Categoria: <span>Negligência Emocional</span>

4 sinais que você sofreu negligência na infância

4 sinais que você sofreu negligência na infância
A negligência é a forma mais comum de abuso

A negligência é a forma mais comum de abuso. De acordo com a National Children’s Alliance (2021) e Brown et al. (2023), 76 a 78% das vítimas de abuso são crianças negligenciadas. A negligência infantil pode ser física ou emocional e compreende a ausência de cuidados adequados, seja com o bem-estar emocional ou físico da criança. Apesar de ser habitual, não é facilmente identificável pelas vítimas como o abuso físico ou emocional. Se você suspeita de ter sido vítima e gostaria de obter esclarecimentos sobre o assunto, elenca-se 4 sinais de que você sofreu negligência na infância:

1- Você negligencia a própria saúde e o bem-estar: você se esquece das necessidades do corpo, ignora sinais de problemas de saúde e não toma as medidas necessárias para lidar com as vulnerabilidades físicas e mentais em tempo hábil. Além disso, demora a procurar um profissional de saúde e só o faz quando pressionado por outras pessoas ou quando já se sente debilitado.

2- Você acredita não ser digno de cuidado: você se sente egoísta, culpado, envergonhado e/ou com medo quando precisa de ajuda, amor e atenção. Embora se sinta confortável no papel de doador e esteja disponível para os outros em momentos de necessidade, sente-se inadequado quando chega a vez de receber a ajuda e o cuidado das outras pessoas.

3- Você acredita não ser digno de coisas boas: você se sente egoísta, culpado, envergonhado e/ou com medo de possuir coisas caras e de boa qualidade, sente-se desconfortável quando se presenteia e ousa quebrar as rígidas regras de gastos, bem como quando recebe coisas boas das outras pessoas.

4- Você tem baixas expectativas: você se contenta facilmente com a mediocridade e tem uma sensação de familiaridade, segurança e, em alguns casos, até alívio quando as coisas não dão certo e é decepcionado pelos outros. Também chora ou se sente inadequado quando algo grande ou positivo acontece, como quando é elogiado ou reconhecido por seus esforços.

Para superar os efeitos do trauma da infância causado pela negligência, torne-se ciente de como pode estar perpetuando o abuso por meio da autonegligência. Aprenda como se conectar, ouvir e validar as necessidades do corpo, praticando a meditação de atenção plena/mindfulness, por exemplo, e implementando uma rotina de autocuidado. Se se sentir sobrecarregado com a ideia de fazer isso sozinho, contrate uma terapeuta do trauma para lhe ajudar a colocar essas medidas em prática e dar início ao processo de cura.

Referências:

Brown CL, Yilanli M, Rabbitt AL. Child Physical Abuse and Neglect. [Updated 2023 May 29]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 Jan-. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470337/

National Children’s Alliance (2021). National Statistics on Child Abuse. https://www.nationalchildrensalliance.org/media-room/national-statistics-on-child-abuse/#:~:text=Nationally%2C%20neglect%20is%20the%20most,and%200.2%25%20are%20sex%20trafficked.

5 sinais de que o seu problema de peso está relacionado a um trauma

5 sinais de que o seu problema de peso está relacionado a um trauma
As vítimas de abuso emocional, negligência física e/ou abuso sexual são mais propensas a recorrerem à comida para equilibrarem as emoções

A conexão entre os maus comportamentos alimentares, como a restrição calórica e o vício alimentar, e o trauma é amplamente aceita (vide pesquisas abaixo). Portanto, caso tenha dificuldade de manter um peso saudável, é fundamental saber que apenas uma mudança na dieta pode ser insuficiente para produzir efeitos duradouros. Para se tornar ciente de como a saúde mental afeta o seu relacionamento com a comida, elenca-se 5 sinais de que o seu problema de peso está relacionado a um trauma:

1- Você come de forma emocional para se sentir melhor. A alimentação emocional é motivada pelos sentimentos negativos dos eventos traumáticos que ficam armazenados no corpo, como a solidão, o cansaço, a ansiedade, a tristeza, a vergonha, a culpa e a raiva. As vítimas de abuso emocional, negligência física e/ou abuso sexual, por exemplo, são mais propensas a recorrerem à comida para equilibrarem as emoções e lidarem com o estresse traumático (Kong et al., 2009). Conforme Stojek et al. (2019) esclarecem: “De uma perspectiva psicológica, consumir alimentos com alto teor calórico que estimulam o neurocircuito de recompensa é uma poderosa estratégia de regulação emocional em resposta ao aumento do estresse”.

2- Você se alimenta de forma desregrada para desafiar a autoridade. Você expressa a raiva dos pais abusivos e o controle do próprio corpo comendo demais ou de modo irresponsável para não se submeter a dietas rígidas e aos padrões de beleza.

3- Você se alimenta pouco para desafiar a autoridade. Você expressa a raiva dos pais abusivos e o controle do próprio corpo fazendo dieta e torna-se mais magro para provocar-lhes inveja ou ressentimento por sua autonomia e perda de peso.

4- O seu sobrepeso faz com que se sinta seguro. Você se sente mais forte e menos vulnerável ao abuso quando está fisicamente maior ou “invisível” a fim de protegê-lo da atenção alheia.

5- Você é viciado em açúcar. O trauma do desenvolvimento mal resolvido e o Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) “comumente ocorrem de forma simultânea com o vício” (Flanagan et al., 2016). O açúcar é usado para aliviar o estresse traumático, propósito observado no uso de outras substâncias viciantes, tais como o álcool e as drogas.

Uma abordagem consciente do trauma revela-se essencial se estiver empenhado em superar um distúrbio alimentar ou administrar o peso de maneira eficaz. Para um resultado de sucesso, combine uma dieta saudável com o tratamento psicológico de traumas não resolvidos e trate a saúde integralmente, da cabeça aos pés.

Referências:

Kong S, Bernstein K. (2009). Childhood trauma as a predictor of eating psychopathology and its mediating variables in patients with eating disorders. Journal of clinical nursing. 18. 1897-907. 10.1111/j.1365-2702.2008.02740.x.

Flanagan JC, Korte KJ, Killeen TK, Back SE. Concurrent Treatment of Substance Use and PTSD. Curr. Psychiatry Rep. 2016 Aug;18(8):70. (doi: 10.1007/s11920-016-0709-y. PMID: 27278509; PMCID: PMC4928573).

Stojek MM, Maples-Keller JL, Dixon HD, Umpierrez GE, Gillespie CF, Michopoulos V. Associations of childhood trauma with food addiction and insulin resistance in African-American women with diabetes mellitus. Appetite. 2019 Oct 1;141:104317. (doi: 10.1016/j.appet.2019.104317. Epub 2019 Jun 8. PMID: 31185252; PMCID: PMC6629477.)

5 estratégias para lidar com a negligência emocional dos pais

5 estratégias para lidar com a negligência emocional dos pais
Se se sente inadequado para compartilhar os sentimentos com os pais, isso significa que não são aptos para dar-lhe o apoio emocional que procura.

Os pais emocionalmente negligentes falham em fazer com que os filhos se sintam vistos, sentidos e ouvidos, o que resulta numa necessidade de atenção, validação e apoio, mesmo na idade adulta. Embora tais necessidades sejam razoáveis, a insistência dos filhos adultos dos pais emocionalmente negligentes de que as satisfaçam perpetua a infelicidade e o desapontamento. Se esse comportamento lhe parece familiar, elenca-se 5 estratégias para lidar com a negligência emocional dos pais para ajudá-lo a sair desse ciclo:

1- Acabe com a fantasia da família ideal: apesar de termos sido condicionados a acreditar que a família é a primeira e mais confiável ​​fonte de segurança, amor e apoio, isso é uma fantasia. Embora alguns se sintam seguros e acolhidos ao se conectarem emocionalmente com os pais, outros se sentem ignorados pelos pais egocêntricos e emocionalmente imaturos, o que tem um impacto negativo no seu desenvolvimento emocional. Se cresceu em um ambiente de negligência emocional, manter viva a fantasia da família ideal e a esperança que um dia os pais irão mudar e honrar como se sente é infrutífero.

2- Obtenha o apoio que necessita de pessoas emocionalmente maduras: se se sente invisível, insignificante ou inadequado para compartilhar os sentimentos com os pais, isso significa que não são aptos para dar-lhe o apoio emocional que procura. Quando os sentimentos de esperança tentarem convencê-lo do contrário, não os alimente, fale com um amigo emocionalmente maduro ou, se não possuir um, contrate uma terapeuta.

3- Limites, limites, limites: o que acontece com os seus pais não tem nada a ver com você, na maioria das vezes. A falta de interesse deles por você não significa que seja desinteressante, assim como a dificuldade de se conectarem emocionalmente começou antes do seu nascimento.Portanto, crie um limite bem sólido entre você e eles, permanecendo no próprio corpo e não alimente a narrativa de que é a razão de seu comportamento emocionalmente negligente.

4- Pratique o amor-próprio: como um adulto maduro, você não depende dos pais para se sentir digno de amor, competente e bom o suficiente. Você pode satisfazer essas necessidades através de relacionamentos com coisas e pessoas fora do seu círculo familiar, como amigos, parceiros amorosos, animais de estimação, colegas, vizinhos e até com pessoas aleatórias que lhe demonstram amor, consideração e respeito. Uma rica vida espiritual ou crenças que o ajudam a cultivar a sensação de fazer parte de algo maior do que si próprio também o conferem uma sensação de pertencimento e segurança interior.

5- Pratique a maturidade emocional: quebre o hábito de depender de fatores externos para se sentir melhor consigo próprio e passe a honrar as emoções de forma autônoma. Para lidar com a raiva e a tristeza que carrega como os efeitos do trauma relacional, reserve um tempo para processar a dor. Chorar quando surge a necessidade e expressar a raiva de forma criativa ou por meio de exercício ou atividade física, por exemplo, são meios saudáveis ​​de regular as emoções acumuladas no corpo.

Para aprofundar-se no tema negligência emocional parental e compreender como é vivenciada, recomendo a leitura do capítulo 5 A imaturidade e a negligência emocional das crianças grandes do meu terceiro livro Desconstruíndo a Família Disfuncional.