauma do desenvolvimento/da infância, a sua criança interior precisa de atenção de vez em quando. Assim como a sua autoestima precisa ser nutrida para permanecer alta, aquele menino ou menina dentro de você também necessita de atenção e cuidado para se sentir seguro, especialmente quando os seus medos não parecem corresponder ao adulto competente que se tornou. Quando esse for o caso, feche os olhos, respire profundamente por alguns minutos e vá para um lugar dentro de si onde possa se conectar com aquela pequena pessoa. Imagine-se como uma figura de proteção, amor e segurança, como o pai ou mãe ideal de sua criança interior (não aqueles que você tem na vida real), e passe algum tempo confortando, conversando ou até mesmo brincando com ela.

4- Faça um exercício de respiração

Os exercícios respiratórios são práticas eficazes para reduzir a hipervigilância e o estresse. Fisiologicamente, ajudam-nos a acalmar o sistema nervoso, o que é um meio simples e útil de lidar não somente com os sintomas do Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) ou Transtorno do Estresse Pós-Traumático Complexo (TEPT-C), assim como outros transtornos de ansiedade ou episódios. Eu recomendo muitíssimo este exercício de Pranayama  (Disponível somente em inglês. Para acessar exercícios de respiração em português, clique aqui), pelo menos uma vez por dia, para ajudá-lo a controlar a sua ansiedade e prevenir os distúrbios do sono, tais como os listados.

5- Questione os pensamentos negativos

Se os seus pensamentos intrusivos/automáticos/negativos forem perceptíveis, questione-os imediatamente. Caso estejam tentando lhe comunicar que algo ruim está prestes a acontecer ou outro tipo de bobagem, cale-os com objetividade. Recupere o controle sobre a sua própria mente de forma assertiva e não os deixe manipular você e o seu sono. Você pode fazer isso questionando o significado destes pensamentos com as explicações racionais que expõem a sua incoerência. Se está realmente furioso com o efeito que eles têm sobre você e seu sono, pode xingá-los abertamente ou lhes mandar embora usando termos chulos ou de impacto.

As 5 técnicas de autorrelaxamento para os distúrbios do sono causados ​​pelo trauma relacionados neste artigo também podem se tornar parte da sua rotina de cuidado pessoal, pois não se limitam ao que acontece antes e depois do sono. A maneira mais produtiva de gerenciar a hipervigilância é de maneira consciente e proativa, já que você não precisa esperar até perder o sono para ter consciência do seu poder. Quanto mais cedo você começar a cuidar de si e sua saúde emocional, psicológica e física, mais tempo terá para desfrutar os seus benefícios.

Como parar de levar tudo para o lado pessoal e aumentar a autoestima

Se como a maioria, você foi criado em um ambiente de negligência emocional, provavelmente acredita – mesmo de forma inconsciente – que é incompetente, não é bom o suficiente e/ou digno de ser amado. Isso se deve ao fato de que, quando não temos as nossas emoções validadas pelos pais, sentimo-nos vazios e sem valor. O ato de ignorar de forma sistemática a necessidade de uma criança ter seus os sentimentos reconhecidos afeta não somente a sua saúde emocional, como também a psicológica. Visto que aprendemos a nos regular com a ajuda de pais empáticos e em sintonia com as nossas necessidades individuais, quando estes não respondem com a frequência e consistência necessárias para que construamos um sentido interior de integridade e segurança, crescemos sem sermos capazes de cuidar do nosso próprio bem-estar emocional.

Não saber o que fazer com o próprio medo, raiva, tristeza, culpa e/ou vergonha depois de tê-los testemunhado sendo descartados ou – pior – ser julgado por expressar ou possuir tais sentimentos é desconcertante para a criança em desenvolvimento. Aliás, a mensagem que registra em tais cenários é “Se os meus sentimentos não são importantes, significa que não sou importante”. Este processo cognitivo, embora de natureza predominante inconsciente, afeta-nos profundamente, independente da idade. Torna-se impossível acreditarmos em nosso valor próprio, bem como sentirmo-nos amados e aceitos de modo autônomo, quando o que sentimos não é digno da atenção de quem é responsável pelos nossos cuidados e representa a nossa referência mais influente.

O que tem de errado comigo?

Portanto, você cresceu em um ambiente de negligência emocional e agora sua autoestima é volátil. Como resultado (e porque você não uma habilidade sólida de regular as emoções), é muito sensível às mudanças que ocorrem ao seu redor, especialmente quando envolvem pessoas. Se um colega é seco ou rude com você sem motivo aparente, começa a se perguntar o que pode ter feito para perturbá-lo. Nervosamente passa a analisar as últimas interações que teve com essa pessoa, examinando as suas ações repetida e meticulosamente a fim de identificar a causa. Você se pergunta, sentindo-se impotente e exposto: “O que foi que eu fiz (de errado)?”.

Levar as coisas para o lado pessoal é um erro cognitivo frequentemente cometido por aqueles com baixa autoestima, pois decorre do princípio que se algo desagradável acontece com você, deve ser culpa sua. Naturalmente, como um amante da lei de causa e efeito, faz sentido para o cérebro humano pensar que o que acontece em nossas vidas tenha sido uma consequência de quem somos, portanto, conectar algo de ruim que acontece consigo com o seu próprio eu parece-nos um ato racional, sobretudo, quando se acredita que não se é competente, bom o suficiente ou digno de amor e respeito. O conhecimento, mesmo quando de natureza altamente subjetiva, tendenciosa e imprecisa tal como ilustrado, ajuda-nos a encontrar um senso de direção e segurança, especialmente quando não o possuímos, como a capacidade de nos separarmos dos sentimentos dos outros e de nos regularmos de forma independente. Em virtude desta tendência, levar tudo para o lado pessoal pode tornar-se um hábito para aqueles que não sabem como se regularem emocionalmente e com crenças fundamentais negativas sobre si mesmos.

Como parar de levar tudo para o lado pessoal e aumentar a autoestima
Quando você muda a maneira como se posiciona no mundo, consegue gerenciar a própria inadequação

Como parar de levar tudo para o lado pessoal? Comece a fazer a pergunta certa

Para quebrar esse hábito e parar de se sentir abalado toda vez que houver algum desconforto a sua volta, sugiro uma técnica simples. Quando se sentir inadequado com o modo como os outros estão se comportando ao seu redor, em vez de refletir no que possa ter feito de errado, pergunte-se o seguinte:

“O que está acontecendo aqui?”

Fazer a pergunta “O que está acontecendo aqui?” em vez de “O que foi que eu fiz (de errado)?”  beneficiará a sua capacidade de avaliar a situação de maneira objetiva, visto que ao formular essa pergunta simples, você se afasta do que está acontecendo. Ao se colocar no papel de espectador obterá o distanciamento necessário para ver as coisas de uma forma mais clara. Vale lembrar que se tornar um observador não significa evitar ou negar a responsabilidade pelo impacto que as suas ações causam aos outros (se algum), mas lhe propicia o espaço de que precisa para analisar a situação e se manter equilibrado.

Manter a autoestima em um nível elevado revela-se um desafio para aqueles que cresceram em um ambiente emocionalmente negligente. Seja como for, você tem o poder de substituir antigos padrões de pensamento por mais saudáveis. Quando muda a maneira como se posiciona no mundo e cria uma perspectiva neutra e com a mente aberta, encontra-se em uma posição mais favorável para administrar a própria inadequação e agir com confiança, inclusive nas ocasiões em que haja evidência de falhas em seu comportamento.

Entendendo as emoções negativas: o fator medo

Quando exploramos as emoções “negativas” com maior profundidade e desconsideramos as suas conotações antagônicas, passamos a apreciar a sua sabedoria e o seu valor. Sob uma perspectiva evolucionista, o medo contribuiu ativamente com a nossa sobrevivência e habilidade de prosperar como espécie. O medo da morte e perda de saúde, por exemplo, não é somente um tremendo motivador para se manter vivo, bem como um excelente lembrete de como é importante investir em um estilo de vida saudável e não embarcar em comportamentos violentos. Um crescente sentimento de autopreservação – destacado pelo significado emocional do medo – permitiu-nos priorizar e valorizar a vida, evitando práticas que ameacem a nossa paz e segurança. Se estiver interessado em aumentar a confiança emocional, congruência e intimidade, este artigo irá ajudá-lo a ampliar o seu conhecimento acerca do medo e reconhecer o seu significado.

Entendendo as emoções negativas: o fator medo
O medo é uma resposta emocional ao que percebemos como uma ameaça ao nosso bem-estar

O papel do medo

O medo é uma resposta emocional ao que percebemos como uma ameaça ao nosso bem-estar, seja físico ou emocional. O reflexo do medo existe para nos proteger de qualquer tipo de perigo, seja real ou imaginário. Devido a nossa capacidade de sentir medo, somos capazes de nos proteger de coisas, animais, pessoas (até de nós mesmos) e situações que nos exponham a danos a nossas mentes, aos nossos corpos ou relacionamentos. Como o medo não é apenas uma resposta automática ao perigo, mas um comportamento aprendido, também depende de instrução ou experiência direta para ganhar maior significado em nossas vidas. Por essa razão, somos mais inclinados a sentir medo do que aprendemos a temer, seja pelas histórias de nossos pais, valores culturais ou eventos passados ​​que foram desagradáveis ​​de alguma forma e, como resultado, garantiram o seu lugar na nossa memória.

Sentimentos relacionados ao medo

A ansiedade, preocupação, angústia, apreensão, tensão, horror e pânico, por exemplo, são todos estados do medo. Muitas vezes esquecemos, quando nos preocupamos excessivamente, por exemplo, que estamos, essencialmente, temendo alguém, uma determinada situação ou resultado.

Como o medo é sentido no corpo

A resposta do medo é um produto da amígdala, que faz parte do sistema límbico ou “cérebro emocional”. A amígdala é responsável por nos preparar fisiologicamente para lidar com ameaças, em outras palavras, para combater um inimigo, fugir ou congelar no local. Como você pode observar na lista abaixo, as sensações corporais mais comumente associadas ao medo podem ser conectadas a essas três respostas básicas:

  • Batimento cardíaco acelerado
  • Respiração curta
  • Armouring (músculos tensos, especialmente das costas e pescoço)
  • Tremores
  • Formigamento
  • Dormência
  • Tontura
  • Suor
  • Boca seca

Medo adaptativo e mal-adaptativo 

O medo é adaptativo quando se revela produtivo. De forma estereotipada, o medo produtivo aumenta a nossa consciência de situações potencialmente ameaçadoras à vida, como se aproximar da beira de um precipício. O medo mal-adaptativo, por outro lado – mesmo quando surge, inicialmente, de uma resposta de medo saudável como a fuga ou a evasão – é exagerado e patológico, tal como o sentido pelos sofredores dos transtornos de ansiedade. Essa última modalidade causa muito mais dano do que benefício, comprometendo os bem-estares psicológico, emocional e físico.

O que os seus medos dizem a seu respeito

Como o medo também é um comportamento aprendido, está profundamente vinculado às visões que temos de nós mesmos, do mundo e dos outros – as nossas crenças fundamentais. Quando essas crenças básicas são rígidas e desembocam em pensamentos automáticos repletos de erros cognitivos, tal como a “polarização” e “catastrofização”, por exemplo, exageram a relevância ou a probabilidade de resultados negativos, tornando-nos mais vigilantes e suscetíveis ao medo. Esse elevado estado de alerta resulta em sentimentos de inadequação que interferem com a nossa capacidade de agir com confiança, seja em um cenário social, acadêmico ou profissional. Se você se sente facilmente afetado ou mesmo sobrecarregado pela preocupação excessiva, ansiedade ou uma necessidade constante de sentir-se seguro está na hora de reavaliar as crenças fundamentais que estão na raiz do seu medo. As crenças centrais rígidas tais como, “É vergonhoso cometer erros”, “Se eu não me preocupar, algo de ruim irá acontecer”, “O mundo é um lugar perigoso” e “Eu não posso confiar nos outros” são famosos por fazerem com que nos sintamos impotentes e receosos.

A melhor maneira de lidar com o medo não é reprimi-lo por meio de negação ou disfarçá-lo através da raiva, mas aceitá-lo com honestidade. Você pode aceitar seu medo admitindo-o (mesmo que apenas para si), respeitando a sua sabedoria e aprendendo um pouco mais sobre si através dele. Mesmo quando desconfortável e mal-adaptativo, o medo revela as nossas vulnerabilidades e destaca as áreas que precisam da nossa atenção. Sobretudo, o ato de enfrentar os nossos medos nos lembra das limitações da nossa humanidade e promove o crescimento e desenvolvimento pessoal, permitindo-nos viver vidas mais gratificantes e recompensadoras.