Categoria: <span>Depressão</span>

Para uma cura saudável: que tipos de perda podem causar o luto?

tipos de perda podem causar o luto
A consciência de eventos traumáticos e seus efeitos pode causar o luto

A nossa capacidade de lidar e superar perdas depende grandemente da nossa disposição de tolerar e aceitar o luto. Visto que pertencemos a uma cultura de negligência emocional, este tende a ser ignorado, reprimido ou rejeitado a depender do contexto em que surge. Contudo, o luto é um processo de cura biológica resultante de qualquer tipo de perda, quanto mais profundo o nosso entendimento de “perda” melhor a consciência da necessidade de vivenciar o luto. Para atravessá-lo e expandir o conhecimento sobre o seu significado de forma saudável, elencam-se 16 tipos de perda, além do estereótipo que podem causar o luto:

  • Mudança de residência, cidade ou país
  • Perda de uma parte ou mais do corpo, seja por acidente ou cirurgia por motivos de saúde
  • Fim de relacionamento amoroso
  • Fim de amizade
  • Morte de familiar, animal de estimação, colega, vizinho e/ou conhecido
  • Perda de bens materiais que afetam a qualidade de vida
  • Perda de poder para tomar decisões ou de autonomia
  • Mudança profissional como promoção, rebaixamento, demissão ou aposentadoria
  • Percepção da falta ou inexistência de, pelo menos, uma fonte de apoio emocional, financeiro e/ou social
  • Perda de autoestima, seja devido a eventos traumáticos (abuso, negligência) ou mudança significativa nas circunstâncias de vida (acadêmica, profissional e/ou social/relacional)
  • Perda de identidade, seja por meio de mudanças de ordem psicológica, emocional e/ou física
  • Perda de dinheiro ou mudança na situação financeira
  • Consciência de eventos traumáticos e seus efeitos
  • Corte de contato com, pelo menos, um membro da família ou pessoas significativas
  • Mudança radical na rotina de vida, como as vivenciadas durante a pandemia Covid-19
  • Mudança na condição de saúde, como o diagnóstico de uma doença crônica

Como a verdadeira cura de perdas como as mencionadas tende a não se materializar sem um luto consciente e saudável, mudar a maneira como se vê e vivencia o luto é um elemento chave para processá-lo de modo pleno. Mesmo quando as pessoas ao seu redor não são capazes de entender a sua necessidade de condoer-se, conceda a si mesmo o direito de viver o luto. Confie no corpo como um guia sábio para se conectar com os sentimentos dolorosos, tais como: raiva, vergonha, culpa e tristeza e receba-os de forma autônoma e sem julgamento.

A solidão e a vulnerabilidade emocional

A solidão e a vulnerabilidade emocional
A solidão persistente é frequentemente seguida por sentimentos de rejeição, abandono e baixa autoestima

Em momentos de isolamento social, é importante não negligenciar os efeitos negativos extremos que isso exerce sobre a nossa saúde mental/emocional. Apesar do foco atual ser a saúde física como a única ameaça ao bem-estar, continua sendo crucial aumentar a conscientização sobre como o isolamento pode ter um impacto ainda mais forte na nossa psique e qualidade de vida a longo prazo. Para entender o vínculo entre a solidão e a vulnerabilidade emocional, elencam-se três sinais, ou seja, sentimentos e humores que indicam como a falta de contato social pode nos afetar negativamente:

Tristeza e melancolia: como é de nossa natureza buscarmos a conexão e a intimidade, estar em meio e desfrutar da companhia das outras pessoas, pois nos faz sentir mais humanos e vivos. Mesmo se seja introvertido, necessita de certo nível de interação social para obter um senso de identidade e pertença. Como a presença humana, a voz e o toque também são calmantes, um amigo, colega, parente ou cônjuge, por exemplo, pode ser uma fonte de apoio emocional. Quando isso nos falta e nos sentimos solitários, os momentos de tristeza parecem ter maior duração. À medida que os dias passam e a solidão perdura, podemos nos tornamos desesperançosos, melancólicos e até deprimidos.

Vergonha e frustração: a solidão persistente é frequentemente seguida por sentimentos de rejeição, abandono e baixa autoestima. Embora, às vezes, revele-se como uma consequência de nossas próprias escolhas de estilo de vida e crenças rígidas sobre os relacionamentos, a solidão pode nos fazer sentir “inferiores” ou que “não somos bons o suficiente/amáveis”. Não se sentir digno da companhia e do amor dos outros gera ressentimento, raiva e até ódio, os quais são sentidos em um nível profundo e, frequentemente, sem serem registrados pela mente consciente.

Medo e desespero: sentir-se sozinho, não visto e sem acesso à conexão e ao apoio emocional pode desencadear a resposta luta ou fuga. Isso se deve ao fato de que precisamos das outras pessoas para estabelecermos um senso de segurança. Como não somos capazes de sobrevivermos e prosperarmos sem pertencermos a um grupo e sem a ajuda de outros seres humanos, o isolamento completo – inclusive quando aparentemente coerente em momentos de crise de saúde pública – pode causar o estresse, a hipervigilância e a ansiedade. Quando somos submetidos a um clima de medo que parece interminável o desespero se instala, o qual, por sua vez, pode nos levar a recorrer a comportamentos disfuncionais, extremos e arriscados para recuperarmos o senso de segurança e bem-estar.

Tendo em vista que a nossa saúde emocional continua sendo negligenciada pelos governos, pela comunidade médica e outras autoridades do setor da saúde, é de extrema importância ser criativo e dedicar tempo e esforço aos cuidados pessoais. Se se sente solitário e emocionalmente vulnerável como resultado do isolamento, faça o que puder para sentir-se conectado, primeiramente com o seu interior e, depois, com os outros. Ainda há muito a fazer sem desrespeitar as regras de distanciamento social que contribuirá para melhorar o seu humor, basta buscar o que vai ao encontro de seu eu autêntico e do que o complementa.

5 efeitos comuns do isolamento social

6 efeitos comuns do isolamento social
Não ser permitido o contato social também tem o potencial de servir como um gatilho para a solidão existencial

O isolamento social imposto a todos nós e o enfoque nas notícias negativas em torno da disseminação do vírus Covid-19 podem funcionar como gatilhos para uma resposta luta ou fuga. Se você tem um histórico de trauma da infância mal resolvido, pode se sentir ainda mais vulnerável e vivenciar os seguintes efeitos do isolamento social:

Medo: um senso persistente de medo coletivo pode colocar o corpo em um estado de hipervigilância que, por sua vez, torna-o mais suscetível a se sentir preso a um ciclo de preocupação excessiva e ansiedade.

Sentimentos de abandono: a perda de contato social também tem o potencial de servir como um gatilho para os sentimentos de solidão existencial, rejeição e abandono. Embora racionalmente possam não ter sentido, afetam emocionalmente aqueles que sofreram abuso e/ou negligência e, portanto, encontram-se expostos aos efeitos do trauma da infância.

Raiva: a raiva tende a seguir os sentimentos de abandono, pois serve para equilibrá-los ou criar um sentimento de “autoestima” e autonomia. Ser forçado a isolar-se e lidar com as emoções negativas surgidas com o isolamento sem apoio emocional pode fazer com que a pessoa se sinta decepcionada, ressentida ou até mesmo com raiva sem motivo aparente.

Falta de motivação: quando o ar está cheio de negatividade e há pouca movimentação e diversão, torna-se mais difícil encontrar energia para concluir inclusive as tarefas mais simples.

Falta de concentração: manter o corpo em alerta, na maior parte do tempo, faz com que o sistema límbico ou o “cérebro emocional” torne-se hiperativo. Como resultado, as áreas do cérebro interconectadas com o papel da atenção – como o córtex pré-frontal – não têm chance de operarem adequadamente.

Caso se identifique com o relatado, procure aumentar a autoconsciência e manter uma rotina de cuidado pessoal mais rigorosa para proteger a sua saúde emocional durante esse período difícil. As práticas que o permitirão alcançar este objetivo incluem nutrir a criança interior por meio de meditação e visualizações, atividade física, entrar em contato com os amigos e/ou a família e seguir uma dieta saudável com um baixo teor de carboidratos, baseada em plantas e alimentos integrais. Reduzir consideravelmente a exposição (ou até mesmo evitar) as notícias e manter uma perspectiva objetiva e positiva para o futuro próximo, evitar o contato com pessoas pessimistas e amedrontadas que se recusam a ver além de uma perspectiva tendenciosa e negativa são práticas que o ajudarão a se sentir mais centrado e calmo. Além disso, leituras inspiradoras ou assistir comédias, palestras e vídeos agradáveis tende a nos deixar mais animados e a favorecer o nosso humor.

3 crenças do trauma do desenvolvimento e os problemas que causam

3 crenças do trauma de desenvolvimento e os problemas que causam
As crenças disfuncionais desembocam em estratégias de enfrentamento disfuncionais

Os eventos traumáticos mudam a nossa percepção acerca de nós mesmos, do mundo e dos outros a nossa volta. Como o nosso senso de segurança e confiança é abalado, e, por vezes, até destruído, “aprendemos”, através da dor que sentimos, a alterar as nossas visões para nos adaptarmos, cognitiva e emocionalmente, às nossas circunstâncias. No trauma do desenvolvimento – uma série de experiências adversas na infância afeta o desenvolvimento – essa mudança é bastante dramática e tende a transcender o tempo e a idade. Na prática, este processo pode ser observado no adulto que, quando criança, foi repetidas vezes criticado e atacado verbalmente por uma mãe e/ou pai abusivo, por exemplo, e cujas crenças rígidas e negativas resultantes do trauma impedem-no de manter uma visão coerente de si mesmo como um adulto competente e digno de ser amado. Essas crenças também o avisam dos perigos do amor e da intimidade, os quais, supostamente, afligem todos os relacionamentos. Vivendo em um mundo onde a segurança não pode ser sentida nem mesmo dentro do ambiente familiar, essa vítima do trauma do desenvolvimento sente-se vazia e perdida, como se a sua ferida existencial não tivesse cura.

Como as crenças disfuncionais desembocam em estratégias de enfrentamento disfuncionais, e essas, por sua vez, em problemas de saúde mental e relacionamentos, é vital tornar-se consciente de como o seu pensamento pode estar afetando a sua felicidade. Se você suspeita ter sido vítima deste tipo de trauma e deseja informar-se sobre os seus efeitos, aqui estão 3 crenças do trauma de desenvolvimento e os problemas que causam:

1- “Não posso confiar nos outros”

As vítimas de traumas desenvolvimento apresentam grande dificuldade de acreditar e confiar nas outras pessoas, pois tiveram a sua confiança quebrada muito cedo na vida e em uma fase de intensa vulnerabilidade. Nestes casos, nos quais a traição é cometida por aqueles de quem eram próximos – ou seja, os adultos responsáveis pelos seus cuidados, tal como a mãe e/ou pai – o dano causado é muito maior. Seu medo de rejeição e abandono, mesmo quando completamente injustificado e não relacionado às circunstâncias atuais, resulta, em geral, na autossuficiência obsessiva. A falta de fé nas boas intenções das outras pessoas e na capacidade destas se tornarem uma influência positiva em suas vidas os impossibilita de pedirem e aceitarem ajuda. Essa tendência não apenas dá origem a comportamentos codependentes e à solidão, assim como aumenta a probabilidade de ter depressão devido à necessidade de se isolar ou negligenciar os próprios sentimentos quando passa por momentos difíceis. Um relacionamento saudável consigo mesmo e com os outros é raramente alcançado sem um esforço e dedicação conscientes.

2- “Eu não sou digno de ser amado”

Quando uma criança não tem seus sentimentos validados ou é constantemente atacada ou ignorada, não consegue separar a raiva e a atitude negligente dos pais do seu senso de valor próprio. Como as crianças não têm a sofisticação intelectual de um adulto, logo associam a atitude dos pais, consigo mesma, como se os dois estivessem intrinsecamente relacionados (“Se a minha mãe não está interessada em mim/está brava comigo, é porque eu sou chato/não sou bom o suficiente”). Naturalmente, esse sentimento de inadequação também se encontra presente nas crianças que são abusadas física e/ou psicológica e emocionalmente. A fim de lidar com este sentimento torturante e originado da crença de que “há algo de errado comigo”, essas vítimas empenham-se muito para serem notadas e se sentirem dignas de amor e aceitação. Portanto, a sua autoestima é baixa e acaba sendo “construída” de fora para dentro por meio do amor condicional. Elas se tornam perfeccionistas, codependentes, viciadas em aprovação e em agradar os outros ​​e acham difícil dizer não, comportamentos motivados por um poderoso medo de rejeição.

3- “O mundo é um lugar perigoso”

Crescer com medo cria um estado de alerta que molda a maneira como o cérebro se desenvolve e processa as informações sobre o ambiente. Uma criança criada por pais emocionalmente instáveis, ansiosos, inconsistentes e/ou imprevisíveis, vê o mundo como um lugar perigoso e repleto de ameaças ao seu bem-estar. Guiada pelos pensamentos de que “algo de ruim está prestes a acontecer” e “eu sou fraco/vulnerável”, assim como a ansiedade que os seguem, seu comportamento torna-se governado pelo medo. O raciocínio negativo e tendencioso da vítima aliado a sua baixa autoconfiança transformam tudo em um desafio. Fazer mudanças, criar novos hábitos, assumir riscos, se autoafirmar e conhecer novas pessoas, bem como outros comportamentos semelhantes que exijam autoconfiança, por exemplo, são uma fonte de mal-estar e, em alguns casos, até de pânico. A alta ansiedade destrói a motivação, além de afetar o sono, a saúde física e atrasar ou até impedir a realização pessoal, acadêmica e profissional. Por conseguinte, os relacionamentos também são afetados. A ansiedade, como um poderoso assassino de humor, faz com que pareçamos inacessíveis, indiferentes, distantes e até difíceis, geralmente, características não apreciadas por aqueles que se sentem íntegros e são emocionalmente inteligentes.

Por mais deprimente que tudo isso possa parecer, as crenças do trauma do desenvolvimento podem ser reestruturadas. Se você se identifica com o aqui relatado, comece a questionar ativamente os pensamentos negativos que o impedem de confiar em si mesmo e nas outras pessoas. Seja objetivo quando se flagrar imaginando catástrofes e pare de levar tudo para o lado pessoal. Mantenha-se ciente de que a nossa realidade subjetiva é constituída com base em conhecimento acumulado ao longo dos anos. Lembre-se de que este conhecimento é organizado e classificado por meio das crenças fundamentais, altamente subjetivas e carregadas de significado emocional que não equivalem, portanto, a fatos.

Como você sabe se está sofrendo de trauma?

Apesar de extremamente comum, o termo “trauma” muitas vezes parece demasiado forte ou assustador para ser incluído em nossa narrativa pessoal. Isso ocorre porque o trauma é amplamente associado a experiências que ameaçam a vida, como os ataques terroristas, os desastres naturais, os acidentes e as guerras. No entanto, trata-se de algo que ocorre na vida de um grande número de pessoas e não apenas nas das vítimas de acidentes de carro ou soldados. Na verdade, o trauma é tão penetrante, que pesquisas revelaram que afeta a maioria da população.

Se esse for realmente o caso, como saber se é uma das milhões de pessoas que sofre ou sofreu com um trauma?

Como você sabe se está sofrendo de trauma
O trauma destrói as nossas visões cegas de nós mesmos como inquebráveis

Um evento traumático representa qualquer situação tão angustiante para um indivíduo que excede a sua capacidade de lidar com esta. Essa(s) experiência(s) negativa(s) não é/são processada(s) no cérebro da mesma forma que uma memória feliz ou “normal”. Devido ao fato das memórias traumáticas não serem integradas a nossa rede de memórias de modo funcional e saudável, afetam a nossa psique negativamente. As vítimas sobreviventes de trauma, muitas vezes, têm dificuldades de deixar o passado no passado e gerenciar as suas emoções de forma eficaz, como se ainda estivessem na mesma posição vulnerável que se encontravam quando o(s) evento(s) negativo(s) ocorreu/ocorreram.

Como indivíduos, processamos as nossas experiências de vida de maneiras únicas. A própria dor é subjetiva, pois o considerado traumático para uma pessoa pode não ser para outra. De um modo geral, o trauma destrói as nossas visões cegas de nós mesmos como inquebráveis, bem como a nossa fé na bondade de todas as pessoas. Além disso, questiona veementemente as nossas convicções fundamentais idealizadas em torno de ideias de segurança, seja em relação a nós mesmos, ao mundo a nossa volta, ou a aqueles que conhecemos e amamos e que, supostamente, deveriam nos amar e proteger. Embora necessitemos organizar a realidade de uma forma fixa e previsível, a experiência humana revela-se mais complexa do que as nossas crenças conseguem explicar. Quando algo ruim acontece que compromete a sua veracidade, há uma alta probabilidade de que o eu inteiro se sinta prejudicado.

Tendo em mente o mencionado, qualquer evento angustiante pode ser considerado traumático. Somos particularmente vulneráveis ​​quando crianças a sermos traumatizados por experiências negativas que comprometem a nossa capacidade de manter um senso interior de segurança. Uma vez que a sobrevivência está centrada na proteção contra danos à alma e ao corpo, não se sentir amado, visto, ouvido ou reconhecido pelos pais, parentes ou amigos, por exemplo, pode resultar em trauma. Um comentário desagradável feito por uma mãe ou pai irritado, sentir-se humilhado pelas ferroadas de um professor abusivo ou intimidado por um colega de escola também tem o potencial de despertar sentimentos profundos de impropriedade e inadequação em uma criança ou adolescente. Se esta dor é sistematicamente ignorada ou não lidada abertamente por uma mãe ou pai empático, consistente e preocupado, pode afetar a capacidade deste individuo de superá-la definitivamente.

Independente da frequência, intensidade ou característica de um evento estressante e traumático, os seus efeitos são específicos e reais. Quando se trata do trauma – seja “grande” ou “pequeno”, de natureza psicológica/emocional ou física, de ocorrência isolada ou complexo – o que importa é como você se sente em relação ao que aconteceu e não necessariamente o quê o causou, já que a lista de efeitos ou sintomas de trauma é extensa. Quando não são reconhecidos e tratados de forma proativa tendem a afetar o corpo, a mente e os relacionamentos de maneira negativa durante um longo período. O trauma não resolvido desemboca em problemas de saúde mental, tais como: distúrbios de ansiedade, baixa autoestima, vícios, depressão, raiva acumulada, culpa e vergonha, entre outros (para uma lista completa dos efeitos do trauma, clique aqui).

Caso esteja se perguntando se sofre de trauma, recomendo não se concentrar em julgar se o que passou “é ruim o suficiente” para ser classificado como tal, mas no que esteja sentindo. Você é do tipo de pessoa que teve dificuldades, ao longo dos anos, de lidar com emoções intensas como a tristeza, raiva, culpa, vergonha e ansiedade de maneira eficaz? Você se sente facilmente sobrecarregado por elas? Você sente que a vida parece mais difícil para você do que é para as outras pessoas? Você acha difícil saber quem verdadeiramente é? Você tem dificuldade de criar e manter relacionamentos seguros e estáveis? É difícil para você falar ou mesmo relembrar memórias dolorosas do seu passado? Se você se identifica com os pontos levantados aqui e respondeu sim a algumas das perguntas, há uma alta probabilidade de que esteja sofrendo de um trauma e seus efeitos.

Felizmente, eles são tratáveis. Para informações sobre como curar o trauma e seus efeitos, entre em contato comigo e descubra como a terapia de EMDR Focada no Apego pode ajudá-lo a recuperar o controle sobre si e melhorar a sua qualidade de vida.

Quais são os efeitos do trauma psicológico/emocional?

efeitos do trauma psicológico/emocional
Os efeitos do trauma psicológico/emocional podem estar lhe causando dor e angústia prolongadas

Um evento traumático é uma experiência adversa que supera a capacidade do indivíduo de lidar e integrar as memórias e emoções conectadas a este. O trauma psicológico/emocional é causado por um dano que, embora não seja de natureza física, afeta gravemente o bem-estar emocional e psicológico do indivíduo. Alguns dos comportamentos disfuncionais mais comuns e característicos dos relacionamentos abusivos consiste em fazer com que o outro se sinta inútil, culpar alguém por seus erros ou deficiências, recusar-se a reconhecer ou aceitar os sentimentos da outra pessoa, exibir casos extremos de humor, ser exageradamente crítico ou depreciar, humilhar, intimidar, ser verbalmente abusivo e usar o “tratamento do silêncio” com outra pessoa, entre outros.

Apesar de ser o tipo mais comum de trauma, o trauma psicológico/emocional é o menos falado, compreendido e reconhecido pelo público em geral, bem como pela comunidade psiquiátrica. Devido a sua natureza penetrante, é vital que exploremos o impacto que o trauma psicológico/emocional exerce sobre os nossos corpos, cérebros e emoções – honesta e abertamente. Se você acredita ter sido psicológica e emocionalmente traumatizado por um pai, mãe, parente ou parceiro amoroso abusivo, ou qualquer outra pessoa de relevância na sua vida, veja a seguir os efeitos do trauma psicológico/emocional que podem estar lhe causando dor e angústia prolongadas:

Emocional

  • Sentimentos de intensa tristeza/depressão: falta de entusiasmo pela vida, incapacidade de se sentir feliz e contente, incapacidade de desfrutar os pequenos prazeres da vida, sentir que você não pertence a lugar nenhum ou inabilidade de se conectar com a vida, viver apenas em “piloto automático”, para cumprir seus “deveres” ou com as expectativas dos outros;
  • Desesperança: sentir-se fraco, impotente, incompetente, incapaz de ser amado;
  • Culpa, vergonha e ansiedade;
  • Sentir ódio de si mesmo, acreditar que tudo é culpa sua;
  • Sentir-se como uma pessoa ruim ou fragmentada;
  • Vulnerabilidade;
  • Ataques de pânico;
  • Problemas de intimidade: ter dificuldade de amar e aceitar a si mesmo, esconder ou sentir-se envergonhado de suas fraquezas/vulnerabilidades, reprimir emoções negativas, recusar-se a compartilhar o/a verdadeiro/a você com outra pessoa;
  • Medo;
  • Sentir-se fora do controle;
  • Raiva;
  • Dificuldade de confiar nos outros;
  • Sentir-se desconectado ou distanciado das outras pessoas.

Comportamental

  • Autoagressão: cortar-se, arranhar-se, beliscar-se, queimar-se, bater-se;
  • Comportamentos compulsivos e obsessivos: medo de ser contaminado por germes, de perder o controle e causar dano aos outros, de pensamentos e imagens intrusivas, de perder e esquecer as coisas, acumular lixo ou quinquilharias, verificar aparelhos e interruptores várias vezes antes de sair de casa, ter de manter tudo organizado de certa forma, passar tempo excessivo lavando ou limpando, contar ou repetir certas palavras para reduzir a ansiedade;
  • Vícios: abuso de substâncias, álcool, jogo, consumo desenfreado de mercadorias;
  • Comportamentos autodestrutivos e autossabotadores: comportar-se de forma imprudente e irresponsável, automedicar-se com comida, álcool ou drogas para “lidar” com emoções negativas, procrastinar, dificuldade de cumprir metas de longo prazo e manter-se concentrado;
  • Isolamento social: recusar a responder, iniciar ou manter contato social;
  • Dificuldade parental;
  • Dificuldades de relacionamento: escolher as pessoas erradas como amigos ou parceiros amorosos, identificar-se com estilos de relacionamentos caóticos, disfuncionais e dramáticos;
  • Raiva reprimida: sentir uma raiva intensa em relação a alguém ou a uma situação que não diminui com o tempo;
  • Distúrbios do sono: dificuldade de pegar no sono, acordar muito cedo ou no meio da noite.

Cognitivo

  • Dificuldade de lembrar as memórias traumáticas;
  • Perder a noção do tempo;
  • Dificuldade de tomar decisões;
  • Falta de concentração;
  • Memórias e pensamentos intrusivos;
  • Pensamentos de suicídio;
  • Reflexo de susto exagerado;
  • Percepção tendenciosa: exibir uma forte tendência para interpretar feições, comportamentos e situações como negativas, ameaçadoras ou assustadoras.

Os efeitos do trauma psicológico/emocional são potencialmente tão prejudiciais ao nosso bem-estar geral como os do trauma físico. As vítimas/sobreviventes deste tipo de trauma tendem a se sentir isoladas e incompreendidas em sua dor e podem passar meses, senão anos de sofrimento, antes de encontrarem o caminho correto para a cura emocional. Se você se identifica com qualquer um dos itens listados e acredita estar pronto para implementar mudanças positivas em sua vida, recomendo a leitura do meu segundo livro, Filhas de Mães Narcisistas, Conhecimento Cura. No Conhecimento Cura…, exploro os problemas de comportamento e saúde mental tipicamente enfrentados por filhas de mães narcisistas e sugiro maneiras saudáveis de como superá-los. Para aprofundar-se no estudo do trauma, sugiro o meu curso online “Conceitos básicos da terapia do trauma”.