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Entendendo as emoções negativas: a raiva

Embora nos permita identificar as nossas necessidades e agir de acordo com os nossos interesses, a raiva é uma emoção mal compreendida, pois a avaliamos de forma polarizada ou “é tudo ou nada”, tendemos a concebê-la como uma expressão emocional disfuncional. Apesar da raiva estar frequentemente conectada a problemas de relacionamento e até a abusos, não é sempre sentida em sua forma extrema ou desemboca em comportamentos irracionais. A raiva também vem em uma ampla gama de sentimentos e intensidades, cada um com a sua própria função e mensagem, algumas das quais são emancipadoras e motivacionais. Para ajudá-lo a compreender melhor a sua raiva, este artigo é dedicado a investigá-la.

O papel da raiva

Entendendo as emoções negativas: a raiva
A raiva corresponde a um sinal de que nos sentimos ofendidos por algo ou alguém

Seja na forma passiva ou ativa, a raiva corresponde a um sinal de que nos sentimos ofendidos por algo ou alguém. Quando com raiva, estamos reagindo a um ataque – real ou imaginário – a nossa autoestima que nos leva a sentirmos rejeitados, ignorados, isolados, magoados ou criticados. A raiva também serve para nos devolver o que perdemos através desta (considerada) violação, tais como o respeito e o amor por nós mesmos. Além disso, a raiva existe para nos ajudar a recuperar o senso de autocontrole, bem como lidar com as emoções negativas que a cercam, como a tristeza e o medo. Em função desta característica, a raiva também nos ajuda a regular os sentimentos de inadequação.

Sentimentos relacionados à raiva

A frustração, a irritação, o ressentimento, o aborrecimento e a ira, por exemplo, são formas da raiva. Quando somos expostos a uma grande ameaça a nossa autoestima por um longo período, a raiva é sentida com maior intensidade e transforma-se em ódio.

Como a raiva é sentida no corpo

Tal como o medo, a raiva é desencadeada pela amígdala, ou “cérebro emocional”. Quando nos sentimos ameaçados e ficamos zangados, esta região cerebral prepara-nos para lutar contra um inimigo ou fugir do lugar. Como você pode observar na lista a seguir, as sensações corporais associadas à raiva são as mesmas ou similares às experienciadas quando tomados pelo medo, outra emoção associada à resposta de luta ou fuga:

  • Batimento cardíaco acelerado
  • Respiração curta
  • Aumento da temperatura corporal e pressão arterial
  • Armouring (tensão muscular, especialmente nas costas e pescoço)
  • Dor de cabeça
  • Dor de estômago
  • Pressão na mandíbula e ranger dos dentes
  • Tremores
  • Suor
  • Tontura

Raiva adaptativa e mal-adaptativa

A raiva adaptativa é como qualquer outro sentimento negativo sentido de uma maneira funcional. Quando experienciamos a raiva de forma saudável, ela nos permite reconhecer que algo não está correto e desaparece após algum tempo (em média, 20 minutos). Desta forma, a raiva saudável é produtiva, pois serve a um propósito específico em um determinado período, portanto, é de curta duração e corresponde a certo contexto. Esse tipo de raiva também direciona o nosso foco para mudança, ou nos ajuda a iniciar a contemplá-la. Quando estamos presos à raiva mal-adaptativa, no entanto, ela não é sentida nem regulada dessa maneira, mas tende a durar por um período mais longo (raiva acumulada) ou curto do que necessário para criar uma consciência e nos motivar a agir, ou é usada como o único meio para que recuperemos uma sensação de poder e segurança. A nossa falha em processar e lidar com os problemas destacados pela raiva – quando surge – tende a resultar em problemas de ordem comportamental, física e mental, assim como em dificuldades de relacionamento.

O que a sua raiva diz a seu respeito

Como já sabemos, o alarme da raiva avisa-nos que as nossas necessidades não estão sendo atendidas. Contudo, a natureza dessas necessidades varia, como sentir-se amado e valorizado, emocionalmente equilibrado, no controle ou seguro. A raiva destaca as nossas vulnerabilidades e sentimentos de impotência, agindo como um lembrete de nossas limitações como indivíduos quando não conseguimos alcançar os nossos objetivos de felicidade e bem-estar. Quando as nossas crenças fundamentais são demasiado rígidas e não correspondem à realidade objetiva, nós nos sentimos embravecidos e decepcionados não apenas conosco, mas também com as outras pessoas e, até mesmo, com a própria vida. A relação que mantemos com a raiva – seja reprimindo-a ou agindo de forma reativa e desiquilibrada – também é condizente com uma história de trauma do desenvolvimento não resolvido.

Antes de se apressar a julgar, negar ou esconder os seus sentimentos de raiva, concentre-se neles e faça as seguintes perguntas:

  • Que necessidades não estão sendo atendidas?
  • Quais sentimentos de inadequação a minha raiva pode estar mascarando?
  • A minha raiva é produtiva ou mal-adaptativa?

Quando começa a compreender a raiva e a registrar a sua mensagem, você passa a construir um relacionamento mais saudável com este sentimento e, também, consigo, direcionando a energia desencadeada por ela para algo positivo como a autoaprendizagem, a melhoria dos relacionamentos e  o crescimento pessoal.

3 fatos sobre as crenças fundamentais que farão você reavaliar as suas

3 fatos sobre as crenças fundamentais que farão você reavaliar as suas
As crenças fundamentais não somente refletem a nossa história, mas também ajudam a defini-la

Nós organizamos as informações sobre nós, o mundo e outras pessoas por meio de crenças fundamentais que são unidades cognitivas de conhecimento que nos permitem dar sentido à realidade de uma forma coerente com a nossa própria perspectiva. Além disso, afetam não só o modo como interpretamos e armazenamos as informações processadas pelos nossos sentidos, bem como os nossos sentimentos e comportamentos em relação a elas. Como são um produto da nossa cultura, do meio ambiente e da qualidade de nossa experiência e relacionamentos que tivemos ao longo dos anos, as crenças fundamentais não somente refletem a nossa história, mas também ajudam a defini-la. Por influenciarem o modo como pensamos, sentimos, relacionamo-nos e levamos a vida, expandir o seu conhecimento acerca das crenças fundamentais revela-se um exercício produtivo. Para ajudá-lo a alcançar exatamente isso, aqui estão 3 fatos sobre as crenças fundamentais que farão você reavaliar as suas:

1- As crenças fundamentais não refletem a realidade objetiva

Embora você se sinta fortemente inclinado a acreditar em algo, não significa que reflita uma abordagem ou avaliação acurada. Na realidade, as convicções são fundamentadas por crenças rígidas. Essas crenças, por sua vez, encontram-se associadas a nossa experiência e perspectiva subjetiva. Esta experiência é, então, reconhecida como importante pelas emoções, as quais desempenham um grande papel em convencer-nos da “veracidade” de algo, mesmo quando há pouca ou nenhuma prova concreta para validá-la. Somos capazes de observar esse processo na prática quando concordamos ou rejeitamos algo ou alguém sem uma prolongada deliberação. Quando se trata de tomar uma decisão ou formular julgamentos, quanto mais rápidas e automáticas mais subjetivas, intuitivas e emocionais são as suas reações.

2- As crenças fundamentais são armazenadas no “cérebro emocional”

As crenças fundamentais são armazenadas na amígdala, que faz parte do sistema límbico. A amígdala é responsável por reações comportamentais e emocionais, tais como: a raiva, o medo e as respostas a situações estressantes (luta ou fuga), além de codificar, armazenar e recuperar as memórias de eventos que definem a nossa experiência pessoal. Essas memórias – carregadas de significado emocional – são o que moldam as nossas crenças fundamentais sobre nós mesmos, o mundo e as outras pessoas. Quando consideramos a perspectiva subjetiva, o nosso passado prevê o futuro. As crenças fundamentais refletem esse princípio com precisão, pois tendem a permanecer rígidas ao longo do desenvolvimento de um indivíduo, sendo indiferentes a mudanças. Portanto, um único ou vários eventos traumáticos na infância têm o potencial de definir a visão de alguém como um adulto incompetente e indigno de ser amado, por exemplo, e permanecer inalterada por muitos anos após a sua ocorrência.

3- As crenças fundamentais estão no cerne dos problemas de saúde mental

Devido ao fato de que as crenças centrais formadas na infância possuírem uma natureza inflexível tornam-se propensas a filtrarem a informação de uma forma extremamente tendenciosa e, muitas vezes, irracional. Os sofredores de depressão e ansiedade, bem como as vítimas sobreviventes do trauma, por exemplo, tendem a apresentar uma visão demasiadamente negativa sobre si mesmos, o mundo e as outras pessoas. Os indivíduos que acreditam não serem bons o suficiente e, portanto, sentem-se aterrorizados com o prospecto de serem julgados pelos outros em interações sociais, são altamente propensos a desenvolverem problemas de ansiedade. Quando essa ansiedade torna-se insuportável, podem sentir a necessidade de se isolarem do contato social, um comportamento disfuncional que contribui com a depressão. Similarmente, as vítimas sobreviventes do trauma, cujas crenças sobre as emoções estão centradas na negação, são naturalmente resistentes a abordar o próprio sofrimento de maneira honesta e proativa. Essa tendência compromete a sua capacidade de lidar com os efeitos do trauma a longo prazo, isto pode resultar em problemas de saúde mental debilitantes, tais como os vícios e transtornos alimentares.

Caso suspeite que as suas crenças fundamentais estejam interferindo com o seu bem-estar psicológico e emocional, vale a pena dedicar algum tempo para reavaliá-las. Para julgar se favorecem ou prejudicam a sua autoestima e crescimento e desenvolvimento pessoal, verifique consigo mesmo a sua linha de pensamento sempre que sentir uma mudança de humor, então, pergunte-se: “O que eu estava pensando agora?”. Analise os seus pensamentos automáticos de maneira tão objetiva quanto possível. O que dizem a respeito das opiniões que mantém sobre si, o mundo e os outros? Qual é o tom das regras, atitudes e suposições que orientam o seu pensamento e comportamento, rígido ou flexível? Elas refletem uma perspectiva compassiva ou demasiado crítica?

Como identificar os sentimentos de vergonha

Como identificar os sentimentos de vergonha
A vergonha é a mais tóxica das emoções

A relevância da vergonha não pode ser subestimada, pois é a mais tóxica das emoções. A vergonha não somente aniquila a autoestima, como também se encontra no centro de problemas de saúde mental, tais como: a depressão e a ansiedade. Apesar de ser potencialmente prejudicial ao nosso bem-estar psicológico e emocional, a vergonha raramente é tratada de modo direto. Por ser tão desconfortável falar a respeito, necessita-se de um tempo considerável até que nos sintamos seguros o suficiente para relacionarmos os nossos pensamentos e comportamentos a profundos sentimentos de vergonha ou às crenças fundamentais que os alimentam.

Como a cura emocional depende da nossa capacidade de nos sentirmos inteiros e conectados com as emoções, é vital aprender a identificar os sentimentos de vergonha. Como Brené Brown (2013) observa em seu best-seller, Daring Greatly: “Shame hates having words wrapped around it. If we speak shame, it begins to wither” (A vergonha odeia palavras entrelaçadas a si. Se tocamos no assunto “vergonha”, começa a definhar). Para ajudá-lo a lidar com a sua inadequação da forma mais aberta possível, seguem os sentimentos e atitudes comumente motivados pela vergonha:

  • Sentir-se isolado, ignorado, sem importância
  • Sentir-se derrotado, vulnerável, fraco
  • Sentir-se rejeitado, indesejado
  • Sentir que não se é bom o suficiente
  • Sentir desgosto ou ódio a si mesmo
  • Evitar o contato social ou ser o centro das atenções
  • Acreditar fielmente nas opiniões dos outros sobre você, especialmente quando negativas
  • Sentir-se inadequado e envergonhado pelo que diz e faz
  • Ter dificuldade de aceitar-se de forma inteira, especialmente o que considera como um traço negativo
  • Sentir-se oprimido pela autocrítica, a ponto de pensar em suicídio
  • Evitar dizer qualquer coisa em encontros sociais ou dar voz às suas necessidades ou opiniões por não as considerar importantes ou interessantes o suficiente para as outras pessoas
  • Estar constantemente preocupado com o que os outros pensam
  • Não ser capaz de dizer não ou sempre fazer o que os outros querem para se sentir valorizado em um relacionamento
  • Acreditar que não é digno de ser amado, como se fosse um fato e não apenas um pensamento
  • Comportar-se de forma a garantir a aprovação alheia, mesmo quando não reflete o seu verdadeiro eu
  • Não ter nada de positivo a dizer sobre si ou sobre a sua aparência pessoal
  • Colocar o bem-estar dos outros na frente do seu ou acreditar que é seu dever cuidar deles
  • Esconder ou mentir a idade, ter a necessidade de parecer mais jovem
  • Sentir-se mais confortável com a ideia de fracasso do que a de sucesso
  • Sentir-se como uma pessoa ruim ou quebrada, ou acreditar que é a razão pela qual algo ruim aconteceu consigo
  • Procrastinar a realização de uma tarefa para aumentar a chance de se conseguir resultados “perfeitos”
  • Achar que ninguém se sente da mesma maneira que você ou tenha passado pelo que você passou na vida
  • Sentir-se diferente ou menos do que outros, como se fosse indigno de obter coisas boas
  • Ter dificuldade de aceitar o que acontece de bom consigo ou acreditar no amor ou interesse dos outros em si
  • Minimizar o dano causado a si por um relacionamento abusivo
  • Acreditar não ser capaz de fazer nada certo ou conquistar o que gostaria na vida
  • Manter um relacionamento falido por não acreditar que conseguiria outro melhor ou evitar se envolver afetiva e emocionalmente com alguém para não correr o risco de ser rejeitado
  • Manter-se em estado de negação em relação a como se sente ou esforçar-se para escamotear as verdadeiras emoções para não ser “julgado pelos outros”
  • Sentir-se usado
  • Levar tudo para o lado pessoal: imediatamente acreditar algo é culpa sua/que fez algo de errado quando os outros não são tão amigáveis ​​ou educados como gostaria ou esperava que fossem
  • Não ser capaz de encarar a crítica de forma objetiva, não se sentir bom o suficiente imediatamente após cometer um erro ou não ser capaz de cumprir com as expectativas alheias
  • Usar rótulos de conotação negativa para descrever características pessoais ou de comportamento, tal como “estúpido”, “feio”, “gordo” etc.
  • Ter o hábito de analisar o próprio desempenho, o que disse e fez, com o intuito de identificar erros

Referência:

Brown, B. (2013). Daring Greatly: How the Courage to Be Vulnerable Transforms the Way We Live, Love, Parent and Lead. New York, NY: Gotham Books.

 

Como melhorar a saúde emocional em 2018

Como melhorar a saúde emocional em 2018
Um senso saudável de si próprio só pode ser garantido através dos sentimentos

Aprender a manter um relacionamento saudável consigo depende também da sua habilidade de desenvolver a consciência e respeito do sistema emocional. Para que se sinta inteiro, é vital que aprenda a ouvir, validar e regular as emoções. Um senso saudável de si próprio só pode ser garantido através dos sentimentos, sejam negativos ou positivos, ou uma combinação de ambos. Como é o único meio pelo qual descobrimos quem verdadeiramente somos, o valor de nossa saúde emocional não deve ser subestimado. Se você está determinado a viver uma existência mais gratificante e agradável, seguem algumas dicas de como melhorar a saúde emocional em 2018:

Torne-se mais emocionalmente consciente

Não há melhor maneira de se tornar mais emocionalmente consciente do que dedicar um tempo para perceber como se sente. Se você não for capaz de identificar as emoções com a ajuda do intelecto, dirija a sua atenção ao corpo. As sensações corporais, muitas vezes, são mais eficazes em comunicar o que o seu cérebro não consegue através de palavras. Pergunte-se como se sente no momento. Examine o seu corpo da cabeça aos pés – especialmente as regiões que são propensas a registrarem distúrbios emocionais, tais como: o estômago, peito, pescoço, ombros e testa – e analise o que está lá. Você sente uma leveza ou peso nessas partes? A sua respiração é curta ou profunda? Essas regiões estão relaxadas ou tensas? O que podem dizer sobre as suas necessidades pessoais e estado emocional?

Respeite as emoções negativas

Sentir-se inteiro é inviável se não houver uma congruência emocional. Contrariamente à crença popular, a negligência emocional não é uma maneira eficaz de lidar com as emoções, mas uma estratégia de enfrentamento disfuncional que só leva à infelicidade, bem como a problemas de saúde mental e relacionamento. Se você se sente desconfortável, inadequado, triste ou ansioso, talvez haja uma boa razão para isso. Mesmo quando os seus sentimentos estão desregulados, são exagerados ou não parecem refletir a realidade, isso em si é uma informação de um potencial problema de saúde mental o qual necessita a sua atenção. O autoaperfeiçoamento e a melhoria na qualidade de vida são inatingíveis quando você ignora ou tenta reprimir as emoções negativas. Estar atento ao que não lhe favorece, assim como o seu crescimento e realização pessoal, representa uma atitude inteligente daqueles que desejam se fortalecer por meio dos sentimentos.

Aprenda como regular as emoções

Validar os sentimentos não significa colocar-se totalmente à sua mercê. Há momentos em que devem ser lidados e não somente sentidos. Aprender a se acalmar e controlar as emoções de forma independente consiste na verdadeira autonomia. Não lidar com os sentimentos de forma consciente e proativa tende a resultar em vícios e outros problemas de saúde mental. Para lidar com as emoções negativas de modo saudável, motive-se e seja criativo. Não há uma receita preestabelecida para o relaxamento e bem-estar de todos, já que, como indivíduos, processamos as emoções de maneiras únicas. Descubra o que funciona para você e reflete a sua personalidade através da exploração de novas maneiras de encontrar a paz interior, seja através do exercício, atividade física, exercícios de relaxamento ou respiração, meditação, leitura, dança ou uma ducha de água quente ou fria etc.

Busque o apoio emocional

A vida também é feita de eventos estressantes e até traumáticos que podem ser difíceis de lidar emocionalmente. Se você se sente sobrecarregado e nada parece aliviar a sua dor ou ansiedade, este pode ser o momento certo de procurar a ajuda de um profissional da saúde mental. Não há vergonha em se sentir vulnerável e precisar de outra perspectiva, pois todos passamos por momentos difíceis em nossas vidas, mesmo quando somos demasiado orgulhosos ou envergonhados de admitir este fato. Se você tem os meios para acessar a ajuda de uma terapeuta, recomendo muito fazê-lo, especialmente se não se sente à vontade para falar sobre os sentimentos com uma pessoa conhecida ou foi criado por pais emocionalmente negligentes. A terapia pode ser um ambiente produtivo para se aprender novas habilidades de resolução de problemas e estratégias de enfrentamento, as quais se tornam suas para o resto de sua vida.

O período festivo de fim de ano pode não ser um momento alegre para todos, entretanto, tem o potencial de incitar sentimentos de mudança positivos em muitos. Se você já não tolera mais se sentir desmotivado e vazio por dentro, seguir o recomendado aqui pode ajudá-lo a se reconectar com o seu eu de forma inteira, incluindo as partes que têm sido negligenciadas. Para honrar quem você é em 2018, abra mão de crenças negativas a respeito dos sentimentos que nos roubam da nossa humanidade ou capacidade de sentirmos e nos conectarmos com nós mesmos, as outras pessoas e o mundo a nossa volta. Afinal, ser emocionalmente saudável não requer poderes superextraordinários, mas uma atitude honesta e aberta, a qual nos permite interagir com os nossos mundos interno e externo por meio dos sentimentos.

5 sinais de que você foi criado por pais emocionalmente negligentes

Toda emoção que sentimos, seja negativa ou positiva, tem o seu propósito. As emoções negativas avisam-nos quando algo não está bem com os nossos corpos, pois tal como as emoções positivas, ajudam-nos a interpretar informações e nos conectar com o nosso mundo interno e externo. Enquanto as emoções negativas são alarmes altamente sofisticados que nos permitem saber quando mover, agir ou pensar de modo a nos proteger, as emoções positivas direcionam o nosso foco para o que gostamos e é importante para nós. Portanto, as emoções não somente nos tornam humanos, como também nos ajudam a crescer e a nos desenvolvermos, além de nos tornarmos quem verdadeiramente somos.

5 sinais de que você foi criado por pais emocionalmente negligentes
Se você se esforça para se sentir inteiro e conectado, pode ter sido criado por pais emocionalmente negligentes

Apesar de sua óbvia relevância para a manutenção da saúde física e mental, a nossa cultura promove uma mentalidade de repressão, negação e até rejeição das emoções, especialmente quando negativas. Desde uma idade precoce, aprendemos – mesmo sem a instrução direta – a fazer o que pudermos para suprimir a raiva e a tristeza, por exemplo, como se fossem algo que deva ser “gerenciado” e não sentido. Os nossos pais aprenderam com os pais a não abordarem estados emocionais para não os aborrecer e, com o tempo, tornam-se intolerantes com as próprias emoções negativas. Quando têm filhos, sentem-se desconfortáveis ​​ou perdidos quando expostos ao seu sofrimento, raiva ou outros sentimentos de inadequação, muitas vezes, não aceitam ou sequer reconhecem a sua existência e propósito.

Se você se esforça para se sentir inteiro e conectado, seja com as emoções, o que faz, com o seu próprio corpo, essência ou com as outras pessoas, há uma grande probabilidade de ter sido criado em um ambiente de negligência emocional. Para descobrir se esse é o caso, seguem 5 sinais de que você foi criado por pais emocionalmente negligentes:

1- Você não entende o propósito da maioria das emoções negativas

Você é crítico quanto a sentimentos negativos e vê aqueles que os honram como fracos, temperamentais, voláteis ou irracionais. Você acha que todos, inclusive você mesmo, devem fazer o possível para serem “agradáveis” e exercerem total controle sobre as emoções, como se os sentimentos negativos, especialmente, fossem animais selvagens que devem ser domesticados a todo custo. Você iguala a inteligência e força a tais “qualidades” e a consciência e congruência emocional a vulnerabilidades.

2- Você acha difícil tolerar o desconforto emocional

Se a frustração, o estresse ou a ansiedade tomam conta, você faz o que pode para lidar com esses sentimentos o mais rápido possível. De acordo com a sua crença, as emoções negativas devem ser extintas imediatamente. Você alcança este objetivo, sobretudo, por meio da dissociação, automedicação, negação ou evasão, ou qualquer outra distração que o faça se sentir instantaneamente melhor. As suas reações a estados emocionais negativos de outras pessoas são tão práticas quanto as suas. Se percebe o que está acontecendo ao seu redor, finge ignorância ou não se envolve diretamente. Quando se esquivar delas se torna impossível, minimiza a importância de seus sentimentos negativos com comentários polidos, mas superficiais, ou com a ajuda de platitudes e uma atitude estoica. Em alguns casos, até se sente irritado com a sua suposta incapacidade de lidar com as emoções de forma tão “efetiva” como a sua.

3- Você racionaliza as emoções

Porque não reconhece o valor das emoções, você usa somente a razão para justificar e explicar o seu comportamento. O raciocínio “plausível” motiva tudo o que você faz e nunca uma emoção como a insegurança, infelicidade ou medo. Você pediu demissão não porque o ambiente de trabalho o deixe tão ansioso a ponto de não conseguir ter uma noite decente de sono, mas porque “o ambiente não é motivador”. Você insiste naquele relacionamento desgastado porque, no fundo, não consegue nem imaginar a ideia de ficar sozinho, mas para si mesmo e os outros é porque “investiu muito tempo nele”. Qualquer justificativa razoável o suficiente para que você e aqueles que o rodeiam nunca associem o que veem por fora à vulnerabilidade que realmente sente por dentro.

4- Você tem dificuldade de se conectar emocionalmente com os outros

Naturalmente, a distância que você mantém de suas próprias emoções também prejudica a sua habilidade de expressar como se sente. Isso ocorre devido à tendência a explicar o seu comportamento sem nunca o associar às emoções, seja em relação aos seus próprios atos ou ao dos outros, o que cria uma aura de desapego em que a conexão emocional torna-se praticamente impossível. Os relacionamentos sofrem em tais cenários, independentemente de sua natureza. Os relacionamentos amorosos, em especial,  são difíceis de serem mantidos saudáveis ​​sem a proximidade e intimidade emocional. A longo prazo, o vazio e a solidão tendem a causar tamanho dano, que passam a influenciar as decisões e guiar ações para uma nova direção. O resultado desta reavaliação é, por muitas vezes, um grande ressentimento e pensamentos de separação.

5- Você não se sente validado

Mesmo sem perceber, você é traído por suas próprias crenças a respeito das emoções. A necessidade de ser visto, ouvido, amado e compreendido não desaparecerá apenas porque fez um esforço para invalidar as emoções e suprimir a sua expressão. Nós também trocamos informações sobre nós mesmos por meio de sentimentos e não apenas através da linguagem. Como alguém pode reconhecer e até atender as suas necessidades, quando você mesmo age de forma relutante em reconhecê-las e aceitá-las? Negligenciar as emoções, especialmente quando negativas, não favorece você ou os seus relacionamentos, mas o transforma em um autômato indisponível.

Mesmo que tenha se identificado com alguns ou todos os itens mencionados, ainda pode mudar o relacionamento que mantém consigo mesmo e, por extensão, o que nutre com os outros. Respeitar e honrar as emoções, assim como permitir-se sentir, irá conceder-lhe um senso renovado de si, mais equilibrado e em harmonia com o próprio corpo. Todos podemos aprender lições de vida preciosas ​​com as emoções, além de nos beneficiarmos de sua sabedoria. Para se reconectar emocionalmente, comece a monitorar como se sente com honestidade e uma mente aberta. Resista à tentação de racionalizar ou lidar com as emoções o mais rápido possível, mas lhes faça companhia por um determinado período. Em seguida, observe o que acontece, se permanecem ou se dissipam de forma independente. O que elas estão tentando lhe dizer? Você considerou as implicações reais de ignorá-las? O que pode aprender com elas?

5 crenças limitantes que o mantêm preso na negação

5 crenças limitantes que o mantêm preso na negação
A negação limita o aprendizado e o crescimento pessoal

As crenças negativas e limitantes afetam a sua capacidade de implementar mudanças positivas em sua vida. Não somente o convencem de que não há problema nenhum, como também de sua suposta incapacidade de resolvê-lo. As atitudes, regras e suposições limitantes tendem a não ser produto do raciocínio objetivo, mas funcionam como “soldadinhos” da negação. Para ajudá-lo a lutar contra essa influência disfuncional e desenvolver uma abordagem mais positiva, honesta e ativa para a resolução de problemas, aqui estão 5 crenças limitantes que mantêm você preso à negação:

1- “Eu nunca conseguirei mudar isso”

Só porque a mudança leva tempo não significa que você nunca conseguirá realizá-la. Quando considerar a possibilidade de fazer uma mudança significativa, seja de comportamento ou estilo de vida, adotar uma atitude complacente e tolerante em relação a si mesmo é chave. Dê tempo suficiente para mudar e acostumar-se à mudança. Um hábito leva no mínimo dois meses para ser criado. Seja persistente e prepare-se para os contratempos. Monitore a sua voz crítica e questione os pensamentos negativos que o fazem sentir-se menos competente. Mantenha cartões de motivação prontos para quando se sentir inseguro. Tenha um “amigo designado” com quem você possa entrar em contato para as horas em que estiver pensando em desistir. Crie estratégias de apoio que o ajudarão a manter a concentração quando a confiança estiver em baixa.

2- “Se não me sinto 100% confiante, significa que não devo mudar”

O raciocínio emocional é um erro cognitivo. Pensamentos e sentimentos não são fatos tampouco preveem um resultado, senão todos seríamos vencedores da loteria. Avaliar tudo de maneira exclusivamente negativa também é um hábito que criamos ao longo de anos de prática de uma perspectiva tendenciosa e perfeccionista. Seja objetivo, somente porque está se sentindo inadequado não significa que não conseguirá alcançar os seus objetivos. Separe os seus pensamentos e sentimentos de suas ações. Pergunte-se o que está fazendo e não o que está pensando ou sentindo. A ruminação desemboca na procrastinação e inércia. Resista a tentação da imobilidade com muita determinação e lembre-se de que os pensamentos nem sempre são os melhores amigos da razão. Questione os seus pensamentos de forma racional e imparcial para aumentar a autoestima e fazer as mudanças acontecerem.

3- “Todo mundo tem problema”

Mesmo que este seja o caso, isso não faz de todos os problemas iguais ou igualmente importantes. Você só pode fazer o que é melhor para você. As comparações tendem a não ser produtivas porque os seres humanos são indivíduos que se comportam, pensam e sentem de maneira única. Ninguém realmente sabe o que significa ser você. Confie em seu julgamento sincero e honre a sua humanidade. Você é o especialista na sua própria vida, se as coisas não estão mais funcionando para você da maneira que costumavam provavelmente é devido a comportamentos que não têm mais lugar na sua vida. O crescimento pessoal consiste em perceber a ocorrência destes momentos e investir em mudanças.

4- “Não é tão ruim assim, eu estou bem como estou”

Não confunda a negação com a autoaceitação. A negação é indolente, indiferente e negligente, enquanto a autoaceitação é ativa, benéfica e transformadora. Desconfie de pensamentos e ideias que tentam persuadi-lo do contrário. Se você acredita que a vida é uma grande jornada de crescimento pessoal, a passividade suspenderá o seu desenvolvimento. Torne-se o seu próprio agente de mudança e comprometa-se a uma vida plena e gratificante. Embora a mudança requeira  esforço e dedicação, tem o poder de tornar a sua existência relevante através do progresso e da autoexpressão.

5- “Todo mundo acha que estou bem assim”

A leitura mental é um erro cognitivo, pois não temos como saber o que as outras pessoas estão realmente pensando. Além disso, tentar adivinhar ou ficar preocupado com o que os outros pensam está muitas vezes associado a sentimentos de baixa autoestima e a uma necessidade de aprovação. Mesmo se você estivesse certo sobre as opiniões dos outros a seu respeito, de que maneira afetariam a sua qualidade de vida? Com que frequência esta aprovação teria de ocorrer para concedê-lo uma felicidade duradoura? Você é a sua fonte mais confiável de amor e aceitação. A mudança que prioriza o seu bem-estar físico, psicológico e emocional é o meio pelo qual você se apodera do que deseja para si. Quanto mais você acredita nos benefícios de uma mudança e toma as medidas necessárias para que aconteça, mais confiança você ganha em si mesmo. A autoconfiança, por sua vez, aumenta a autoestima, o que torna a vida mais agradável e satisfatória.

Não questionar as crenças limitantes tal como as mencionadas revela um processo que o mantém preso à negação. A negação pode até proteger uma autoestima frágil e aliviar a ansiedade temporariamente, mas restringe o aprendizado e o crescimento pessoal. A mudança comportamental geralmente segue uma nova maneira de pensar ou abordar os seus pensamentos e atitudes. Nunca é tarde para pôr fim a negação e introduzir hábitos cognitivos e comportamentais saudáveis.