Categoria: Autoestima

Pensamentos comuns dos emocionalmente dependentes

Pensamentos comuns dos emocionalmente dependentes
A dependência emocional é uma vulnerabilidade

Você é emocionalmente dependente? Caso tenha dificuldade de manter uma alta autoestima e preocupa-se excessivamente, há grande probabilidade de que seja. A dependência emocional é uma vulnerabilidade daqueles que não receberam amor incondicional suficiente na infância, de modo a criar um sólido senso de segurança e valor próprio. Por possuírem um grande déficit nestas áreas, tornam-se viciados por aprovação alheia a fim de se sentirem bem consigo próprios e nos relacionamentos. Para descobrir se se encaixa neste perfil, elencam-se os pensamentos comuns dos emocionalmente dependentes:

“Sempre me preocupo com o que os outros pensam sobre o que digo e faço”

“Preciso ter certeza de que estou fazendo a coisa certa, caso contrário, me sinto inseguro”

“É difícil saber o que é melhor para mim”

“Eu sempre faço o melhor possível para que os outros se sintam bem ao meu lado”

“Eu tenho o hábito de consultar as outras pessoas antes de tomar uma decisão”

“Sinto muita vergonha quando cometo um erro”

“Se não recebo um feedback positivo quando faço algo bem, sinto-me extremamente decepcionado”

“Já sofri muitas decepções na área de relacionamentos”

“Eu me preocupo e me sinto culpado quando não consigo agradar os outros”

“Não confio nos meus próprios sentimentos”

“Sinto-me muito envergonhado e ressentido quando recebo críticas, mesmo quando tenho consciência de que são construtivas”

“Faço um grande esforço para que os outros gostem de mim”

“Adoro ajudar os outros e fazê-los felizes”

“Quando as pessoas não estão bem ao meu redor, acho que é por causa de algo que eu disse ou fiz de errado”

“Nunca sei se estou fazendo o que é certo para mim ou se é o que realmente quero”

“Tento evitar o confronto porque me deixa nervoso”

“Tenho um grande medo de cometer erros e decepcionar os outros”

“Coloco as necessidades dos outros na frente das minhas, mesmo quando não quero”

“Adoraria poder confiar em mim e me valorizar”

“Sinto-me mais relaxado quando os outros assumem a liderança”

“Sempre tento fazer o melhor possível”

“Quando digo não, me sinto culpado”

Como em qualquer tipo de dependência, a cura é viável através da liberdade emocional. Para alcançar a autonomia emocional e autoconfiança, é essencial que aprenda a ser você, independente das consequências. Por mais simples que isso pareça, converter esta ideia em ação requer muita coragem. Isso ocorre porque, na cultura ocidental, a autenticidade requer uma atitude destemida. Aumente a tolerância ao desconforto e diga a si próprio que consegue suportar e superar a ansiedade, culpa e vergonha que tendem a surgir quando honra os seus sentimentos, interesses e limites. Por mais doloroso e difícil que isso possa lhe parecer, o seu objetivo final faz com que tudo valha a pena. Afinal, não há nada mais gratificante do que viver a própria vida e colher os frutos da autoexpressão genuína.

5 crenças positivas para aumentar a autoestima

5 crenças positivas para aumentar a autoestima
O que você diz para si, internamente, tem imensa influência na sua autoimagem e autoestima

As crenças, assim como as palavras, têm poder, portanto, o que você diz para si, internamente, tem imensa influência na sua autoimagem e autoestima. Portanto, por trás do seu diálogo interno negativo, há sempre uma crença negativa sobre si, o mundo e as outras pessoas alimentando uma visão pessimista, fraca e desfavorável. As crenças fundamentais são tão poderosas que podem guiá-lo a criar uma realidade construída apenas com o pensamento. Desta forma, se acreditar que não consegue correr por mais de cinco minutos, não conseguirá. Analogamente, se decidir que pode fazê-lo, não apenas racional, mas também emocionalmente, ou seja, com a mente e o corpo, conseguirá. Como Lipton (2015) afirma em seu livro The Biology of Belief, “Pensamentos, a energia da mente, influenciam diretamente como o cérebro controla a fisiologia do corpo”, o que explica tantas histórias de pessoas que desafiam os diagnósticos terminais de câncer, por exemplo, e têm uma vida mais longa do que lhes foi prevista. Para ajudá-lo a começar a pensar e sentir-se melhor consigo mesmo, seguem 5 crenças positivas para aumentar a autoestima:

1- Eu tenho importância

Mesmo que não esteja em um relacionamento nem tenha muitos amigos, você é importante para os outros. Como está vivo, é importante não apenas para o universo, mas também para si e os outros ao seu redor, independente se o conhecem, já que a vida é preciosa e todos desejam preservá-la. Portanto, mesmo que eu nunca o tenha visto, como um ser humano, desejo-lhe tudo de bom. Você não precisa ser uma terapeuta ou monge para pensar desta forma, já que um grande número de pessoas o faz.

2- Eu sou competente

Você tem consciência de quantas habilidades são necessárias somente para ler este artigo? Mesmo se sentindo deprimido, desesperado ou com o coração partido, você ainda tem a capacidade e força para acordar todas as manhãs e encarar os seus medos. Embora, por vezes, seja difícil ser humano, tornamo-nos mestres da nossa existência desde muito cedo. Lembre-se de que tentar é o que importa e não vencer. Toda vez que você tenta, mostra para o mundo e as outras pessoas que está vivo e conectado.

3- Eu suporto

Você superou a doença, o mau tempo, as dificuldades e as decepções. Além disso, foi capaz de levantar-se da cama e fazer o que precisa, apesar da grande vontade de ficar em posição fetal e desaparecer. Você compareceu mesmo quando o seu corpo estava fraco e ofereceu ajuda mesmo quando não conseguia ajudar a si próprio. Você se sentiu só e amargo, mas tentou ser civilizado e respeitoso com os outros. Você lidou com as suas perdas da melhor maneira possível, embora sem a validação ou o apoio das outras pessoas, portanto, é resiliente e consegue suportar a dor e o desconforto.

4- Eu posso confiar nos outros

Você teria chegado aonde está sem a ajuda de outras pessoas? Muito embora alguns de nós sejamos bastante independentes, todos sobrevivemos e até prosperamos porque trabalhamos em colaboração. Relacionamentos de todos os tipos são arriscados, pois entramos nele com um número de expectativas, vulnerabilidades e, pelo menos, um trauma. Como seres imperfeitos, todos nós nos machucamos em algum momento de nossas vidas. A boa notícia é que, como visto, você consegue suportar! Se ficar desapontado, acabará superando isso, tal como supera a maioria das dores em sua vida.

5- Eu sou bom o suficiente

Você foi bom o suficiente não só para ter vindo a este mundo, bem como para crescer e se desenvolver, independente das circunstâncias. Você foi bom o suficiente para chegar a sua idade e conhecer as pessoas que conheceu. Você foi bom o suficiente para conseguir o que tem e fazer algo com isso. Você é bom o suficiente para estar vivo, relevância confirmada a cada movimento dos pulmões. Você é bom o suficiente e digno de tudo o que você ainda tem para dar a si mesmo, ao universo e as outras pessoas. Você é bom o suficiente porque é você e único.

Caso sofra de baixa autoestima e tenha dificuldade de sentir-se feliz e satisfeito, chegou a hora de começar a contar uma história diferente sobre si, o mundo e as outras pessoas para o seu cérebro. Recomendo escrever as crenças elencadas em um pedaço de papel e incorporá-las em suas práticas de meditação. Quando alcançar um estado de espírito calmo e em harmonia com o corpo, crie alguns cenários imaginários nos quais se vê comportando-se como mencionado acima. Em seguida, conecte-se com as sensações corporais positivas reproduzidas por essas imagens, como se estivesse ali desfrutando desse novo modo de ser. Repita esse exercício diariamente e observe os efeitos em sua saúde emocional.

 

Referência:

Lipton, B. H. (2015). The Biology of Belief, Unleashing the Power of Consciousness, Matter and Miracles. Carlsband, CA: Hay House.

Entendendo as emoções negativas: a vergonha

A vergonha é incorporada ao nosso corpo com base nas experiências tidas com as outras pessoas, como os nossos pais ou responsáveis pelos nossos cuidados, além de parentes, amigos e professores. A vergonha tem significância moral, social e, sobretudo, evolutiva, visto favorecer a integridade dos grupos humanos, ajudando-os a aumentarem o seu índice de sobrevivência, já que, quando unidos, vivemos vidas longevas e saudáveis. Enquanto comportamentos tais como: altruísmo, empatia, compartilhar, colaboração e tratar-se bem favorecem a qualidade dos relacionamentos; ao passo que agir de maneira narcisista, egoísta, agressiva e antissocial ameaça a nossa união. Felizmente, a vergonha é uma emoção que existe para regular tais comportamentos a fim de prevalecer os interesses do grupo. Por essa razão, a vergonha representa uma espécie de “punição emocional” por não ter se respeitado a integridade e a harmonia de um grupo, ou as regras que nos fazem identificar uns com os outros e trabalhar em cooperação.

Entendendo as emoções negativas: a vergonha
A vergonha é como uma “punição emocional” por não se respeitar a integridade e a harmonia de um grupo

O papel da vergonha

Como já sabemos, a vergonha nos adverte quando quebramos as regras compartilhadas por um determinado grupo. Como esses valores ou conjuntos de regras sociais variam de acordo com o contexto cultural, o que é vergonhoso para um determinado grupo pode ser aceitável para outro. Enquanto a culpa nos avisa que fizemos algo errado, a vergonha aponta o dedo diretamente para nós, como se fôssemos errados. Portanto, a vergonha tem o potencial de se tornar extremamente tóxica para a autoestima, pois nos faz sentirmo-nos rejeitados e, até, fracassados. Além disso, uma vez que a vergonha é uma emoção “aprendida” corre o risco de se tornar um mecanismo de autossabotagem internalizado ou um mau hábito emocional, através do qual nós constantemente criticamos e julgamos a nós mesmos. Quando isso ocorre, sentimo-nos vulneráveis ​​e isolamo-nos dos outros.

Sentimentos relacionados à vergonha

O embaraço, a inadequação e o arrependimento, bem como sentir-se inútil, mortificado ou desonrado são sentimentos originados da vergonha (caso necessite de ajuda para identificar demais sentimentos de vergonha, favor clicar aqui).

Como a vergonha é sentida no corpo

Curiosamente, a vergonha, como um “sentimento moral” (Michel et al., 2014) é desencadeada pelas áreas frontal, temporal e límbica do cérebro (ligadas ao pensamento racional, à aprendizagem, ao medo e à sobrevivência, respectivamente). Como pode se observar a seguir, as sensações corporais associadas à vergonha nos preparam para nos desconectarmos, evitarmos e até nos escondermos do outro:

  • Corpo pesado: cabeça, tronco, pernas e braços
  • Batimento cardíaco acelerado
  • Ombros caídos
  • Pelve curvada
  • Olhos descaídos
  • Inércia, falta de movimento
  • Rubor no rosto

Vergonha adaptativa e mal-adaptativa

Visto que valorizamos o sentimento de pertencer a um grupo, a vergonha adaptativa nos auxilia a não agir contra os nossos interesses, como prejudicar os relacionamentos que valorizamos. Isto se aplica aos nossos objetivos e nossas conquistas. A vergonha que o faz sentir-se inadequado quando um amigo o flagra assistindo TV no meio da tarde, quando havia planejado estudar para um exame, por exemplo, ajuda-o a se concentrar no que é importante para si a longo prazo (melhores qualificações e oportunidades de emprego etc.). Em tais contextos, a vergonha é adaptativa porque favorece a obtenção de metas e o bem-estar psicológico. Nesse cenário, a vergonha não é o único agente motivador, mas surge em contextos específicos para relembrar um indivíduo confiante e responsável de escolher os comportamentos que correspondem aos seus objetivos. A vergonha mal-adaptativa, no entanto, não contribui para o crescimento pessoal e profissional, graciosamente, mas tem um efeito duradouro, prejudicial e autodestrutivo. Quando o comportamento é ditado pela vergonha, danos incríveis são causados ​​à identidade e autoestima, o que cria uma grande distância entre nós e a nossa essência. A vergonha mal-adaptativa é considerada a mais tóxica das emoções, já que o seu efeito é extremamente debilitante para a nossa capacidade de nos conectarmos não apenas conosco, como também com as outras pessoas, tornando impossível sentirmos satisfação e um senso real de amor e alegria pela vida.

O que a sua vergonha diz sobre você

Essencialmente, a vergonha lhe comunica quando há algo supostamente errado com o seu jeito de ser ou comportar-se. Quando você se relaciona com a vergonha de uma maneira funcional – ouvindo a sua mensagem de uma perspectiva equilibrada – registra o que precisa dela (se alguma coisa) e usa esta informação para centrar-se, ou alcançar um melhor estado de realinhamento entre os seus valores e a sua verdadeira identidade. Nestas circunstâncias, age com autoestima e cresce com a experiência. Essa atitude pragmática em relação à vergonha e a sua capacidade de julgá-la e regulá-la reflete um alto nível de autoconsciência, respeito e amor-próprio. A vergonha que não pode ser lidada de tal forma, contudo, e reverbera internamente com as crenças centrais negativas, tais como: “Eu não sou bom o suficiente” ou “Eu não dou conta” ou “Não presto pra nada”, permanece por mais tempo do que o necessário para criar um senso saudável de autoconsciência. Nesse caso, o seu objetivo não é informá-lo e ajudá-lo a redirecionar o foco ao que promove o bem-estar e desenvolvimento, mas humilhá-lo. Os sentimentos recorrentes de vergonha tóxica são, frequentemente, um sinal de que você precisa cuidar melhor de si, emocional e psicologicamente.

Devido ao seu efeito nocivo sobre a psique e o corpo, a vergonha tóxica está ligada a uma série de problemas de saúde mental, como o trauma do desenvolvimento não resolvido, os transtornos de personalidade, ansiedade e humor, entre outros. Se você não estiver satisfeito com o relacionamento que mantém com a vergonha ou com a sua capacidade de controlá-la, recomendo procurar a ajuda de um profissional da saúde mental. Encarar a sua vergonha, com energia e coragem, é a melhor estratégia para enfraquecê-la e melhorar a sua autoestima.

Referência:

Michl P., Meindl T., Meister F., Born C., Engel R.R., Reiser, M., Hennig-Fast K. (2014). Neurobiological underpinnings of shame and guilt: a pilot fMRI study. Social Cognitive and Affective Neuroscience 9(2): 150–157. http://dx. doi: 10.1093/scan/nss114

O perfeccionismo e a insatisfação com a vida

O perfeccionismo e a insatisfação com a vida
O perfeccionismo tem o potencial de acabar com os pequenos prazeres da vida

Se você achar difícil curtir as suas realizações, sejam grandes ou pequenas, você pode estar sofrendo com o seu perfeccionismo, que torna impossível amar-se e aceitar-se por quem é e o que faz com confiança. Isso se deve ao fato de que as atitudes, regras e pressuposições perfeccionistas exigem sempre um passo adiante em que o “grande” torna-se “maior” e o “bom” torna-se “melhor”. Portanto, a linguagem do perfeccionismo nunca está satisfeita com o presente, mas revolve ao redor do passado e, muitas vezes, de experiências futuras idealistas. Pensamentos tais como: “se eu tivesse feito isso melhor, aquilo não teria acontecido”, “fiz isso melhor antes” ou “preciso fazer isso absolutamente correto na próxima vez” retiram o poder do aqui e agora. Você se torna obcecado com resultados como um hamster andando na rodinha, determinado, embora um pouco delirante.

O perfeccionismo tem o potencial de acabar com os pequenos prazeres da vida. Aquele belo momento de deitar na cama após ter acabado de mudar os lençóis enquanto desfruta de seu perfume pode ser arruinado pelo pensamento, “Os lençóis de algodão egípcio são muito mais macios”. O perfeccionismo também faz com que os seus esforços lhe pareçam inúteis. Após perceber que conseguiu meditar com sucesso por quinze minutos, você sente um pouco de orgulho, até que o pensamento “Se eu tivesse conseguido meditar por trinta minutos me sentiria muito mais relaxado” ocorre e muda completamente o seu humor. O perfeccionismo faz com que se sinta como se estivesse em uma batalha constante contra si mesmo e o mundo ao seu redor. Um momento de alegria torna-se algo inalcançável.

Sentir-se bem e realizado pessoalmente também depende muito de sua capacidade de manter um bom relacionamento consigo mesmo. Uma atitude perfeccionista, no entanto, dificulta esse processo. Isso acontece porque o pensamento perfeccionista e a autocrítica são parceiros no crime quando se trata do assassinato da sua própria autoestima, já que o perfeccionismo não somente resulta em insegurança pessoal, como também alimenta a autodepreciação. Sob o seu feitiço, você facilmente se torna preso a um ciclo de apontamento de falhas que só termina quando se sente completamente dominado pela culpa, vergonha ou ansiedade. O perfeccionismo ameaça a sua saúde mental e se encontra no centro de problemas como a depressão, preocupação excessiva e baixa autoestima. Ao contrário da crença popular, o perfeccionismo não conduz ao caminho do sucesso e da felicidade, mas lhe torna vulnerável e descontente como se tivesse perdido o senso de autodireção.

Para pôr fim ao perfeccionismo, comece a monitorar e questionar ativamente os seus próprios pensamentos negativos. Se precisar de ajuda com essa tarefa, recomendo iniciar um Registro Diário de Pensamentos Disfuncionais (RDPD) a fim de identificá-los e abortá-los efetivamente. Após questionar os pensamentos automáticos utilizando o RDPD por um período razoável, tente fazê-lo sem a ajuda de um pedaço de papel, mas de forma mental e até verbal se estiver em um ambiente privado. Crie o hábito cognitivo de desconfiar de pensamentos que pareçam estar tentando convencer-lhe de quem é ou de que o que faz ou consegue não é bom o suficiente. Silencie a voz do seu gremlin perfeccionista introduzindo uma atitude compassiva em relação a si, como se fosse o seu melhor amigo. Perdoe-se e elogie-se sempre reconhecendo o valor de seus esforços aqui e agora. Saiba como viver no presente a favor e não contra si mesmo.

5 crenças limitantes que o mantêm preso na negação

5 crenças limitantes que o mantêm preso na negação
A negação limita o aprendizado e o crescimento pessoal

As crenças negativas e limitantes afetam a sua capacidade de implementar mudanças positivas em sua vida. Não somente o convencem de que não há problema nenhum, como também de sua suposta incapacidade de resolvê-lo. As atitudes, regras e suposições limitantes tendem a não ser produto do raciocínio objetivo, mas funcionam como “soldadinhos” da negação. Para ajudá-lo a lutar contra essa influência disfuncional e desenvolver uma abordagem mais positiva, honesta e ativa para a resolução de problemas, aqui estão 5 crenças limitantes que mantêm você preso à negação:

1- “Eu nunca conseguirei mudar isso”

Só porque a mudança leva tempo não significa que você nunca conseguirá realizá-la. Quando considerar a possibilidade de fazer uma mudança significativa, seja de comportamento ou estilo de vida, adotar uma atitude complacente e tolerante em relação a si mesmo é chave. Dê tempo suficiente para mudar e acostumar-se à mudança. Um hábito leva no mínimo dois meses para ser criado. Seja persistente e prepare-se para os contratempos. Monitore a sua voz crítica e questione os pensamentos negativos que o fazem sentir-se menos competente. Mantenha cartões de motivação prontos para quando se sentir inseguro. Tenha um “amigo designado” com quem você possa entrar em contato para as horas em que estiver pensando em desistir. Crie estratégias de apoio que o ajudarão a manter a concentração quando a confiança estiver em baixa.

2- “Se não me sinto 100% confiante, significa que não devo mudar”

O raciocínio emocional é um erro cognitivo. Pensamentos e sentimentos não são fatos tampouco preveem um resultado, senão todos seríamos vencedores da loteria. Avaliar tudo de maneira exclusivamente negativa também é um hábito que criamos ao longo de anos de prática de uma perspectiva tendenciosa e perfeccionista. Seja objetivo, somente porque está se sentindo inadequado não significa que não conseguirá alcançar os seus objetivos. Separe os seus pensamentos e sentimentos de suas ações. Pergunte-se o que está fazendo e não o que está pensando ou sentindo. A ruminação desemboca na procrastinação e inércia. Resista a tentação da imobilidade com muita determinação e lembre-se de que os pensamentos nem sempre são os melhores amigos da razão. Questione os seus pensamentos de forma racional e imparcial para aumentar a autoestima e fazer as mudanças acontecerem.

3- “Todo mundo tem problema”

Mesmo que este seja o caso, isso não faz de todos os problemas iguais ou igualmente importantes. Você só pode fazer o que é melhor para você. As comparações tendem a não ser produtivas porque os seres humanos são indivíduos que se comportam, pensam e sentem de maneira única. Ninguém realmente sabe o que significa ser você. Confie em seu julgamento sincero e honre a sua humanidade. Você é o especialista na sua própria vida, se as coisas não estão mais funcionando para você da maneira que costumavam provavelmente é devido a comportamentos que não têm mais lugar na sua vida. O crescimento pessoal consiste em perceber a ocorrência destes momentos e investir em mudanças.

4- “Não é tão ruim assim, eu estou bem como estou”

Não confunda a negação com a autoaceitação. A negação é indolente, indiferente e negligente, enquanto a autoaceitação é ativa, benéfica e transformadora. Desconfie de pensamentos e ideias que tentam persuadi-lo do contrário. Se você acredita que a vida é uma grande jornada de crescimento pessoal, a passividade suspenderá o seu desenvolvimento. Torne-se o seu próprio agente de mudança e comprometa-se a uma vida plena e gratificante. Embora a mudança requeira  esforço e dedicação, tem o poder de tornar a sua existência relevante através do progresso e da autoexpressão.

5- “Todo mundo acha que estou bem assim”

A leitura mental é um erro cognitivo, pois não temos como saber o que as outras pessoas estão realmente pensando. Além disso, tentar adivinhar ou ficar preocupado com o que os outros pensam está muitas vezes associado a sentimentos de baixa autoestima e a uma necessidade de aprovação. Mesmo se você estivesse certo sobre as opiniões dos outros a seu respeito, de que maneira afetariam a sua qualidade de vida? Com que frequência esta aprovação teria de ocorrer para concedê-lo uma felicidade duradoura? Você é a sua fonte mais confiável de amor e aceitação. A mudança que prioriza o seu bem-estar físico, psicológico e emocional é o meio pelo qual você se apodera do que deseja para si. Quanto mais você acredita nos benefícios de uma mudança e toma as medidas necessárias para que aconteça, mais confiança você ganha em si mesmo. A autoconfiança, por sua vez, aumenta a autoestima, o que torna a vida mais agradável e satisfatória.

Não questionar as crenças limitantes tal como as mencionadas revela um processo que o mantém preso à negação. A negação pode até proteger uma autoestima frágil e aliviar a ansiedade temporariamente, mas restringe o aprendizado e o crescimento pessoal. A mudança comportamental geralmente segue uma nova maneira de pensar ou abordar os seus pensamentos e atitudes. Nunca é tarde para pôr fim a negação e introduzir hábitos cognitivos e comportamentais saudáveis.

Quais são os efeitos do trauma psicológico/emocional?

efeitos do trauma psicológico/emocional
Os efeitos do trauma psicológico/emocional podem estar lhe causando dor e angústia prolongadas

Um evento traumático é uma experiência adversa que supera a capacidade do indivíduo de lidar e integrar as memórias e emoções conectadas a este. O trauma psicológico/emocional é causado por um dano que, embora não seja de natureza física, afeta gravemente o bem-estar emocional e psicológico do indivíduo. Alguns dos comportamentos disfuncionais mais comuns e característicos dos relacionamentos abusivos consiste em fazer com que o outro se sinta inútil, culpar alguém por seus erros ou deficiências, recusar-se a reconhecer ou aceitar os sentimentos da outra pessoa, exibir casos extremos de humor, ser exageradamente crítico ou depreciar, humilhar, intimidar, ser verbalmente abusivo e usar o “tratamento do silêncio” com outra pessoa, entre outros.

Apesar de ser o tipo mais comum de trauma, o trauma psicológico/emocional é o menos falado, compreendido e reconhecido pelo público em geral, bem como pela comunidade psiquiátrica. Devido a sua natureza penetrante, é vital que exploremos o impacto que o trauma psicológico/emocional exerce sobre os nossos corpos, cérebros e emoções – honesta e abertamente. Se você acredita ter sido psicológica e emocionalmente traumatizado por um pai, mãe, parente ou parceiro amoroso abusivo, ou qualquer outra pessoa de relevância na sua vida, veja a seguir os efeitos do trauma psicológico/emocional que podem estar lhe causando dor e angústia prolongadas:

Emocional

  • Sentimentos de intensa tristeza/depressão: falta de entusiasmo pela vida, incapacidade de se sentir feliz e contente, incapacidade de desfrutar os pequenos prazeres da vida, sentir que você não pertence a lugar nenhum ou inabilidade de se conectar com a vida, viver apenas em “piloto automático”, para cumprir seus “deveres” ou com as expectativas dos outros;
  • Desesperança: sentir-se fraco, impotente, incompetente, incapaz de ser amado;
  • Culpa, vergonha e ansiedade;
  • Sentir ódio de si mesmo, acreditar que tudo é culpa sua;
  • Sentir-se como uma pessoa ruim ou fragmentada;
  • Vulnerabilidade;
  • Ataques de pânico;
  • Problemas de intimidade: ter dificuldade de amar e aceitar a si mesmo, esconder ou sentir-se envergonhado de suas fraquezas/vulnerabilidades, reprimir emoções negativas, recusar-se a compartilhar o/a verdadeiro/a você com outra pessoa;
  • Medo;
  • Sentir-se fora do controle;
  • Raiva;
  • Dificuldade de confiar nos outros;
  • Sentir-se desconectado ou distanciado das outras pessoas.

Comportamental

  • Autoagressão: cortar-se, arranhar-se, beliscar-se, queimar-se, bater-se;
  • Comportamentos compulsivos e obsessivos: medo de ser contaminado por germes, de perder o controle e causar dano aos outros, de pensamentos e imagens intrusivas, de perder e esquecer as coisas, acumular lixo ou quinquilharias, verificar aparelhos e interruptores várias vezes antes de sair de casa, ter de manter tudo organizado de certa forma, passar tempo excessivo lavando ou limpando, contar ou repetir certas palavras para reduzir a ansiedade;
  • Vícios: abuso de substâncias, álcool, jogo, consumo desenfreado de mercadorias;
  • Comportamentos autodestrutivos e autossabotadores: comportar-se de forma imprudente e irresponsável, automedicar-se com comida, álcool ou drogas para “lidar” com emoções negativas, procrastinar, dificuldade de cumprir metas de longo prazo e manter-se concentrado;
  • Isolamento social: recusar a responder, iniciar ou manter contato social;
  • Dificuldade parental;
  • Dificuldades de relacionamento: escolher as pessoas erradas como amigos ou parceiros amorosos, identificar-se com estilos de relacionamentos caóticos, disfuncionais e dramáticos;
  • Raiva reprimida: sentir uma raiva intensa em relação a alguém ou a uma situação que não diminui com o tempo;
  • Distúrbios do sono: dificuldade de pegar no sono, acordar muito cedo ou no meio da noite.

Cognitivo

  • Dificuldade de lembrar as memórias traumáticas;
  • Perder a noção do tempo;
  • Dificuldade de tomar decisões;
  • Falta de concentração;
  • Memórias e pensamentos intrusivos;
  • Pensamentos de suicídio;
  • Reflexo de susto exagerado;
  • Percepção tendenciosa: exibir uma forte tendência para interpretar feições, comportamentos e situações como negativas, ameaçadoras ou assustadoras.

Os efeitos do trauma psicológico/emocional são potencialmente tão prejudiciais ao nosso bem-estar geral como os do trauma físico. As vítimas/sobreviventes deste tipo de trauma tendem a se sentir isoladas e incompreendidas em sua dor e podem passar meses, senão anos de sofrimento, antes de encontrarem o caminho correto para a cura emocional. Se você se identifica com qualquer um dos itens listados e acredita estar pronto para implementar mudanças positivas em sua vida, recomendo a leitura do meu segundo livro, Filhas de Mães Narcisistas, Conhecimento Cura. No Conhecimento Cura…, exploro os problemas de comportamento e saúde mental tipicamente enfrentados por filhas de mães narcisistas e sugiro maneiras saudáveis de como superá-los. Para aprofundar-se no estudo do trauma, sugiro o meu curso online “Conceitos básicos da terapia do trauma”.