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O que é um relacionamento disfuncional?

O que é um relacionamento disfuncional
Os relacionamentos disfuncionais são aqueles que não favorecem a verdadeira intimidade, a saúde emocional e o crescimento pessoal

Embora nenhum relacionamento seja perfeito, alguns são mais funcionais do que os outros. Se este princípio corresponde à realidade, o que torna certos relacionamentos menos saudáveis ​​ou mais disfuncionais do que os outros? A resposta está na quantidade, intensidade e frequência dos comportamentos disfuncionais que os moldam e os definem como tais.

Como regra universal, os relacionamentos disfuncionais são aqueles que não favorecem a verdadeira intimidade, a saúde emocional e o crescimento pessoal. Nestes contextos, as necessidades, os desejos, as vulnerabilidades e os sentimentos negativos não são expressos com clareza e autoconfiança por medo de rejeição e abandono. Portanto, o eu autêntico não floresce na presença do outro, mas se refugia atrás de uma fachada de equilíbrio e força criada para atender às expectativas do outro.

Apesar dessas expectativas terem significativa influência na dinâmica e saúde de qualquer relacionamento, na modalidade disfuncional, tendem a ser demasiado altas e irrealistas. Como não são discutidas abertamente, negociadas democraticamente e com um compromisso razoável, não correspondem às diferenças, necessidades e limitações individuais do eu autêntico. A falha em atender os próprios padrões idealizados ou as expectativas do outro culmina em sentimentos de não se considerar bom o suficiente, de não ser competente (medo de cometer erros, não agradar o outro ou “fazer tudo certo”) e indigno de ser amado. A inadequação que permeia tais relacionamentos desemboca, também, em uma tendência de encontrar falhas, culpar o outro e guardar rancores.

Devido à imaturidade, negligência e dependência emocional, as emoções não são processadas de forma autônoma ou através da presença empática com o outro. Como resultado, o comportamento é amplamente motivado por sentimentos inconscientes de medo, vergonha, raiva e ansiedade que exercem grande impacto negativo tanto em nível individual quanto relacional. A falta de apoio emocional adequado e validação, ou da disposição para escutar o outro e implementar mudanças de comportamento, resulta em um crescente ressentimento que faz com que se pareça “explodir por nada”, de tempos em tempos.

Nos relacionamentos disfuncionais, os limites não são claros ou respeitados, assim como o querer e as preferências de, pelo menos, um ou todos os envolvidos. Como os valores e as funções de cada um são rígidos, a dinâmica é altamente desigual e favorece a uma díade dominante/ativo e submisso/passivo, frequentemente mantida de modo inconsciente e baseada em muita negação. Em tais cenários, o relacionamento é usado como uma arma de manipulação e controle. A recusa de se conformar com a dinâmica disfuncional e desempenhar os seus rígidos papéis é seguida por ameaças de abandono, sejam manifestas de forma aberta/verbal ou oculta, através do distanciamento emocional e da agressividade passiva.

Nos casos em que há tentativas de resolver os problemas, a motivação é fraca e tende a definhar rapidamente, portanto, a trajetória dos relacionamentos disfuncionais é marcada por altos e baixos. Enquanto um assume a responsabilidade do bem-estar do relacionamento, o outro se recusa a reconhecer, integralmente, os efeitos de sua atitude, e, com facilidade, retorna aos antigos hábitos de negação, negligência ou resistência à mudança. Como as relações disfuncionais são constituídas por duas unidades altamente independentes que não funcionam de forma cooperativa, também são caracterizadas por sentimentos de impotência, vergonha, descontentamento e isolamento.

Se gostaria de parar de alimentar a dinâmica disfuncional de certo relacionamento, seja com o seu(sua) parceiro(a), parente, amigo(a), colega de trabalho ou chefe, a autoconsciência é fundamental. Embora não seja responsabilidade de ninguém carregar o bem-estar de qualquer relacionamento exclusivamente nas suas costas, abordar a questão de forma proativa e mudar o próprio comportamento possibilitará que se torne um modelo de autoestima e maturidade emocional.

3 crenças do trauma do desenvolvimento e os problemas que causam

3 crenças do trauma de desenvolvimento e os problemas que causam
As crenças disfuncionais desembocam em estratégias de enfrentamento disfuncionais

Os eventos traumáticos mudam a nossa percepção acerca de nós mesmos, do mundo e dos outros a nossa volta. Como o nosso senso de segurança e confiança é abalado, e, por vezes, até destruído, “aprendemos”, através da dor que sentimos, a alterar as nossas visões para nos adaptarmos, cognitiva e emocionalmente, às nossas circunstâncias. No trauma do desenvolvimento – uma série de experiências adversas na infância afeta o desenvolvimento – essa mudança é bastante dramática e tende a transcender o tempo e a idade. Na prática, este processo pode ser observado no adulto que, quando criança, foi repetidas vezes criticado e atacado verbalmente por uma mãe e/ou pai abusivo, por exemplo, e cujas crenças rígidas e negativas resultantes do trauma impedem-no de manter uma visão coerente de si mesmo como um adulto competente e digno de ser amado. Essas crenças também o avisam dos perigos do amor e da intimidade, os quais, supostamente, afligem todos os relacionamentos. Vivendo em um mundo onde a segurança não pode ser sentida nem mesmo dentro do ambiente familiar, essa vítima do trauma do desenvolvimento sente-se vazia e perdida, como se a sua ferida existencial não tivesse cura.

Como as crenças disfuncionais desembocam em estratégias de enfrentamento disfuncionais, e essas, por sua vez, em problemas de saúde mental e relacionamentos, é vital tornar-se consciente de como o seu pensamento pode estar afetando a sua felicidade. Se você suspeita ter sido vítima deste tipo de trauma e deseja informar-se sobre os seus efeitos, aqui estão 3 crenças do trauma de desenvolvimento e os problemas que causam:

1- “Não posso confiar nos outros”

As vítimas de traumas desenvolvimento apresentam grande dificuldade de acreditar e confiar nas outras pessoas, pois tiveram a sua confiança quebrada muito cedo na vida e em uma fase de intensa vulnerabilidade. Nestes casos, nos quais a traição é cometida por aqueles de quem eram próximos – ou seja, os adultos responsáveis pelos seus cuidados, tal como a mãe e/ou pai – o dano causado é muito maior. Seu medo de rejeição e abandono, mesmo quando completamente injustificado e não relacionado às circunstâncias atuais, resulta, em geral, na autossuficiência obsessiva. A falta de fé nas boas intenções das outras pessoas e na capacidade destas se tornarem uma influência positiva em suas vidas os impossibilita de pedirem e aceitarem ajuda. Essa tendência não apenas dá origem a comportamentos codependentes e à solidão, assim como aumenta a probabilidade de ter depressão devido à necessidade de se isolar ou negligenciar os próprios sentimentos quando passa por momentos difíceis. Um relacionamento saudável consigo mesmo e com os outros é raramente alcançado sem um esforço e dedicação conscientes.

2- “Eu não sou digno de ser amado”

Quando uma criança não tem seus sentimentos validados ou é constantemente atacada ou ignorada, não consegue separar a raiva e a atitude negligente dos pais do seu senso de valor próprio. Como as crianças não têm a sofisticação intelectual de um adulto, logo associam a atitude dos pais, consigo mesma, como se os dois estivessem intrinsecamente relacionados (“Se a minha mãe não está interessada em mim/está brava comigo, é porque eu sou chato/não sou bom o suficiente”). Naturalmente, esse sentimento de inadequação também se encontra presente nas crianças que são abusadas física e/ou psicológica e emocionalmente. A fim de lidar com este sentimento torturante e originado da crença de que “há algo de errado comigo”, essas vítimas empenham-se muito para serem notadas e se sentirem dignas de amor e aceitação. Portanto, a sua autoestima é baixa e acaba sendo “construída” de fora para dentro por meio do amor condicional. Elas se tornam perfeccionistas, codependentes, viciadas em aprovação e em agradar os outros ​​e acham difícil dizer não, comportamentos motivados por um poderoso medo de rejeição.

3- “O mundo é um lugar perigoso”

Crescer com medo cria um estado de alerta que molda a maneira como o cérebro se desenvolve e processa as informações sobre o ambiente. Uma criança criada por pais emocionalmente instáveis, ansiosos, inconsistentes e/ou imprevisíveis, vê o mundo como um lugar perigoso e repleto de ameaças ao seu bem-estar. Guiada pelos pensamentos de que “algo de ruim está prestes a acontecer” e “eu sou fraco/vulnerável”, assim como a ansiedade que os seguem, seu comportamento torna-se governado pelo medo. O raciocínio negativo e tendencioso da vítima aliado a sua baixa autoconfiança transformam tudo em um desafio. Fazer mudanças, criar novos hábitos, assumir riscos, se autoafirmar e conhecer novas pessoas, bem como outros comportamentos semelhantes que exijam autoconfiança, por exemplo, são uma fonte de mal-estar e, em alguns casos, até de pânico. A alta ansiedade destrói a motivação, além de afetar o sono, a saúde física e atrasar ou até impedir a realização pessoal, acadêmica e profissional. Por conseguinte, os relacionamentos também são afetados. A ansiedade, como um poderoso assassino de humor, faz com que pareçamos inacessíveis, indiferentes, distantes e até difíceis, geralmente, características não apreciadas por aqueles que se sentem íntegros e são emocionalmente inteligentes.

Por mais deprimente que tudo isso possa parecer, as crenças do trauma do desenvolvimento podem ser reestruturadas. Se você se identifica com o aqui relatado, comece a questionar ativamente os pensamentos negativos que o impedem de confiar em si mesmo e nas outras pessoas. Seja objetivo quando se flagrar imaginando catástrofes e pare de levar tudo para o lado pessoal. Mantenha-se ciente de que a nossa realidade subjetiva é constituída com base em conhecimento acumulado ao longo dos anos. Lembre-se de que este conhecimento é organizado e classificado por meio das crenças fundamentais, altamente subjetivas e carregadas de significado emocional que não equivalem, portanto, a fatos.

Você é filha de mãe narcisista?

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Complete o questionário para descobrir se sua mãe é mãe narcisista

Se você está se perguntando se a sua mãe é mãe narcisista, o questionário a seguir ajudará a revelar se a sua suspeita está correta.

Responda com “sim” ou “não”. Após completar o questionário, conte o número de respostas “sim” e leia o comentário de interpretação de pontuação.

  1. Você tem dificuldades de se sentir como uma pessoa adulta e competente ao lado da sua mãe?
  2. Você se sente pressionada a corresponder às expectativas e exigências de sua mãe para ser aceita e/ou valorizada por ela?
  3. Quando na companhia ou sob a influência da sua mãe, você frequentemente se sente responsável por como ela se sente?
  4. A sua mãe é uma na frente de você e da sua família e outra na frente das outras pessoas?
  5. A sua mãe tem inveja de você?
  6. A sua mãe tem o hábito de questionar e/ou descartar e/ou invalidar e/ou ignorar os seus talentos e conquistas?
  7. Você sabe que não pode contar com o apoio emocional da sua mãe?
  8. Você acha difícil fazer com que a sua mãe entenda os seus sentimentos?
  9. A sua mãe é difícil – se não impossível – de agradar?
  10. A sua mãe quase nunca demonstra arrependimento genuíno ou pede desculpas por tratar você de maneira imprópria?
  11. Você acredita que a sua mãe não conhece a verdadeira você?
  12. Você se sente falsa, insegura e inadequada ao lado da sua mãe?
  13. Os humores da sua mãe flutuam com grande intensidade e frequência?
  14. Quando tomada por sentimentos antagônicos como a raiva, vergonha e insegurança, a sua mãe abusa de você verbalmente?
  15. A sua mãe usa de chantagens emocionais para conseguir o que quer de você na maioria das ocasiões?
  16. A sua mãe faz com que você se sinta responsável pela felicidade dela?
  17. A atitude e os valores da sua mãe parecem não evoluir com a passagem do tempo?
  18. Você frequentemente se sente forçada a satisfazer somente as vontades da sua mãe?
  19. Você tem dificuldades de associar a imagem da sua mãe a de uma pessoa emocionalmente estável, segura e adulta?
  20. Você acha difícil de se ver como uma entidade independente da sua mãe?
  21. A sua mãe seguidamente rejeita ou ignora seus interesses quando não correspondem aos dela?
  22. Você tem dificuldade de se conectar afetiva e emocionalmente com a sua mãe?
  23. A sua mãe só aceita as suas conquistas e talentos quando reconhecidos por outras pessoas?
  24. A sua mãe usa das suas qualidades e momentos importantes da sua história para se autovangloriar?
  25. Quando envolvida em discussões familiares, a sua mãe sempre se coloca como vítima de uma grande injustiça?
  26. A sua mãe não valoriza você pelo que você é, mas somente pelo que pode proporcionar?
  27. Você tem vergonha da atitude e do comportamento da sua mãe diante de outras pessoas?
  28. A sua mãe fica decepcionada ou faz você se sentir culpada por não fazer o que ela quer?
  29. A sua mãe conscientemente ignora os seus sentimentos?
  30. A sua mãe expõe ou humilha você na frente de outras pessoas?

 

Análise de Pontuação:

1 – 5: é pouco provável que a sua mãe seja uma mãe narcisista

6 – 9: a sua mãe possui alguns traços narcisistas

10 – 19: é muito provável que a sua mãe seja uma mãe narcisista

20 – 30: é extremamente provável que a sua mãe seja uma mãe narcisista