Categoria: Desesperança

Como se conectar com as emoções negativas: a tristeza

Mesmo que provenha de um ambiente familiar de negligência emocional, não significa que não possa ter um relacionamento saudável com as suas emoções na idade adulta. Quando aborda as emoções com maturidade, tornam-se uma expressão natural da sua humanidade e não uma manifestação de uma “patologia” ou inconveniência que tem de ser tratada, medicada ou controlada. As emoções revelam muito sobre nós, o momento em que vivemos e como certos eventos e indivíduos nos afetam, são, portanto, uma grande fonte de autoconhecimento. Além disso, a autorregulação não se materializa sem a conexão emocional, independente de quanto você tente evitar as emoções ou negar a sua presença, já que tendem a permanecer consigo até que lhes dê a atenção necessária para serem processadas de forma integral. Para ajudá-lo a tornar-se um amigo das emoções negativas e aumentar a sua capacidade de autorrelaxamento, os próximos artigos apresentarão algumas técnicas básicas de como construir um relacionamento aberto com a tristeza, raiva e o medo. Abaixo, você encontrará 5 dicas simples sobre como se conectar com a tristeza:

Como se conectar com as emoções negativas: a tristeza
A tristeza relembrar-nos do que está faltando em nossas vidas e o importante para nós

1- Aumente a autoconsciência

Se não sabe como está se sentindo no aqui e agora, não conseguirá se conectar com as suas emoções, sejam positivas ou negativas. Por essa razão, é vital que crie o hábito de verificar, regularmente, como se sente. De tempos em tempos e durante o seu dia, ou quando detectar algum tipo de desconforto emocional, pergunte-se, “Como estou me sentindo?” Logo após ter identificado que se sente triste, parta para o próximo passo, descrito a seguir.

2- Faça uma pausa e concentre-se em si

Após perceber a tristeza, vá para um lugar calmo e privado para se conectar de corpo e alma com esse sentimento e direcione o foco para o seu mundo interior, o que está passando pela sua mente e nas sensações corporais. Neste estado mindful ou de extrema consciência, não há nada mais urgente e relevante do que o momento presente. Sinta por um determinado período ou até conseguir estabelecer um canal aberto de comunicação com o próprio corpo.

3- Ouça o seu corpo

O que o seu corpo diz acerca de seu estado emocional atual? Você está se sentindo enérgico, socialmente engajado e motivado, ou letárgico e querendo ficar só ou, até, isolar-se dos outros? Você está prestes a chorar ou sente uma pressão/tensão no peito e/ou na área da garganta? Há uma sensação de peso em seus membros e corpo? Conectar-se livremente com essas sensações físicas, ou ouvir o próprio corpo, abrirá os canais de comunicação com a sua tristeza.

4- Registre a mensagem da tristeza

Agora que acessou a sua tristeza, o que esta lhe comunica? Um dos principais papéis da tristeza é o luto de nossas perdas e relembrar-nos do que está faltando em nossas vidas e o importante para nós. Do que sente falta? De um senso de propósito, do seu próprio eu ou da companhia das outras pessoas? Ou será que sente falta de alguém, um sentimento ou tempo bom do seu passado, ou algo que nunca desfrutou plenamente, como um verdadeiro amor ou senso de comunidade?

5- Deixe as lágrimas fluírem

A maneira mais rápida e eficaz de processar a tristeza é através de um bom choro. Quando sentir os seus olhos encherem-se de lágrimas, deixe-as fluir. Não as segure ou interrompa o seu fluxo, mas as deixe sozinhas encontrarem o caminho de saída do seu corpo e libertá-lo de sua dor no seu próprio tempo. Como as lágrimas emocionais contêm hormônios do estresse são um meio natural de regulação e restauração do equilíbrio emocional.

Como é o caso com todas as emoções “negativas”, tais como o medo e a raiva, conectar-se profundamente com a sua tristeza pode ser extremamente benéfico para a sua saúde emocional, psicológica e física. Em vez de lutar contra a tristeza, vá ao encontro dela e aprenda com ela, redirecionando o seu foco para o que você se identifica e faz com que se sinta bem. Se gostaria de viver uma vida mais plena, autêntica e feliz, é vital que substitua as crenças rígidas sobre a tristeza como algo a ser evitado ou reprimido e abra o corpo e a mente para a sua sabedoria e poder de cura.

4 razões pelas quais sentir pena de si mesmo ajuda você a crescer

A intolerância contra os sentimentos negativos é tão difundida que se aceita sentir pena dos outros, mas não de si mesmo. A crença que sustenta essa mentalidade rígida equivale sentir-se triste ou mesmo deprimido a um ato de se vitimar, como se a melancolia fosse apenas um meio de enganar os outros ou atrair a atenção para si. Aqueles que se identificam com essa perspectiva têm dificuldades de validar o seu próprio sofrimento, sobretudo, quando este persiste. Ao contrário da crença popular, evitar acessar, de verdade, a raiz do desconforto emocional não o faz desaparecer, mas tende a prolongá-lo desnecessariamente. Para ajudá-lo a abandonar a noção preconceituosa de que sentir e expressar a vulnerabilidade seja sempre um sinal de fraqueza, elencam-se 4 razões pelas quais sentir pena de si mesmo o ajuda a crescer:

1- Você se torna mais emocionalmente íntegro e consciente

4 razões pelas quais sentir pena de si mesmo ajuda você a crescer
Sentir pena de si mesmo pode funcionar como um alerta para implementar mudanças positivas

Quando você se permite sentir sem julgamento, naturalmente, torna-se mais consciente de seus estados emocionais. Aprender a viver em paz com os sentimentos, por sua vez, aumenta a congruência emocional, a autoconfiança e o poder da voz do seu eu autêntico. Como resultado, você se sente mais conectado com a própria mente, corpo e identidade e leva uma vida mais satisfatória e recompensadora.

2- Motiva-o a agir

Sentir pena de si mesmo pode funcionar como um alerta de que necessita implementar mudanças positivas em sua vida. Isso se deve ao fato de que a insatisfação e o desapontamento pessoal tendem a desembocar em um processo de intensa autoavaliação e reavaliação. Não há nada como chegar “ao fundo do poço” para motivar alguém a se adaptar a novas circunstâncias, reparar os relacionamentos e substituir maus hábitos por outros mais saudáveis.

3- Ajuda-o a melhorar a saúde emocional

O aumento da conscientização acerca dos sentimentos negativos permite que identifique o que está errado e faça algo a respeito. Tal como a dor física, o desconforto emocional avisa-nos de perigos potenciais ao nosso bem-estar. Quando você aborda a sua própria inadequação de uma maneira consciente, madura e sem se envergonhar e culpar a si mesmo, você se sente mais confiante e forte. A sua capacidade de lidar com o que está lhe incomodando de forma proativa – e até mesmo pedir ajuda, se necessário – aumenta, o que influencia positivamente a manutenção da sua saúde emocional.

4- Você se torna mais complacente e tolerante

A conotação extremamente tendenciosa de “sentir pena de si mesmo” reflete uma cultura de negligência e intolerância emocional. Julgar-se por sentir-se desanimado apenas promove o autodesprezo e uma atitude autocrítica. Quando passa a honrar todos os seus sentimentos, sem exceção, você não apenas se torna mais complacente e empático em relação a si mesmo, como também aos outros, conectando-se mais facilmente nos relacionamentos e tornando-os mais funcionais.

Não é humano sentir-se bem ou feliz o tempo todo, portanto, não é vergonhoso sentir pena de si quando dominado pela tristeza. Ninguém deve se sentir culpado por expressar as emoções negativas genuinamente sentidas. Se você gostaria de se sentir conectado e viver uma vida mais autêntica, talvez esteja na hora de abandonar o seu preconceito contra a expressão das emoções antagônicas, tais como o medo e a vergonha. Uma mentalidade “é oito ou oitenta”, erroneamente, pressupõe que se permitir sentir tristeza ou até mesmo chorar é um processo que se iniciado, “nunca tem fim”, mantém-lhe emocionalmente estagnado e dificulta o seu crescimento e desenvolvimento pessoal. Para combater essa tendência, comece a agir “como se” não se importasse com o que os outros pensam e ouse ser você, independente do que isso signifique.