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A solidão e a vulnerabilidade emocional

A solidão e a vulnerabilidade emocional
A solidão persistente é frequentemente seguida por sentimentos de rejeição, abandono e baixa autoestima

Em momentos de isolamento social, é importante não negligenciar os efeitos negativos extremos que isso exerce sobre a nossa saúde mental/emocional. Apesar do foco atual ser a saúde física como a única ameaça ao bem-estar, continua sendo crucial aumentar a conscientização sobre como o isolamento pode ter um impacto ainda mais forte na nossa psique e qualidade de vida a longo prazo. Para entender o vínculo entre a solidão e a vulnerabilidade emocional, elencam-se três sinais, ou seja, sentimentos e humores que indicam como a falta de contato social pode nos afetar negativamente:

Tristeza e melancolia: como é de nossa natureza buscarmos a conexão e a intimidade, estar em meio e desfrutar da companhia das outras pessoas, pois nos faz sentir mais humanos e vivos. Mesmo se seja introvertido, necessita de certo nível de interação social para obter um senso de identidade e pertença. Como a presença humana, a voz e o toque também são calmantes, um amigo, colega, parente ou cônjuge, por exemplo, pode ser uma fonte de apoio emocional. Quando isso nos falta e nos sentimos solitários, os momentos de tristeza parecem ter maior duração. À medida que os dias passam e a solidão perdura, podemos nos tornamos desesperançosos, melancólicos e até deprimidos.

Vergonha e frustração: a solidão persistente é frequentemente seguida por sentimentos de rejeição, abandono e baixa autoestima. Embora, às vezes, revele-se como uma consequência de nossas próprias escolhas de estilo de vida e crenças rígidas sobre os relacionamentos, a solidão pode nos fazer sentir “inferiores” ou que “não somos bons o suficiente/amáveis”. Não se sentir digno da companhia e do amor dos outros gera ressentimento, raiva e até ódio, os quais são sentidos em um nível profundo e, frequentemente, sem serem registrados pela mente consciente.

Medo e desespero: sentir-se sozinho, não visto e sem acesso à conexão e ao apoio emocional pode desencadear a resposta luta ou fuga. Isso se deve ao fato de que precisamos das outras pessoas para estabelecermos um senso de segurança. Como não somos capazes de sobrevivermos e prosperarmos sem pertencermos a um grupo e sem a ajuda de outros seres humanos, o isolamento completo – inclusive quando aparentemente coerente em momentos de crise de saúde pública – pode causar o estresse, a hipervigilância e a ansiedade. Quando somos submetidos a um clima de medo que parece interminável o desespero se instala, o qual, por sua vez, pode nos levar a recorrer a comportamentos disfuncionais, extremos e arriscados para recuperarmos o senso de segurança e bem-estar.

Tendo em vista que a nossa saúde emocional continua sendo negligenciada pelos governos, pela comunidade médica e outras autoridades do setor da saúde, é de extrema importância ser criativo e dedicar tempo e esforço aos cuidados pessoais. Se se sente solitário e emocionalmente vulnerável como resultado do isolamento, faça o que puder para sentir-se conectado, primeiramente com o seu interior e, depois, com os outros. Ainda há muito a fazer sem desrespeitar as regras de distanciamento social que contribuirá para melhorar o seu humor, basta buscar o que vai ao encontro de seu eu autêntico e do que o complementa.

5 efeitos comuns do isolamento social

6 efeitos comuns do isolamento social
Não ser permitido o contato social também tem o potencial de servir como um gatilho para a solidão existencial

O isolamento social imposto a todos nós e o enfoque nas notícias negativas em torno da disseminação do vírus Covid-19 podem funcionar como gatilhos para uma resposta luta ou fuga. Se você tem um histórico de trauma da infância mal resolvido, pode se sentir ainda mais vulnerável e vivenciar os seguintes efeitos do isolamento social:

Medo: um senso persistente de medo coletivo pode colocar o corpo em um estado de hipervigilância que, por sua vez, torna-o mais suscetível a se sentir preso a um ciclo de preocupação excessiva e ansiedade.

Sentimentos de abandono: a perda de contato social também tem o potencial de servir como um gatilho para os sentimentos de solidão existencial, rejeição e abandono. Embora racionalmente possam não ter sentido, afetam emocionalmente aqueles que sofreram abuso e/ou negligência e, portanto, encontram-se expostos aos efeitos do trauma da infância.

Raiva: a raiva tende a seguir os sentimentos de abandono, pois serve para equilibrá-los ou criar um sentimento de “autoestima” e autonomia. Ser forçado a isolar-se e lidar com as emoções negativas surgidas com o isolamento sem apoio emocional pode fazer com que a pessoa se sinta decepcionada, ressentida ou até mesmo com raiva sem motivo aparente.

Falta de motivação: quando o ar está cheio de negatividade e há pouca movimentação e diversão, torna-se mais difícil encontrar energia para concluir inclusive as tarefas mais simples.

Falta de concentração: manter o corpo em alerta, na maior parte do tempo, faz com que o sistema límbico ou o “cérebro emocional” torne-se hiperativo. Como resultado, as áreas do cérebro interconectadas com o papel da atenção – como o córtex pré-frontal – não têm chance de operarem adequadamente.

Caso se identifique com o relatado, procure aumentar a autoconsciência e manter uma rotina de cuidado pessoal mais rigorosa para proteger a sua saúde emocional durante esse período difícil. As práticas que o permitirão alcançar este objetivo incluem nutrir a criança interior por meio de meditação e visualizações, atividade física, entrar em contato com os amigos e/ou a família e seguir uma dieta saudável com um baixo teor de carboidratos, baseada em plantas e alimentos integrais. Reduzir consideravelmente a exposição (ou até mesmo evitar) as notícias e manter uma perspectiva objetiva e positiva para o futuro próximo, evitar o contato com pessoas pessimistas e amedrontadas que se recusam a ver além de uma perspectiva tendenciosa e negativa são práticas que o ajudarão a se sentir mais centrado e calmo. Além disso, leituras inspiradoras ou assistir comédias, palestras e vídeos agradáveis tende a nos deixar mais animados e a favorecer o nosso humor.

3 crenças do trauma do desenvolvimento e os problemas que causam

3 crenças do trauma de desenvolvimento e os problemas que causam
As crenças disfuncionais desembocam em estratégias de enfrentamento disfuncionais

Os eventos traumáticos mudam a nossa percepção acerca de nós mesmos, do mundo e dos outros a nossa volta. Como o nosso senso de segurança e confiança é abalado, e, por vezes, até destruído, “aprendemos”, através da dor que sentimos, a alterar as nossas visões para nos adaptarmos, cognitiva e emocionalmente, às nossas circunstâncias. No trauma do desenvolvimento – uma série de experiências adversas na infância afeta o desenvolvimento – essa mudança é bastante dramática e tende a transcender o tempo e a idade. Na prática, este processo pode ser observado no adulto que, quando criança, foi repetidas vezes criticado e atacado verbalmente por uma mãe e/ou pai abusivo, por exemplo, e cujas crenças rígidas e negativas resultantes do trauma impedem-no de manter uma visão coerente de si mesmo como um adulto competente e digno de ser amado. Essas crenças também o avisam dos perigos do amor e da intimidade, os quais, supostamente, afligem todos os relacionamentos. Vivendo em um mundo onde a segurança não pode ser sentida nem mesmo dentro do ambiente familiar, essa vítima do trauma do desenvolvimento sente-se vazia e perdida, como se a sua ferida existencial não tivesse cura.

Como as crenças disfuncionais desembocam em estratégias de enfrentamento disfuncionais, e essas, por sua vez, em problemas de saúde mental e relacionamentos, é vital tornar-se consciente de como o seu pensamento pode estar afetando a sua felicidade. Se você suspeita ter sido vítima deste tipo de trauma e deseja informar-se sobre os seus efeitos, aqui estão 3 crenças do trauma de desenvolvimento e os problemas que causam:

1- “Não posso confiar nos outros”

As vítimas de traumas desenvolvimento apresentam grande dificuldade de acreditar e confiar nas outras pessoas, pois tiveram a sua confiança quebrada muito cedo na vida e em uma fase de intensa vulnerabilidade. Nestes casos, nos quais a traição é cometida por aqueles de quem eram próximos – ou seja, os adultos responsáveis pelos seus cuidados, tal como a mãe e/ou pai – o dano causado é muito maior. Seu medo de rejeição e abandono, mesmo quando completamente injustificado e não relacionado às circunstâncias atuais, resulta, em geral, na autossuficiência obsessiva. A falta de fé nas boas intenções das outras pessoas e na capacidade destas se tornarem uma influência positiva em suas vidas os impossibilita de pedirem e aceitarem ajuda. Essa tendência não apenas dá origem a comportamentos codependentes e à solidão, assim como aumenta a probabilidade de ter depressão devido à necessidade de se isolar ou negligenciar os próprios sentimentos quando passa por momentos difíceis. Um relacionamento saudável consigo mesmo e com os outros é raramente alcançado sem um esforço e dedicação conscientes.

2- “Eu não sou digno de ser amado”

Quando uma criança não tem seus sentimentos validados ou é constantemente atacada ou ignorada, não consegue separar a raiva e a atitude negligente dos pais do seu senso de valor próprio. Como as crianças não têm a sofisticação intelectual de um adulto, logo associam a atitude dos pais, consigo mesma, como se os dois estivessem intrinsecamente relacionados (“Se a minha mãe não está interessada em mim/está brava comigo, é porque eu sou chato/não sou bom o suficiente”). Naturalmente, esse sentimento de inadequação também se encontra presente nas crianças que são abusadas física e/ou psicológica e emocionalmente. A fim de lidar com este sentimento torturante e originado da crença de que “há algo de errado comigo”, essas vítimas empenham-se muito para serem notadas e se sentirem dignas de amor e aceitação. Portanto, a sua autoestima é baixa e acaba sendo “construída” de fora para dentro por meio do amor condicional. Elas se tornam perfeccionistas, codependentes, viciadas em aprovação e em agradar os outros ​​e acham difícil dizer não, comportamentos motivados por um poderoso medo de rejeição.

3- “O mundo é um lugar perigoso”

Crescer com medo cria um estado de alerta que molda a maneira como o cérebro se desenvolve e processa as informações sobre o ambiente. Uma criança criada por pais emocionalmente instáveis, ansiosos, inconsistentes e/ou imprevisíveis, vê o mundo como um lugar perigoso e repleto de ameaças ao seu bem-estar. Guiada pelos pensamentos de que “algo de ruim está prestes a acontecer” e “eu sou fraco/vulnerável”, assim como a ansiedade que os seguem, seu comportamento torna-se governado pelo medo. O raciocínio negativo e tendencioso da vítima aliado a sua baixa autoconfiança transformam tudo em um desafio. Fazer mudanças, criar novos hábitos, assumir riscos, se autoafirmar e conhecer novas pessoas, bem como outros comportamentos semelhantes que exijam autoconfiança, por exemplo, são uma fonte de mal-estar e, em alguns casos, até de pânico. A alta ansiedade destrói a motivação, além de afetar o sono, a saúde física e atrasar ou até impedir a realização pessoal, acadêmica e profissional. Por conseguinte, os relacionamentos também são afetados. A ansiedade, como um poderoso assassino de humor, faz com que pareçamos inacessíveis, indiferentes, distantes e até difíceis, geralmente, características não apreciadas por aqueles que se sentem íntegros e são emocionalmente inteligentes.

Por mais deprimente que tudo isso possa parecer, as crenças do trauma do desenvolvimento podem ser reestruturadas. Se você se identifica com o aqui relatado, comece a questionar ativamente os pensamentos negativos que o impedem de confiar em si mesmo e nas outras pessoas. Seja objetivo quando se flagrar imaginando catástrofes e pare de levar tudo para o lado pessoal. Mantenha-se ciente de que a nossa realidade subjetiva é constituída com base em conhecimento acumulado ao longo dos anos. Lembre-se de que este conhecimento é organizado e classificado por meio das crenças fundamentais, altamente subjetivas e carregadas de significado emocional que não equivalem, portanto, a fatos.

Como você sabe se está sofrendo de trauma?

Apesar de extremamente comum, o termo “trauma” muitas vezes parece demasiado forte ou assustador para ser incluído em nossa narrativa pessoal. Isso ocorre porque o trauma é amplamente associado a experiências que ameaçam a vida, como os ataques terroristas, os desastres naturais, os acidentes e as guerras. No entanto, trata-se de algo que ocorre na vida de um grande número de pessoas e não apenas nas das vítimas de acidentes de carro ou soldados. Na verdade, o trauma é tão penetrante, que pesquisas revelaram que afeta a maioria da população.

Se esse for realmente o caso, como saber se é uma das milhões de pessoas que sofre ou sofreu com um trauma?

Como você sabe se está sofrendo de trauma
O trauma destrói as nossas visões cegas de nós mesmos como inquebráveis

Um evento traumático representa qualquer situação tão angustiante para um indivíduo que excede a sua capacidade de lidar com esta. Essa(s) experiência(s) negativa(s) não é/são processada(s) no cérebro da mesma forma que uma memória feliz ou “normal”. Devido ao fato das memórias traumáticas não serem integradas a nossa rede de memórias de modo funcional e saudável, afetam a nossa psique negativamente. As vítimas sobreviventes de trauma, muitas vezes, têm dificuldades de deixar o passado no passado e gerenciar as suas emoções de forma eficaz, como se ainda estivessem na mesma posição vulnerável que se encontravam quando o(s) evento(s) negativo(s) ocorreu/ocorreram.

Como indivíduos, processamos as nossas experiências de vida de maneiras únicas. A própria dor é subjetiva, pois o considerado traumático para uma pessoa pode não ser para outra. De um modo geral, o trauma destrói as nossas visões cegas de nós mesmos como inquebráveis, bem como a nossa fé na bondade de todas as pessoas. Além disso, questiona veementemente as nossas convicções fundamentais idealizadas em torno de ideias de segurança, seja em relação a nós mesmos, ao mundo a nossa volta, ou a aqueles que conhecemos e amamos e que, supostamente, deveriam nos amar e proteger. Embora necessitemos organizar a realidade de uma forma fixa e previsível, a experiência humana revela-se mais complexa do que as nossas crenças conseguem explicar. Quando algo ruim acontece que compromete a sua veracidade, há uma alta probabilidade de que o eu inteiro se sinta prejudicado.

Tendo em mente o mencionado, qualquer evento angustiante pode ser considerado traumático. Somos particularmente vulneráveis ​​quando crianças a sermos traumatizados por experiências negativas que comprometem a nossa capacidade de manter um senso interior de segurança. Uma vez que a sobrevivência está centrada na proteção contra danos à alma e ao corpo, não se sentir amado, visto, ouvido ou reconhecido pelos pais, parentes ou amigos, por exemplo, pode resultar em trauma. Um comentário desagradável feito por uma mãe ou pai irritado, sentir-se humilhado pelas ferroadas de um professor abusivo ou intimidado por um colega de escola também tem o potencial de despertar sentimentos profundos de impropriedade e inadequação em uma criança ou adolescente. Se esta dor é sistematicamente ignorada ou não lidada abertamente por uma mãe ou pai empático, consistente e preocupado, pode afetar a capacidade deste individuo de superá-la definitivamente.

Independente da frequência, intensidade ou característica de um evento estressante e traumático, os seus efeitos são específicos e reais. Quando se trata do trauma – seja “grande” ou “pequeno”, de natureza psicológica/emocional ou física, de ocorrência isolada ou complexo – o que importa é como você se sente em relação ao que aconteceu e não necessariamente o quê o causou, já que a lista de efeitos ou sintomas de trauma é extensa. Quando não são reconhecidos e tratados de forma proativa tendem a afetar o corpo, a mente e os relacionamentos de maneira negativa durante um longo período. O trauma não resolvido desemboca em problemas de saúde mental, tais como: distúrbios de ansiedade, baixa autoestima, vícios, depressão, raiva acumulada, culpa e vergonha, entre outros (para uma lista completa dos efeitos do trauma, clique aqui).

Caso esteja se perguntando se sofre de trauma, recomendo não se concentrar em julgar se o que passou “é ruim o suficiente” para ser classificado como tal, mas no que esteja sentindo. Você é do tipo de pessoa que teve dificuldades, ao longo dos anos, de lidar com emoções intensas como a tristeza, raiva, culpa, vergonha e ansiedade de maneira eficaz? Você se sente facilmente sobrecarregado por elas? Você sente que a vida parece mais difícil para você do que é para as outras pessoas? Você acha difícil saber quem verdadeiramente é? Você tem dificuldade de criar e manter relacionamentos seguros e estáveis? É difícil para você falar ou mesmo relembrar memórias dolorosas do seu passado? Se você se identifica com os pontos levantados aqui e respondeu sim a algumas das perguntas, há uma alta probabilidade de que esteja sofrendo de um trauma e seus efeitos.

Felizmente, eles são tratáveis. Para informações sobre como curar o trauma e seus efeitos, entre em contato comigo e descubra como a terapia de EMDR Focada no Apego pode ajudá-lo a recuperar o controle sobre si e melhorar a sua qualidade de vida.

Quais são os efeitos do trauma psicológico/emocional?

efeitos do trauma psicológico/emocional
Os efeitos do trauma psicológico/emocional podem estar lhe causando dor e angústia prolongadas

Um evento traumático é uma experiência adversa que supera a capacidade do indivíduo de lidar e integrar as memórias e emoções conectadas a este. O trauma psicológico/emocional é causado por um dano que, embora não seja de natureza física, afeta gravemente o bem-estar emocional e psicológico do indivíduo. Alguns dos comportamentos disfuncionais mais comuns e característicos dos relacionamentos abusivos consiste em fazer com que o outro se sinta inútil, culpar alguém por seus erros ou deficiências, recusar-se a reconhecer ou aceitar os sentimentos da outra pessoa, exibir casos extremos de humor, ser exageradamente crítico ou depreciar, humilhar, intimidar, ser verbalmente abusivo e usar o “tratamento do silêncio” com outra pessoa, entre outros.

Apesar de ser o tipo mais comum de trauma, o trauma psicológico/emocional é o menos falado, compreendido e reconhecido pelo público em geral, bem como pela comunidade psiquiátrica. Devido a sua natureza penetrante, é vital que exploremos o impacto que o trauma psicológico/emocional exerce sobre os nossos corpos, cérebros e emoções – honesta e abertamente. Se você acredita ter sido psicológica e emocionalmente traumatizado por um pai, mãe, parente ou parceiro amoroso abusivo, ou qualquer outra pessoa de relevância na sua vida, veja a seguir os efeitos do trauma psicológico/emocional que podem estar lhe causando dor e angústia prolongadas:

Emocional

  • Sentimentos de intensa tristeza/depressão: falta de entusiasmo pela vida, incapacidade de se sentir feliz e contente, incapacidade de desfrutar os pequenos prazeres da vida, sentir que você não pertence a lugar nenhum ou inabilidade de se conectar com a vida, viver apenas em “piloto automático”, para cumprir seus “deveres” ou com as expectativas dos outros;
  • Desesperança: sentir-se fraco, impotente, incompetente, incapaz de ser amado;
  • Culpa, vergonha e ansiedade;
  • Sentir ódio de si mesmo, acreditar que tudo é culpa sua;
  • Sentir-se como uma pessoa ruim ou fragmentada;
  • Vulnerabilidade;
  • Ataques de pânico;
  • Problemas de intimidade: ter dificuldade de amar e aceitar a si mesmo, esconder ou sentir-se envergonhado de suas fraquezas/vulnerabilidades, reprimir emoções negativas, recusar-se a compartilhar o/a verdadeiro/a você com outra pessoa;
  • Medo;
  • Sentir-se fora do controle;
  • Raiva;
  • Dificuldade de confiar nos outros;
  • Sentir-se desconectado ou distanciado das outras pessoas.

Comportamental

  • Autoagressão: cortar-se, arranhar-se, beliscar-se, queimar-se, bater-se;
  • Comportamentos compulsivos e obsessivos: medo de ser contaminado por germes, de perder o controle e causar dano aos outros, de pensamentos e imagens intrusivas, de perder e esquecer as coisas, acumular lixo ou quinquilharias, verificar aparelhos e interruptores várias vezes antes de sair de casa, ter de manter tudo organizado de certa forma, passar tempo excessivo lavando ou limpando, contar ou repetir certas palavras para reduzir a ansiedade;
  • Vícios: abuso de substâncias, álcool, jogo, consumo desenfreado de mercadorias;
  • Comportamentos autodestrutivos e autossabotadores: comportar-se de forma imprudente e irresponsável, automedicar-se com comida, álcool ou drogas para “lidar” com emoções negativas, procrastinar, dificuldade de cumprir metas de longo prazo e manter-se concentrado;
  • Isolamento social: recusar a responder, iniciar ou manter contato social;
  • Dificuldade parental;
  • Dificuldades de relacionamento: escolher as pessoas erradas como amigos ou parceiros amorosos, identificar-se com estilos de relacionamentos caóticos, disfuncionais e dramáticos;
  • Raiva reprimida: sentir uma raiva intensa em relação a alguém ou a uma situação que não diminui com o tempo;
  • Distúrbios do sono: dificuldade de pegar no sono, acordar muito cedo ou no meio da noite.

Cognitivo

  • Dificuldade de lembrar as memórias traumáticas;
  • Perder a noção do tempo;
  • Dificuldade de tomar decisões;
  • Falta de concentração;
  • Memórias e pensamentos intrusivos;
  • Pensamentos de suicídio;
  • Reflexo de susto exagerado;
  • Percepção tendenciosa: exibir uma forte tendência para interpretar feições, comportamentos e situações como negativas, ameaçadoras ou assustadoras.

Os efeitos do trauma psicológico/emocional são potencialmente tão prejudiciais ao nosso bem-estar geral como os do trauma físico. As vítimas/sobreviventes deste tipo de trauma tendem a se sentir isoladas e incompreendidas em sua dor e podem passar meses, senão anos de sofrimento, antes de encontrarem o caminho correto para a cura emocional. Se você se identifica com qualquer um dos itens listados e acredita estar pronto para implementar mudanças positivas em sua vida, recomendo a leitura do meu segundo livro, Filhas de Mães Narcisistas, Conhecimento Cura. No Conhecimento Cura…, exploro os problemas de comportamento e saúde mental tipicamente enfrentados por filhas de mães narcisistas e sugiro maneiras saudáveis de como superá-los. Para aprofundar-se no estudo do trauma, sugiro o meu curso online “Conceitos básicos da terapia do trauma”.

7 crenças negativas comuns e os problemas que causam

Uma ótima maneira de investigar as razões pelas quais você se sente sem entusiasmo pela vida ou seguidamente angustiado é observar os seus pensamentos. O seu pensamento ou o modo como você vê o mundo, os outros e a si mesmo diz muito a seu respeito e os problemas de saúde emocional que você pode estar sofrendo. Na TCC, as crenças negativas são comumente exploradas em sua ordem hierárquica, desde a mais aparente e presente no discurso pessoal (crenças intermediárias) até as menos óbvias, porém mais fundamentais e profundamente enraizadas (crenças centrais). A seguir você encontrará uma lista de crenças centrais e intermediárias, tais como atitudes, regras e suposições, bem como os problemas de saúde emocional com os quais estão conectadas:

7 crenças negativas comuns e os problemas que causam
As suas crenças negativas exercem um impacto na sua saúde mental

1- Eu preciso ser bem-sucedido para ter o direito de me sentir bem comigo mesmo.

Fazer de sua autoestima algo condicionado unicamente a realizações e outros estímulos externos positivos, como bens materiais ou a aprovação dos outros, é um sinal de que você pode estar sofrendo de problemas relacionados à baixa autoestima. A autoestima saudável é nutrida de dentro para fora. Uma atitude confiante significa que você possui recursos psicológicos suficientes para aceitar a si mesmo de uma forma amorosa e compassiva, independentemente do que esteja acontecendo em sua vida pessoal, acadêmica ou profissional. Quanto mais o seu bem-estar emocional estiver ligado à aparência, a status social ou ao impacto que você tem sobre os outros, mais suscetível você se tornará a desenvolver problemas com a preocupação excessiva e autocrítica, perfeccionismo e a baixa autoestima.

2- Se alguém me rejeita é porque há algo de errado comigo.

Personalização, ou a suposição de que os comportamentos negativos das outras pessoas estão relacionados a você, é um erro cognitivo clássico que reflete ou resulta em sentimentos de baixa autoestima e ansiedade social. Uma maneira produtiva de pensar que irá aumentar instantaneamente a sua autoconfiança é desconfiar de qualquer cognição que influencia você a se julgar negativamente de forma rápida e fácil. Os comportamentos sociais dos outros são produtos de seus estados psicológicos e emocionais. Antes de se apressar em se culpar pela reação de quem o rodeia, lembre-se de que o mundo é muito maior e as pessoas mais complexas do que a sua perspectiva tendenciosa se preocupa em explicar.

3- Eu não consigo fazer nada certo.

Nada? Verdade? Mesmo no dia mais ruim de sua vida é humanamente impossível conseguir fazer absolutamente tudo errado. A magnificação/minimização – ou concentrar-se no negativo de uma maneira global e exagerada – faz com que você se sinta incompetente e pequeno, mesmo quando não corresponde à verdade fatual. Tal crença central – preconceituosa e errônea – está no centro de sentimentos de ansiedade e baixa autoestima.

4- Se eu não me preocupar, algo de ruim irá acontecer.

A preocupação que toma conta do seu tempo e não conduz a uma solução – processo conhecido também como ruminação – não é produtiva. Se o seu pensamento tivesse poderes mágicos, não haveria tal coisa como os transtornos de ansiedade. A suposição de que a preocupação lhe dá uma sensação de controle sobre a realidade não é apenas falsa, mas impede que você confie em si mesmo, resolva seus problemas e aproveite a vida.

5- Eu tenho que ter controle total sobre as minhas emoções, principalmente quando forem negativas.

Há dois grandes erros nessa regra. Em primeiro lugar, as afirmativas que expressam dever através de “tenho que” tendem a ser contraproducentes, uma vez que não fazem você se sentir aliviado pelo que acredita ter feito de errado, mas apenas aumentam o seu sofrimento, resultando em ainda mais sentimentos de impotência. Do mesmo modo, o hábito de racionalizar todo e qualquer sentimento antagônico, como se fossem desprovidos de propósito, é extremamente prejudicial à sua saúde psicológica e emocional. Os perfeccionistas, bem como os que sofrem de ansiedade e depressão, usam tais declarações quando refletem sobre os seus problemas em uma tentativa disfuncional de recuperar um senso de controle sobre si mesmos (sem sucesso).

6- Se eu me sinto inseguro e inadequado para tentar algo novo, é porque não vai dar certo.

O raciocínio emocional é outro erro cognitivo que nos faz acreditar que nossos pensamentos e sentimentos equivalem-se a ações. Pensamentos são o que são, apenas pensamentos. Os sentimentos de inadequação, como a insegurança e ansiedade, também não predizem resultados, mas são sinais de que há um conflito interno com o qual precisa ser lidado.

7- Se as pessoas descobrissem quem eu realmente sou, me rejeitariam.

Essa suposição é errada para a maioria das pessoas que acredita nela. De alguma forma, ao longo da sua jornada à idade adulta, você registrou a mensagem de que ser você mesmo é improdutivo ou simplesmente não é bom o suficiente. Você pode ter se sentido rejeitado por seus pais sempre que expressava emoções negativas ou agia de uma forma que ia contra suas crenças e/ou expectativas. Com o passar do tempo, esse conhecimento criou uma barreira entre o seu verdadeiro eu e a sua autoestima, como se para ser aceito pelos outros você tivesse de suprimir a sua essência da melhor forma possível. Esse mito não é apenas prejudicial para o seu bem-estar psicológico, como também afeta significativamente a sua qualidade de vida. A incongruência entre o seu comportamento e o seu verdadeiro eu pode ocasionar intensos sentimentos de dúvida e frustração pessoal, ansiedade e uma atitude depressiva de descontentamento geral pela vida.

A fim de ajudar a si mesmo a adotar uma atitude mais positiva ou exercer maior controle sobre o seu humor, monitore as crenças demasiado rígidas, sejam intermediárias (regras, atitudes e suposições) ou centrais. Para corrigir crenças que o deixam deprimido e/ou ansioso, questione pensamentos automáticos sempre que observar uma mudança negativa em seu estado emocional. Pergunte a si mesmo, “O que este pensamento diz sobre mim?”, repetidamente ou até chegar à raiz do problema. Em seguida, reestruture a sua crença para que reflita uma perspectiva flexível e compassiva.