Categoria: Autoconfiança

4 crenças disfuncionais que inviabilizam a autoafirmação

4 crenças disfuncionais que inviabilizam a autoafirmação
As crenças disfuncionais impedem que ajamos de forma assertiva

As crenças disfuncionais estão no centro de nossas vulnerabilidades. Para aqueles que sofrem de baixa autoestima e têm dificuldade de se autoafirmarem, identificar as crenças negativas que dão força a esses valores é um exercício produtivo. Para ajudá-lo a encontrar alguns dos fundamentos cognitivos que mantêm os seus sentimentos de insegurança, elencam-se 4 crenças disfuncionais que inviabilizam a autoafirmação:

“Eu não posso afetar os outros negativamente”

Essa regra implica que é responsabilidade de todos cuidar do bem-estar emocional dos outros e, pressupõe que a suposta necessidade alheia de felicidade constante venha em primeiro lugar. Por fim, sugere que as emoções negativas são de natureza insalubre e, portanto, devem ser evitadas como se não conseguíssemos nos recuperar delas, uma vez que “injustamente” submetidas a sua experiência.

“Eu não posso cometer erros”

O perfeccionismo nos leva a agir como crianças inseguras quando cometemos falhas e/ou recebemos críticas. Embora a maioria de nós não consiga associar a atitude intolerante ao perfeccionismo, a fobia do erro e da crítica é uma de suas características mais comuns. Além disso, essa crença desumana e idealista insinua que as consequências de nossos erros são sempre terríveis, tão terríveis, que não conseguiremos lidar com elas ou corrigi-las. Para quem mantém essa crença rígida, o aprendizado tende a ser uma experiência desagradável ou até traumática.

“Priorizar as minhas próprias necessidades é uma atitude egoísta”

Esta crença, apesar de bastante difundida entre os emocionalmente dependentes e codependentes, rouba-lhes o direito à individualidade e autoexpressão. Também sugere que só temos relevância em relação aos outros, ou que o direito de existir do nosso eu e seu senso de valor dependem da nossa capacidade de adequá-los às necessidades dos outros. Embora errônea, esta crença assume que um comprometimento é sempre melhor do que seguir a própria inclinação.

“Quando não tenho vontade de fazer o que os outros querem, devo dar-lhes uma boa razão para isso”

Essa crença pressupõe que os nossos sentimentos, necessidades e desejos só têm mérito quando forem razoáveis. Em outras palavras, não temos direito a eles apenas por sua existência, mas a importância deles depende do julgamento dos outros. De acordo com esse princípio, os sentimentos são como os pensamentos, uma vez que “devem” vir conectados à racionalidade. O eu autêntico e, portanto, altamente subjetivo, não tem como florescer sob uma regra tão inflexível.

O que as crenças mencionadas têm em comum? Todas se originam de uma postura de fraqueza e rigidez que aniquila o eu verdadeiro e criativo. Além disso, a sua abordagem perfeccionista (polarizada) “é tudo ou nada” em relação às emoções, os comportamentos, os relacionamentos e à vida em si é demasiadamente rígida para refletir a complexidade de nossa experiência e permitir a realização pessoal. Para que cessem de governar você e a sua vida, traga-as à consciência e questione-as abertamente. Faça um esforço consciente e corajoso para estabelecer a congruência entre o que acredita e como age e sente, a fim de tornar-se você e o ato de estar presente no próprio corpo algo agradável e gratificante.

Pensamentos comuns dos emocionalmente dependentes

Pensamentos comuns dos emocionalmente dependentes
A dependência emocional é uma vulnerabilidade

Você é emocionalmente dependente? Caso tenha dificuldade de manter uma alta autoestima e preocupa-se excessivamente, há grande probabilidade de que seja. A dependência emocional é uma vulnerabilidade daqueles que não receberam amor incondicional suficiente na infância, de modo a criar um sólido senso de segurança e valor próprio. Por possuírem um grande déficit nestas áreas, tornam-se viciados por aprovação alheia a fim de se sentirem bem consigo próprios e nos relacionamentos. Para descobrir se se encaixa neste perfil, elencam-se os pensamentos comuns dos emocionalmente dependentes:

“Sempre me preocupo com o que os outros pensam sobre o que digo e faço”

“Preciso ter certeza de que estou fazendo a coisa certa, caso contrário, me sinto inseguro”

“É difícil saber o que é melhor para mim”

“Eu sempre faço o melhor possível para que os outros se sintam bem ao meu lado”

“Eu tenho o hábito de consultar as outras pessoas antes de tomar uma decisão”

“Sinto muita vergonha quando cometo um erro”

“Se não recebo um feedback positivo quando faço algo bem, sinto-me extremamente decepcionado”

“Já sofri muitas decepções na área de relacionamentos”

“Eu me preocupo e me sinto culpado quando não consigo agradar os outros”

“Não confio nos meus próprios sentimentos”

“Sinto-me muito envergonhado e ressentido quando recebo críticas, mesmo quando tenho consciência de que são construtivas”

“Faço um grande esforço para que os outros gostem de mim”

“Adoro ajudar os outros e fazê-los felizes”

“Quando as pessoas não estão bem ao meu redor, acho que é por causa de algo que eu disse ou fiz de errado”

“Nunca sei se estou fazendo o que é certo para mim ou se é o que realmente quero”

“Tento evitar o confronto porque me deixa nervoso”

“Tenho um grande medo de cometer erros e decepcionar os outros”

“Coloco as necessidades dos outros na frente das minhas, mesmo quando não quero”

“Adoraria poder confiar em mim e me valorizar”

“Sinto-me mais relaxado quando os outros assumem a liderança”

“Sempre tento fazer o melhor possível”

“Quando digo não, me sinto culpado”

Como em qualquer tipo de dependência, a cura é viável através da liberdade emocional. Para alcançar a autonomia emocional e autoconfiança, é essencial que aprenda a ser você, independente das consequências. Por mais simples que isso pareça, converter esta ideia em ação requer muita coragem. Isso ocorre porque, na cultura ocidental, a autenticidade requer uma atitude destemida. Aumente a tolerância ao desconforto e diga a si próprio que consegue suportar e superar a ansiedade, culpa e vergonha que tendem a surgir quando honra os seus sentimentos, interesses e limites. Por mais doloroso e difícil que isso possa lhe parecer, o seu objetivo final faz com que tudo valha a pena. Afinal, não há nada mais gratificante do que viver a própria vida e colher os frutos da autoexpressão genuína.

5 crenças positivas para aumentar a autoestima

5 crenças positivas para aumentar a autoestima
O que você diz para si, internamente, tem imensa influência na sua autoimagem e autoestima

As crenças, assim como as palavras, têm poder, portanto, o que você diz para si, internamente, tem imensa influência na sua autoimagem e autoestima. Portanto, por trás do seu diálogo interno negativo, há sempre uma crença negativa sobre si, o mundo e as outras pessoas alimentando uma visão pessimista, fraca e desfavorável. As crenças fundamentais são tão poderosas que podem guiá-lo a criar uma realidade construída apenas com o pensamento. Desta forma, se acreditar que não consegue correr por mais de cinco minutos, não conseguirá. Analogamente, se decidir que pode fazê-lo, não apenas racional, mas também emocionalmente, ou seja, com a mente e o corpo, conseguirá. Como Lipton (2015) afirma em seu livro The Biology of Belief, “Pensamentos, a energia da mente, influenciam diretamente como o cérebro controla a fisiologia do corpo”, o que explica tantas histórias de pessoas que desafiam os diagnósticos terminais de câncer, por exemplo, e têm uma vida mais longa do que lhes foi prevista. Para ajudá-lo a começar a pensar e sentir-se melhor consigo mesmo, seguem 5 crenças positivas para aumentar a autoestima:

1- Eu tenho importância

Mesmo que não esteja em um relacionamento nem tenha muitos amigos, você é importante para os outros. Como está vivo, é importante não apenas para o universo, mas também para si e os outros ao seu redor, independente se o conhecem, já que a vida é preciosa e todos desejam preservá-la. Portanto, mesmo que eu nunca o tenha visto, como um ser humano, desejo-lhe tudo de bom. Você não precisa ser uma terapeuta ou monge para pensar desta forma, já que um grande número de pessoas o faz.

2- Eu sou competente

Você tem consciência de quantas habilidades são necessárias somente para ler este artigo? Mesmo se sentindo deprimido, desesperado ou com o coração partido, você ainda tem a capacidade e força para acordar todas as manhãs e encarar os seus medos. Embora, por vezes, seja difícil ser humano, tornamo-nos mestres da nossa existência desde muito cedo. Lembre-se de que tentar é o que importa e não vencer. Toda vez que você tenta, mostra para o mundo e as outras pessoas que está vivo e conectado.

3- Eu suporto

Você superou a doença, o mau tempo, as dificuldades e as decepções. Além disso, foi capaz de levantar-se da cama e fazer o que precisa, apesar da grande vontade de ficar em posição fetal e desaparecer. Você compareceu mesmo quando o seu corpo estava fraco e ofereceu ajuda mesmo quando não conseguia ajudar a si próprio. Você se sentiu só e amargo, mas tentou ser civilizado e respeitoso com os outros. Você lidou com as suas perdas da melhor maneira possível, embora sem a validação ou o apoio das outras pessoas, portanto, é resiliente e consegue suportar a dor e o desconforto.

4- Eu posso confiar nos outros

Você teria chegado aonde está sem a ajuda de outras pessoas? Muito embora alguns de nós sejamos bastante independentes, todos sobrevivemos e até prosperamos porque trabalhamos em colaboração. Relacionamentos de todos os tipos são arriscados, pois entramos nele com um número de expectativas, vulnerabilidades e, pelo menos, um trauma. Como seres imperfeitos, todos nós nos machucamos em algum momento de nossas vidas. A boa notícia é que, como visto, você consegue suportar! Se ficar desapontado, acabará superando isso, tal como supera a maioria das dores em sua vida.

5- Eu sou bom o suficiente

Você foi bom o suficiente não só para ter vindo a este mundo, bem como para crescer e se desenvolver, independente das circunstâncias. Você foi bom o suficiente para chegar a sua idade e conhecer as pessoas que conheceu. Você foi bom o suficiente para conseguir o que tem e fazer algo com isso. Você é bom o suficiente para estar vivo, relevância confirmada a cada movimento dos pulmões. Você é bom o suficiente e digno de tudo o que você ainda tem para dar a si mesmo, ao universo e as outras pessoas. Você é bom o suficiente porque é você e único.

Caso sofra de baixa autoestima e tenha dificuldade de sentir-se feliz e satisfeito, chegou a hora de começar a contar uma história diferente sobre si, o mundo e as outras pessoas para o seu cérebro. Recomendo escrever as crenças elencadas em um pedaço de papel e incorporá-las em suas práticas de meditação. Quando alcançar um estado de espírito calmo e em harmonia com o corpo, crie alguns cenários imaginários nos quais se vê comportando-se como mencionado acima. Em seguida, conecte-se com as sensações corporais positivas reproduzidas por essas imagens, como se estivesse ali desfrutando desse novo modo de ser. Repita esse exercício diariamente e observe os efeitos em sua saúde emocional.

 

Referência:

Lipton, B. H. (2015). The Biology of Belief, Unleashing the Power of Consciousness, Matter and Miracles. Carlsband, CA: Hay House.

Entendendo as emoções negativas: o fator medo

Quando exploramos as emoções “negativas” com maior profundidade e desconsideramos as suas conotações antagônicas, passamos a apreciar a sua sabedoria e o seu valor. Sob uma perspectiva evolucionista, o medo contribuiu ativamente com a nossa sobrevivência e habilidade de prosperar como espécie. O medo da morte e perda de saúde, por exemplo, não é somente um tremendo motivador para se manter vivo, bem como um excelente lembrete de como é importante investir em um estilo de vida saudável e não embarcar em comportamentos violentos. Um crescente sentimento de autopreservação – destacado pelo significado emocional do medo – permitiu-nos priorizar e valorizar a vida, evitando práticas que ameacem a nossa paz e segurança. Se estiver interessado em aumentar a confiança emocional, congruência e intimidade, este artigo irá ajudá-lo a ampliar o seu conhecimento acerca do medo e reconhecer o seu significado.

Entendendo as emoções negativas: o fator medo
O medo é uma resposta emocional ao que percebemos como uma ameaça ao nosso bem-estar

O papel do medo

O medo é uma resposta emocional ao que percebemos como uma ameaça ao nosso bem-estar, seja físico ou emocional. O reflexo do medo existe para nos proteger de qualquer tipo de perigo, seja real ou imaginário. Devido a nossa capacidade de sentir medo, somos capazes de nos proteger de coisas, animais, pessoas (até de nós mesmos) e situações que nos exponham a danos a nossas mentes, aos nossos corpos ou relacionamentos. Como o medo não é apenas uma resposta automática ao perigo, mas um comportamento aprendido, também depende de instrução ou experiência direta para ganhar maior significado em nossas vidas. Por essa razão, somos mais inclinados a sentir medo do que aprendemos a temer, seja pelas histórias de nossos pais, valores culturais ou eventos passados ​​que foram desagradáveis ​​de alguma forma e, como resultado, garantiram o seu lugar na nossa memória.

Sentimentos relacionados ao medo

A ansiedade, preocupação, angústia, apreensão, tensão, horror e pânico, por exemplo, são todos estados do medo. Muitas vezes esquecemos, quando nos preocupamos excessivamente, por exemplo, que estamos, essencialmente, temendo alguém, uma determinada situação ou resultado.

Como o medo é sentido no corpo

A resposta do medo é um produto da amígdala, que faz parte do sistema límbico ou “cérebro emocional”. A amígdala é responsável por nos preparar fisiologicamente para lidar com ameaças, em outras palavras, para combater um inimigo, fugir ou congelar no local. Como você pode observar na lista abaixo, as sensações corporais mais comumente associadas ao medo podem ser conectadas a essas três respostas básicas:

  • Batimento cardíaco acelerado
  • Respiração curta
  • Armouring (músculos tensos, especialmente das costas e pescoço)
  • Tremores
  • Formigamento
  • Dormência
  • Tontura
  • Suor
  • Boca seca

Medo adaptativo e mal-adaptativo 

O medo é adaptativo quando se revela produtivo. De forma estereotipada, o medo produtivo aumenta a nossa consciência de situações potencialmente ameaçadoras à vida, como se aproximar da beira de um precipício. O medo mal-adaptativo, por outro lado – mesmo quando surge, inicialmente, de uma resposta de medo saudável como a fuga ou a evasão – é exagerado e patológico, tal como o sentido pelos sofredores dos transtornos de ansiedade. Essa última modalidade causa muito mais dano do que benefício, comprometendo os bem-estares psicológico, emocional e físico.

O que os seus medos dizem a seu respeito

Como o medo também é um comportamento aprendido, está profundamente vinculado às visões que temos de nós mesmos, do mundo e dos outros – as nossas crenças fundamentais. Quando essas crenças básicas são rígidas e desembocam em pensamentos automáticos repletos de erros cognitivos, tal como a “polarização” e “catastrofização”, por exemplo, exageram a relevância ou a probabilidade de resultados negativos, tornando-nos mais vigilantes e suscetíveis ao medo. Esse elevado estado de alerta resulta em sentimentos de inadequação que interferem com a nossa capacidade de agir com confiança, seja em um cenário social, acadêmico ou profissional. Se você se sente facilmente afetado ou mesmo sobrecarregado pela preocupação excessiva, ansiedade ou uma necessidade constante de sentir-se seguro está na hora de reavaliar as crenças fundamentais que estão na raiz do seu medo. As crenças centrais rígidas tais como, “É vergonhoso cometer erros”, “Se eu não me preocupar, algo de ruim irá acontecer”, “O mundo é um lugar perigoso” e “Eu não posso confiar nos outros” são famosos por fazerem com que nos sintamos impotentes e receosos.

A melhor maneira de lidar com o medo não é reprimi-lo por meio de negação ou disfarçá-lo através da raiva, mas aceitá-lo com honestidade. Você pode aceitar seu medo admitindo-o (mesmo que apenas para si), respeitando a sua sabedoria e aprendendo um pouco mais sobre si através dele. Mesmo quando desconfortável e mal-adaptativo, o medo revela as nossas vulnerabilidades e destaca as áreas que precisam da nossa atenção. Sobretudo, o ato de enfrentar os nossos medos nos lembra das limitações da nossa humanidade e promove o crescimento e desenvolvimento pessoal, permitindo-nos viver vidas mais gratificantes e recompensadoras.

Suposições

As suposições têm um grande poder de influência sobre o comportamento humano. Como firmes crentes na Lei da Causa e Efeito, nós agimos de acordo com o que acreditamos. Se eu suponho não ser qualificado o suficiente para uma determinada posição e, portanto, sem chance para conseguir um emprego, é provável que não me candidate à vaga. Suposições são de natureza geral e tendem a seguir uma abordagem que vai ao encontro do senso comum. Elas são afirmações com ampla aplicação e alta associação, mas que, quando inspeci

suposições
As suposições derivam de nossas crenças centrais sobre nós mesmos, o mundo e as outras pessoas.

onadas com objetividade, deixam de refletir a complexidade de contextos individuais, probabilidade ou fatores aleatórios. Eu posso ter outras qualidades além de qualificações que correspondam às expectativas daquele entrevistador em particular, naquele determinado momento. Como eu não tenho nenhum acesso ao que o futuro reserva, a minha escolha é, em última análise, baseada em uma suposição.

As suposições – ou crenças intermediárias, em termos cognitivos – derivam de nossas crenças centrais sobre nós mesmos, o mundo e as outras pessoas. Crenças centrais são, predominantemente, produto da nossa educação. Essas crenças são reforçadas por meio de recompensas de comportamento e tendem a refletir valores culturais mantidos por uma maioria. Quando crianças, nós aprendemos a usar as nossas crenças centrais como quadros pessoais de referência para pensamentos e comportamentos amplamente aceitos pelos outros, como nossos pais, professores e amigos. Ao longo do nosso desenvolvimento, relacionamo-nos com pessoas que se identificam (conscientemente ou não) com nossas crenças centrais e as suposições provenientes destas. Ir contra ao que todo mundo pensa – não agir de acordo com as crenças centrais dos outros – faz com que nos destaquemos como não-convencionais. Não ser considerado normal pode resultar em desconforto emocional. Nós pagamos um preço alto por irmos contra a corrente.

A experiência humana é tão rica que torna a credibilidade de absolutos disputável. Suposições tendem a ignorar esta mesma riqueza, pois não nos fazem justiça. Seres humanos são indivíduos complexos que estão constantemente se adaptando às exigências de um novo amanhã. O que eu achava certo há dez anos pode não corresponder a minha realidade atual, mesmo que eu tenha me sentido intensamente inclinado a acreditar na ideia naquela época. Aqueles que adotam uma atitude flexível em relação às crenças centrais e às suposições das quais se originam têm maior probabilidade de atingir níveis satisfatórios de autorrealização e crescimento pessoal.

Eis dois exemplos de suposições que não lhe favorecem:

“Se eu tratar os outros com respeito, eu posso esperar ser tratado da mesma forma”

Uma regra de ouro introduzida por mamãe e papai para justificar o seu comportamento gentil para com os outros. Esta suposição pode ter lhe ensinado boas maneiras lá quando você tinha 5 anos de idade, mas agora está afetando seu humor de forma negativa.

Ter expectativas fixas sobre as reações dos outros é uma atitude irrealista. Seres humanos são indivíduos que respondem a um único agente: seus próprios “eus”. Mesmo quando não tendo um verdadeiro eu, a escolha de seguir o que os outros pensam permanece uma escolha própria. É impossível não-ser humano. “Ser” também inclui se sentir hostil, arrogante, ansioso, impaciente, irritadiço, deprimido, inquieto, angustiado, triste, distraído e absorto em si mesmo. Em essência, sentimentos não são guiados por um senso de justiça, também precedem de convenções sociais ou de intenção pessoal. Existem alguns vinculados somente ao ato de ser, que levar para o lado pessoal quando o comportamento de alguém não corresponde à sua expectativa significa desperdício de energia emocional. Você pode racionar emoções preciosas evitando avaliar o comportamento dos outros em relação a você. Torne-se um observador, faça uma nota mental do que vê e sente sem acrescentar maior significado ao evento. Esta é uma atitude simples, mas que contribui grandemente para o seu senso de domínio sobre o seu próprio humor.

“Se eu me esforçar muito para alcançar algo significa que vou ter sucesso”

Outra suposição que está no centro de tantos sentimentos de decepção. Nosso objetivo tantas vezes fica centrado em nós mesmos que ignoramos os demais fatores que exercem um papel relevante no desenvolvimento de nossas vidas. Há um grande número de fatores que pode contribuir (ou não) para o sucesso de tudo o que fazemos. Seja na vida pessoal ou profissional, você não é a única influência em todas as coisas ou pessoas. Você é limitado na sua capacidade de moldar a sua própria realidade. Trabalhar duro pode não ser tudo o que é preciso para garantir aquela promoção. Manter uma boa aparência ou agir de maneira correta pode não ser suficiente para manter aquele relacionamento. Só porque você se dedica a passar tempo com seu filho não significa que vocês vão acabar compartilhando os mesmos interesses.

Como causa e efeito, a relação entre quantidade e qualidade não pode ser definida de forma acurada por meio de números absolutos. Quase nada é 100% estático quando se trata da experiência humana, apenas que nascemos e, geralmente e um pouco mais tarde, morremos. Mesmo que você observe algumas tendências entre o seu grau de dedicação e o seu desempenho, isso não significa que seus resultados serão sempre idênticos em cada tentativa. Abrir a sua percepção para a incerteza da vida é um dom tão relevante quanto qualquer outro. O conhecimento é poder, mas também pode fazer da sua mente prisioneira da autossuficiência. A liberdade também é conquistada com a aceitação e a coragem de simplesmente “deixar pra lá”.

Suposições não são totalmente irracionais, desde que preservemos seu significado denotativo. Uma atitude saudável em face das suposições é ter em mente que uma crença continua a ser uma crença, independente de quão fortemente eu me sinta em relação a ela. Suposições não são fatos, mas noções subjetivas generalizadas que não necessitam de prova para serem validadas. O tempo pode ser uma indicação da forte conexão entre uma suposição e o senso de identidade de um grupo, mas isso é tudo. Porque uma suposição foi mantida por um longo período de tempo não quer dizer que isso seja suficiente para torná-la verdadeira. Você se sentiria confortável com a ideia de que a Terra é plana hoje em dia? Esta crença mantida por mais de 200 anos, mesmo assim, não alterou a forma do nosso planeta.