Categoria: Raiva

Como aceitar as emoções negativas

Como aceitar as emoções negativas
A saúde mental é mantida por meio da conexão e aceitação emocional

A saúde mental é mantida por meio da conexão e aceitação emocional, enquanto que o hábito de julgar e negligenciar as emoções negativas, bem como a nossa obsessão em controlá-las, faz com que nos tornemos infelizes e desequilibrados. Caso você esteja cansado de lutar contra si próprio e a maneira como se sente e gostaria de reconstruir um relacionamento mais saudável com as emoções, elenca-se 5 dicas de como aceitar as emoções negativas:

1- Conecte-se com o corpo

As emoções são expressas no corpo, portanto, quem almeja conectar-se com as emoções de forma íntegra deve fazer, primeiramente, pela reconexão com o corpo. Você pode alcançar esse objetivo através da exploração das sensações corporais, como as de tensão e leveza. Caso tenha dificuldade de identificar as emoções, explorar as sensações corporais lhe dará uma boa noção do impacto que os seus pensamentos e suas experiências exercem sobre você.

2- Torne-se consciente da presença de emoções negativas

Em vez de desviar o foco das emoções negativas ou fazer o máximo para reprimi-las ou controlá-las, torne-se plenamente consciente destas. Você pode fazer isso movendo a atenção para elas e criando um mapa mental de onde são sentidas através da observação direta de sua intensidade e movimento, assim como do efeito que têm em você.

3- Observe-as sem julgamento

A maioria de nós foi criada em uma cultura de negligência emocional, na qual as emoções “negativas” são consideradas uma inconveniência que deve ser resolvida o mais rápido possível. Tal atitude tende a ser improdutiva, uma vez que tem o potencial de criar um problema ainda maior. Evitar, negar ou reprimir as emoções negativas são comportamentos disfuncionais que, com grande frequência, desembocam em problemas de ordem emocional e física. Para evitar que isso aconteça, basta permitir que existam e resistir à tentação de fazer algo.

4- Valide o direito de suas emoções existirem

Todas as emoções são parte de nós, quando negamos a sua sabedoria e o seu valor, abertamente e rejeitando-as através da repressão, evasão ou negação, fazemos isso em detrimento de nós mesmos. Mesmo quando as emoções negativas não parecem coerentes, à primeira vista, têm o direito de serem registradas na sua consciência. Toda vez que você reconhece uma emoção negativa com abertura e respeito, torna-se completo e íntegro.

5- Seja amigo do seu corpo

Para se tornar mais tolerante às emoções negativas, é essencial que veja o corpo como um amigo. O amor-próprio e a autoaceitação só são viáveis ​​através de uma forte aliança com todo o nosso ser, corpo e mente. Para criar uma amizade com o corpo, mude as suas crenças sobre as sensações corporais e emoções “negativas”, considerando-as como expressões naturais do seu eu. Vê-las como transitórias, também o ajudará a abordá-las com paciência, compreensão e bondade.

Os benefícios de concentrar a atenção nas emoções vão além do equilíbrio emocional e do bem-estar, pois ajudam também a melhorar a capacidade de concentração e equilíbrio de comportamentos. Para aproveitar ao máximo o que foi dito acima, monitore como se sente e faça o que puder para agir de maneira diferente quando passar por episódios de preocupação excessiva ou ansiedade.

Entendendo as emoções negativas: a raiva

Embora nos permita identificar as nossas necessidades e agir de acordo com os nossos interesses, a raiva é uma emoção mal compreendida, pois a avaliamos de forma polarizada ou “é tudo ou nada”, tendemos a concebê-la como uma expressão emocional disfuncional. Apesar da raiva estar frequentemente conectada a problemas de relacionamento e até a abusos, não é sempre sentida em sua forma extrema ou desemboca em comportamentos irracionais. A raiva também vem em uma ampla gama de sentimentos e intensidades, cada um com a sua própria função e mensagem, algumas das quais são emancipadoras e motivacionais. Para ajudá-lo a compreender melhor a sua raiva, este artigo é dedicado a investigá-la.

O papel da raiva

Entendendo as emoções negativas: a raiva
A raiva corresponde a um sinal de que nos sentimos ofendidos por algo ou alguém

Seja na forma passiva ou ativa, a raiva corresponde a um sinal de que nos sentimos ofendidos por algo ou alguém. Quando com raiva, estamos reagindo a um ataque – real ou imaginário – a nossa autoestima que nos leva a sentirmos rejeitados, ignorados, isolados, magoados ou criticados. A raiva também serve para nos devolver o que perdemos através desta (considerada) violação, tais como o respeito e o amor por nós mesmos. Além disso, a raiva existe para nos ajudar a recuperar o senso de autocontrole, bem como lidar com as emoções negativas que a cercam, como a tristeza e o medo. Em função desta característica, a raiva também nos ajuda a regular os sentimentos de inadequação.

Sentimentos relacionados à raiva

A frustração, a irritação, o ressentimento, o aborrecimento e a ira, por exemplo, são formas da raiva. Quando somos expostos a uma grande ameaça a nossa autoestima por um longo período, a raiva é sentida com maior intensidade e transforma-se em ódio.

Como a raiva é sentida no corpo

Tal como o medo, a raiva é desencadeada pela amígdala, ou “cérebro emocional”. Quando nos sentimos ameaçados e ficamos zangados, esta região cerebral prepara-nos para lutar contra um inimigo ou fugir do lugar. Como você pode observar na lista a seguir, as sensações corporais associadas à raiva são as mesmas ou similares às experienciadas quando tomados pelo medo, outra emoção associada à resposta de luta ou fuga:

  • Batimento cardíaco acelerado
  • Respiração curta
  • Aumento da temperatura corporal e pressão arterial
  • Armouring (tensão muscular, especialmente nas costas e pescoço)
  • Dor de cabeça
  • Dor de estômago
  • Pressão na mandíbula e ranger dos dentes
  • Tremores
  • Suor
  • Tontura

Raiva adaptativa e mal-adaptativa

A raiva adaptativa é como qualquer outro sentimento negativo sentido de uma maneira funcional. Quando experienciamos a raiva de forma saudável, ela nos permite reconhecer que algo não está correto e desaparece após algum tempo (em média, 20 minutos). Desta forma, a raiva saudável é produtiva, pois serve a um propósito específico em um determinado período, portanto, é de curta duração e corresponde a certo contexto. Esse tipo de raiva também direciona o nosso foco para mudança, ou nos ajuda a iniciar a contemplá-la. Quando estamos presos à raiva mal-adaptativa, no entanto, ela não é sentida nem regulada dessa maneira, mas tende a durar por um período mais longo (raiva acumulada) ou curto do que necessário para criar uma consciência e nos motivar a agir, ou é usada como o único meio para que recuperemos uma sensação de poder e segurança. A nossa falha em processar e lidar com os problemas destacados pela raiva – quando surge – tende a resultar em problemas de ordem comportamental, física e mental, assim como em dificuldades de relacionamento.

O que a sua raiva diz a seu respeito

Como já sabemos, o alarme da raiva avisa-nos que as nossas necessidades não estão sendo atendidas. Contudo, a natureza dessas necessidades varia, como sentir-se amado e valorizado, emocionalmente equilibrado, no controle ou seguro. A raiva destaca as nossas vulnerabilidades e sentimentos de impotência, agindo como um lembrete de nossas limitações como indivíduos quando não conseguimos alcançar os nossos objetivos de felicidade e bem-estar. Quando as nossas crenças fundamentais são demasiado rígidas e não correspondem à realidade objetiva, nós nos sentimos embravecidos e decepcionados não apenas conosco, mas também com as outras pessoas e, até mesmo, com a própria vida. A relação que mantemos com a raiva – seja reprimindo-a ou agindo de forma reativa e desiquilibrada – também é condizente com uma história de trauma do desenvolvimento não resolvido.

Antes de se apressar a julgar, negar ou esconder os seus sentimentos de raiva, concentre-se neles e faça as seguintes perguntas:

  • Que necessidades não estão sendo atendidas?
  • Quais sentimentos de inadequação a minha raiva pode estar mascarando?
  • A minha raiva é produtiva ou mal-adaptativa?

Quando começa a compreender a raiva e a registrar a sua mensagem, você passa a construir um relacionamento mais saudável com este sentimento e, também, consigo, direcionando a energia desencadeada por ela para algo positivo como a autoaprendizagem, a melhoria dos relacionamentos e  o crescimento pessoal.

Como perpetuamos o autodesprezo

Embora a maioria de nós concorde que o ódio a si mesmo seja prejudicial à saúde emocional e à autoestima, lutar contra essa tendência de autossabotagem não se mostra tão simples. Isso se deve ao fato de que não somos educados com o amor e respeito suficientes para constituirmos uma base sólida de autoestima, ou um senso orgânico de amor-próprio incondicional. Contudo, a educação ocidental é, na maioria das vezes, o oposto disso, sendo afetada por traumas transgeracionais e crenças controladoras, perfeccionistas e punitivas. Tais valores não promovem um relacionamento saudável com si próprio, mas faz com que as crianças se sintam como cidadãos de terceira categoria. Esse processo é perceptível na internalização das vozes críticas de nossos pais, que se tornam o nosso “crítico interno” ou gremlin.[1] Naturalmente, desfazer essa programação negativa exige tempo e esforço consciente. Para ajudá-lo a entender o que o mantém preso a este hábito, segue como perpetuamos o autodesprezo:

Como perpetuamos o autodesprezo
O ódio a si mesmo é prejudicial à saúde emocional e à autoestima

1- Rótulos

Descrever-se com a ajuda de palavras de conotação negativa, tal como “estúpido”, “gordo” etc. é mais prejudicial a sua autoestima do que você pensa. As palavras ecoam na mente, ferem e facilmente tornam-se a sua verdade. Além disso, o hábito de dizê-las para si, inclusive em um tom brincalhão, sinaliza que você não está se amando ou se aceitando incondicionalmente. O uso de rótulos compreende um dos recursos mais poderosos da sua voz crítica para envergonhá-lo e humilhá-lo. É virtualmente impossível valorizar a si mesmo enquanto o seu vocabulário de autoavaliação for depreciativo e vexatório.

2- Perfeccionismo

Apesar de corresponder a um ato de autossabotagem, o perfeccionismo é muito comum e, portanto, bastante aceito na sociedade. Ao contrário da crença popular, no entanto, a obsessão com a excelência não representa um traço positivo, mas uma tendência que, na maior parte dos casos, promove apenas a intolerância e o ódio a si mesmo. A nossa constituição não nos permite atingir resultados positivos, cem por cento do tempo. A complexidade dos seres humanos ou a grande variedade de nossos estados emocionais e físicos não nos permite ser constantes e expressar um padrão único e imutável de comportamento. Insistir em “sempre fazer o seu melhor” (e se criticar cada vez que não alcança esse objetivo) serve como uma punição cognitiva ao fato de ser humano.

3- Intolerância emocional

Você se culpa, bem como os outros, por sentir raiva, vergonha, tristeza e medo? Você se sente envergonhado por ter e expressar sentimentos antagônicos, inadequado ou mesmo zangado quando os outros se permitem demonstrar os sentimentos de uma forma não abusiva? Se sim, você é emocionalmente intolerante. A intolerância emocional desemboca em autodesprezo e numa atitude repreendedora, seja exclusivamente contra os seus próprios estados emocionais ou de outrem. O hábito de rejeitar as suas qualidades humanas, tal como a capacidade de se conectar consigo mesmo, com o mundo e as outras pessoas através das emoções, faz com que se sinta vazio e inautêntico a longo prazo. Com o passar do tempo, você começa a se sentir cada vez mais sozinho e desconectado. À medida que a decepção em si próprio cresce, o ciclo vicioso do ódio se perpetua, até quando você está ciente de seus perigos.

4- Trauma de infância não resolvido

A autocrítica excessiva, os sentimentos intensos de vergonha, inadequação e tristeza, bem como a raiva acumulada estão entre os efeitos mais comuns do trauma do desenvolvimento. Se você nunca teve tempo para processar, psicológica e emocionalmente, os eventos adversos que marcaram a sua infância, é muito mais difícil sentir-se competente e digno de ser amado. Devido à natureza insidiosa, prolongada e complexa deste tipo de trauma, a pessoa tende a permanecer sem tratamento por um longo período, afetando-lhe o senso de valor, autoproteção e autopreservação. Não há ambiente melhor para aprender a odiar-se e desprezar-se do que o criado por famílias tóxicas. O abuso e a negligência são notáveis por deixarem uma impressão duradoura nas vítimas, comprometendo – se não lidados e encerrados – a sua capacidade de valorizaram-se, defenderem-se e gostaram de si.

5- Crenças rígidas

As crenças rígidas estão intrinsicamente ligadas à baixa autoestima e aos problemas de saúde mental, tal como a ansiedade e depressão. Os comportamentos disfuncionais, como os mencionados, são criados e mantidos por um pensamento inflexível e repleto de erros cognitivos, como a “polarização” ou pensamento “tudo ou nada”, por exemplo. Em primeiro lugar, você é muito mais complexo do que uma única palavra é capaz de definir. Da mesma forma, cometer um erro ou ser incapaz de esconder a sua decepção não significa que seja um fracassado. As crenças rígidas como “eu sou lesado” (uso de rótulos), “eu só posso me sentir orgulhoso de mim mesmo quando me destaco” (perfeccionismo), “expressar emoções negativas é um sinal de fraqueza” (intolerância emocional) e “se eu confiar nos outros, irão me magoar” (trauma da infância não resolvido) roubam-lhe do direito de desenvolver um relacionamento recompensador consigo mesmo e com os outros. É como se apenas uma perspectiva negativa, global e imutável fosse exata.

Se os comentários negativos e críticos contra si e o seu desempenho vêm de forma bem mais natural do que os tolerantes e complacentes, é hora de direcionar a sua atenção para o cultivo da autoestima. Para combater essa tendência disfuncional, pratique o seguinte:

  1. Chega de rótulos: pare de ser tão cruel consigo mesmo. Crie uma tolerância zero aos rótulos e corrija-se quando usar palavras de significado global e negativo.
  2. Valorize os seus esforços: torne-se uma pessoa do tipo “copo meio cheio”. Seja o primeiro a defender os seus esforços e, literalmente, cale a boca do seu crítico interior.
  3. Pare de julgar as emoções como “negativas”. Experimente observar como se sente com curiosidade. Não lute contra os sentimentos, mas os acolha e aprenda com eles.
  4. Cure as feridas de trauma: se suspeitar ter sofrido com o trauma da infância, procure a ajuda de um profissional para ajudá-lo a reorganizar sua narrativa pessoal e lidar com os efeitos do trauma.
  5. Reestruture as suas crenças: escolha crenças flexíveis que reflitam o adulto autoconfiante que deseja ser e está aberto ao amor e a uma vida plena.

 [.1] Criatura mitológica germânica malévola.

Como você sabe se está sofrendo de trauma?

Apesar de extremamente comum, o termo “trauma” muitas vezes parece demasiado forte ou assustador para ser incluído em nossa narrativa pessoal. Isso ocorre porque o trauma é amplamente associado a experiências que ameaçam a vida, como os ataques terroristas, os desastres naturais, os acidentes e as guerras. No entanto, trata-se de algo que ocorre na vida de um grande número de pessoas e não apenas nas das vítimas de acidentes de carro ou soldados. Na verdade, o trauma é tão penetrante, que pesquisas revelaram que afeta a maioria da população.

Se esse for realmente o caso, como saber se é uma das milhões de pessoas que sofre ou sofreu com um trauma?

Como você sabe se está sofrendo de trauma
O trauma destrói as nossas visões cegas de nós mesmos como inquebráveis

Um evento traumático representa qualquer situação tão angustiante para um indivíduo que excede a sua capacidade de lidar com esta. Essa(s) experiência(s) negativa(s) não é/são processada(s) no cérebro da mesma forma que uma memória feliz ou “normal”. Devido ao fato das memórias traumáticas não serem integradas a nossa rede de memórias de modo funcional e saudável, afetam a nossa psique negativamente. As vítimas sobreviventes de trauma, muitas vezes, têm dificuldades de deixar o passado no passado e gerenciar as suas emoções de forma eficaz, como se ainda estivessem na mesma posição vulnerável que se encontravam quando o(s) evento(s) negativo(s) ocorreu/ocorreram.

Como indivíduos, processamos as nossas experiências de vida de maneiras únicas. A própria dor é subjetiva, pois o considerado traumático para uma pessoa pode não ser para outra. De um modo geral, o trauma destrói as nossas visões cegas de nós mesmos como inquebráveis, bem como a nossa fé na bondade de todas as pessoas. Além disso, questiona veementemente as nossas convicções fundamentais idealizadas em torno de ideias de segurança, seja em relação a nós mesmos, ao mundo a nossa volta, ou a aqueles que conhecemos e amamos e que, supostamente, deveriam nos amar e proteger. Embora necessitemos organizar a realidade de uma forma fixa e previsível, a experiência humana revela-se mais complexa do que as nossas crenças conseguem explicar. Quando algo ruim acontece que compromete a sua veracidade, há uma alta probabilidade de que o eu inteiro se sinta prejudicado.

Tendo em mente o mencionado, qualquer evento angustiante pode ser considerado traumático. Somos particularmente vulneráveis ​​quando crianças a sermos traumatizados por experiências negativas que comprometem a nossa capacidade de manter um senso interior de segurança. Uma vez que a sobrevivência está centrada na proteção contra danos à alma e ao corpo, não se sentir amado, visto, ouvido ou reconhecido pelos pais, parentes ou amigos, por exemplo, pode resultar em trauma. Um comentário desagradável feito por uma mãe ou pai irritado, sentir-se humilhado pelas ferroadas de um professor abusivo ou intimidado por um colega de escola também tem o potencial de despertar sentimentos profundos de impropriedade e inadequação em uma criança ou adolescente. Se esta dor é sistematicamente ignorada ou não lidada abertamente por uma mãe ou pai empático, consistente e preocupado, pode afetar a capacidade deste individuo de superá-la definitivamente.

Independente da frequência, intensidade ou característica de um evento estressante e traumático, os seus efeitos são específicos e reais. Quando se trata do trauma – seja “grande” ou “pequeno”, de natureza psicológica/emocional ou física, de ocorrência isolada ou complexo – o que importa é como você se sente em relação ao que aconteceu e não necessariamente o quê o causou, já que a lista de efeitos ou sintomas de trauma é extensa. Quando não são reconhecidos e tratados de forma proativa tendem a afetar o corpo, a mente e os relacionamentos de maneira negativa durante um longo período. O trauma não resolvido desemboca em problemas de saúde mental, tais como: distúrbios de ansiedade, baixa autoestima, vícios, depressão, raiva acumulada, culpa e vergonha, entre outros (para uma lista completa dos efeitos do trauma, clique aqui).

Caso esteja se perguntando se sofre de trauma, recomendo não se concentrar em julgar se o que passou “é ruim o suficiente” para ser classificado como tal, mas no que esteja sentindo. Você é do tipo de pessoa que teve dificuldades, ao longo dos anos, de lidar com emoções intensas como a tristeza, raiva, culpa, vergonha e ansiedade de maneira eficaz? Você se sente facilmente sobrecarregado por elas? Você sente que a vida parece mais difícil para você do que é para as outras pessoas? Você acha difícil saber quem verdadeiramente é? Você tem dificuldade de criar e manter relacionamentos seguros e estáveis? É difícil para você falar ou mesmo relembrar memórias dolorosas do seu passado? Se você se identifica com os pontos levantados aqui e respondeu sim a algumas das perguntas, há uma alta probabilidade de que esteja sofrendo de um trauma e seus efeitos.

Felizmente, eles são tratáveis. Para informações sobre como curar o trauma e seus efeitos, entre em contato comigo e descubra como a terapia de EMDR Focada no Apego pode ajudá-lo a recuperar o controle sobre si e melhorar a sua qualidade de vida.

Por que as emoções negativas são importantes?

As emoções conectam-nos com o nosso eu, mente e corpo, bem como o mundo ao nosso redor. Sem as emoções seria impossível entender o que se passa fora e dentro de nós mesmos, assim como formar relacionamentos ou identificar o que é bom ou ruim, o que aprecia ou desagrada. Por mais óbvio que isso pareça, somos frequentemente desencorajados a expressar e até sentir emoções negativas, tais como: a tristeza e raiva, desde pequenos. Os pais que não toleram os seus próprios sentimentos de inadequação, afirmam que “meninos não choram”, ou “não é bonito para uma menina parecer zangada” contribuindo, dessa forma, para a criação de uma crença disfuncional de que o desconforto emocional não tem propósito e deve ser evitado a todo custo. À medida que a criança se desenvolve, aprende estratégias de enfrentamento prejudiciais ​​para “lidar” com as emoções negativas, como, por exemplo,  através da repressão, evasão, negação e automedicação. Na idade adulta, encontra-se em maior risco de sofrer de problemas de saúde mental, com vícios, depressão, transtornos de ansiedade e alimentares.

Para ajudá-lo a mudar as suas crenças referentes às emoções negativas e começar a construir uma relação mais saudável consigo e seus próprios sentimentos, seguem 5 razões pelas quais as emoções negativas são importantes:

1- Ajudam-nos a evitar problemas

Por que as emoções negativas são importantes?
As emoções conectam-nos com o nosso eu, mentes e corpos

As emoções negativas como o medo e a repugnância, por exemplo, avisam que algo provavelmente não está certo e merece atenção. As suas emoções negativas compreendem um sistema de alarme muito sofisticado e especializado em detectar possíveis perigos a sua saúde e bem-estar. A maioria dos problemas de saúde mental poderia ser evitada se as ouvíssemos com mais cuidado. Qualquer tipo de dor ou desconforto, seja de natureza física ou emocional, é um chamado à reavaliação. Quando você registra essa mensagem e responde prontamente a elas, implementando as mudanças necessárias para recuperar o senso de integridade e equilíbrio, a sua chance de melhorar em qualquer tipo de ambiente aumenta. Se você não consegue detectar as suas próprias emoções negativas ou faz um esforço para ignorá-las, seja de forma consciente ou não, expõe-se a potenciais danos à sua psique, ao seu corpo e as suas emoções.

2- Permitem-nos saber o que é importante para nós

As emoções negativas nos ajudam a entrar em contato com o nosso verdadeiro eu, a nos concentrarmos no que é importante para nós e nos indicam aquilo que é irrelevante. Sentir-se desmotivado ante a perspectiva de fazer algo ou interagir com alguém, serve para relembrá-lo do que realmente sente em relação ao papel que desempenha na própria vida. Uma intensa emoção negativa tem o poder de lhe retornar uma sensação de autonomia e controle sobre o que possa ter perdido por causa de uma tendência a intelectualizar o sofrimento e por desrespeitar os seus sentimentos e limites pessoais. Confiar na sua bússola emocional é fundamental, especialmente, quando se sentir desconectado do que pensa, sente e age, bem como da sua própria vida e das pessoas à sua volta.

3- Ajudam-nos a nos conectarmos emocionalmente com os outros

Nós nos comunicamos com as outras pessoas em grande parte através da linguagem corporal e das emoções. Essa troca é tão automática, rápida e sutil que, muitas vezes, ocorre sem a nossa plena consciência. Quando você bloqueia os canais que os ligam as suas próprias emoções negativas, você danifica não somente o relacionamento que mantém consigo, como também aquele que nutre com os outros. Ser capaz de notar e responder às emoções das outras pessoas, especialmente quando negativas, é vital para ajudá-lo a criar um vínculo emocional e afetivo com quem quer bem. A inclinação a ignorar, normalizar ou mesmo descartar as emoções negativas alheias, por exemplo, tem o potencial de arruinar amizades e relacionamentos amorosos, enquanto se manter emocionalmente sintonizado com os sentimentos das outras pessoas fortalece e prolonga a longevidade dos relacionamentos funcionais.

4- Preservam a nossa integridade

Como seres humanos, somos capazes de sentirmos uma grande variedade de emoções. A raiva, tristeza, desgosto, ansiedade, vergonha e culpa, bem como todas as demais emoções negativas, têm uma função. Portanto, rejeitá-las como se fossem inúteis ou insignificantes é negar a nossa própria humanidade, além de corresponder a um comportamento irracional e inconsequente que pode ter um impacto prejudicial tanto em nossa saúde como um todo quanto nos relacionamentos que valorizamos. Reconhecer e permitir-se sentir, assim como expressar, tolerar e processar emoções negativas e positivas é o que nos torna congruentes e coerentes. Ser fiel aos seus sentimentos (o que não significa ser controlado por eles) também comunica a mensagem de que você é um adulto perspicaz, confiante, consciente e capaz de honrar quem é.

5- Ajudam-nos a crescer

As emoções, sejam negativas ou positivas, são fontes preciosas ​​de sabedoria, pois propiciam o crescimento pessoal, já que nos ensinam quais comportamentos são produtivos ao mesmo tempo em que nos advertem contra aqueles nada favoráveis. À medida que você testa e aprende com os seus comportamentos por intermédio de suas emoções, torna-se mais hábil para encontrar o seu senso de autoequilíbrio, além de mais autoconfiante e independente. As emoções também o ajudam a se conduzir de maneira mais eficiente no ambiente social e se conectar com os outros através de sua dor e vulnerabilidade, como já foi mencionado. As emoções quase nunca mentem, e mesmo que o façam, o ato em si possui um significado. As reações emocionais exageradas ou impróprias também indicam quando algo não está funcionando tão bem como deveria, ou que um problema não foi devidamente abordado ou tratado. Independente do cenário, qualidade ou intensidade de suas emoções, você sempre aprende mais sobre si mesmo, o mundo e as outras pessoas quando presta atenção e ouve atentamente ao que as suas emoções têm a dizer.

Considerar as suas emoções negativas como uma fonte de conhecimento e até sabedoria permitirá que crie um relacionamento harmonioso com o seu próprio corpo. Se acredita que uma atitude complacente é relevante para o bem-estar e o desenvolvimento emocional, mas tem dificuldade de aplicar o conceito na sua própria vida, torne-se amigo dos seus estados emocionais negativos através de uma atitude mais tolerante. Resista o desejo de domar a sua raiva imediatamente ou normalizar a tristeza observando como afetam o seu corpo. Aprenda como se concentrar nelas até perderem a energia. Caso persistirem, use o pensamento para iniciar um diálogo interno entre você e as suas emoções, com o intuito de descobrir quais necessidades pessoais não estão sendo atendidas.

2 exercícios simples de atenção plena para ajudá-lo a lidar com a pressão

2 exercícios simples de atenção plena para ajudá-lo a lidar com a pressão
A atenção plena ou mindfulness pode ajudá-lo a se sentir em harmonia com você mesmo

Dado o ritmo frenético da vida moderna, sentir-se sob pressão para corresponder às expectativas de todos – incluindo as suas – pode facilmente transformar-se em mais um hábito prejudicial a sua saúde. Visto que nossas vidas nunca foram tão monitoradas ou expostas a tanto escrutínio tal como nos últimos anos, pode ser difícil deixar de lado a suposta necessidade de lutar por sua excelência pessoal, independentemente do impacto que essa atitude tenha sobre você. Na era dos smartphones e redes sociais, não parecer “superativo” e “sempre ocupado” pode facilmente fazer com que você se sinta como uma alma perdida ou alguém que apenas não é bom o suficiente. Viver uma vida verdadeiramente autêntica tornou-se um desafio na época em que ficar parado e não fazer nada soa como uma grande estranheza.

Mesmo quando você se sente influenciado por ideias desse tipo, você ainda tem escolha. Você pode render-se à pressão de ficar disponível para tudo e para todos, ignorar a si mesmo e continuar a lutar para manter uma imagem de sucesso e popularidade, ou aproveitar este momento para dar atenção a você – o verdadeiro você – aquele que como todos os seres humanos necessita cultivar a ligação com o próprio corpo a fim de se sentir em harmonia consigo mesmo e com os outros. Dedicar tempo exclusivamente a si mesmo não significa apenas permitir-se comprar algo caro, comer algo saboroso ou desfrutar de algo novo. Também significa fazer deste o seu momento, ou sentir o que significa ser você neste instante. Tudo sem julgamento. Tudo sem ter de fazer as coisas de certa maneira (como ter de seguir um estereótipo de “relaxamento”, como deitar-se em uma banheira com um copo de vinho ou comer uma enorme barra de chocolate enquanto assiste uma série de TV inteira na Netflix. Se uma dessas coisas não estiver disponível… Bom, então, você ficaria à mercê de uma sensação ruim).

A atenção plena ou mindfulness pode ajudá-lo a se sentir em harmonia com você mesmo sem ter de fazer um grande esforço para criar algo elaborado a fim de alcançar a paz de espírito. Basta dedicar algum tempinho para se concentrar na sua respiração para que se reconecte com seu corpo, honrando o momento presente e as sensações que o fazem inteiro, atendendo a você como um todo. Você não tem de ser budista para praticar a mindfulness, ou um grande conhecedor de filosofia oriental para dominá-la. A atenção plena já faz parte de você – pois constitui aquela habilidade única de utilizar o raciocínio para se concentrar em si mesmo e observar seus próprios pensamentos, sentimentos e comportamentos.

Se você se sente estressado e gostaria de experimentar a mindfulness, a seguir você encontrará 2 exercícios simples de atenção plena para ajudá-lo a lidar com a pressão:

1- Centrar-se no momento presente

Sentado em uma cadeira em uma posição ereta, mas confortável, preste atenção somente em sua respiração. Observe como o seu peito se expande em cada inspiração, preenchendo seu corpo todo com ar e, na expiração, possibilita um sentimento natural de relaxamento. Quando você sentir a mente relaxar e reconectar-se com o seu corpo, tire a atenção do seu peito e concentre-se nos seus pés. Sinta a sensação de contato entre as solas dos seus pés e a superfície na qual estão descansando. Sinta você por inteiro, suas pernas, tronco, braços e cabeça conectados. Sinta-se como uma unidade, como um corpo sentado nessa posição. Examine as sensações que intensificam a sua percepção do que significa ser esse corpo nesse momento, como sentir a superfície dura da cadeira contra a sua pele ou perceber sentimentos de peso ou leveza nos membros. Calmamente, em seguida, lembre-se de onde você está, o dia da semana e a hora do dia. Traga o momento presente, corpo e mente unidos enquanto está sentado nesta cadeira, sendo você completo neste instante e espaço.

2- Alívio do estresse

Sentado em uma cadeira em uma posição ereta, mas confortável, preste atenção em sua respiração. Observe como o seu peito se expande em cada inspiração, preenchendo seu corpo todo com ar, depois a expiração que traz um sentimento natural de relaxamento. Quando você sentir a mente relaxada e reconectada com o seu corpo, retire a atenção do peito e concentre-se no seu corpo inteiro. Investigue as sensações presentes nesse momento, identificando o que lhe faz se sentir ansioso. Essa sensação pode ser pressão ao redor do peito, uma sensação de aperto no pescoço ou na mandíbula, ou uma sensação de peso, dor ou pressão na região abdominal, por exemplo. Assim que você conectar-se com uma dessas partes do seu corpo, dedique alguns minutos para focar a sua atenção nesta região. Dedique algum tempo para atender às sensações corporais que refletem o seu estado emocional negativo. Observe como o estresse é sentido por você numa região em particular. Atenda à fonte de seu desconforto. Assim que o seu pensamento começar a processar essas sensações, observe o que acontece quando elas começam a se dissipar para o resto do seu corpo como um fluxo de energia. Note a mudança nessas sensações e como eles desaparecem na sua consciência. Curta esse sentimento de alívio e reconciliação na medida em que a sua atenção reivindica seu corpo todo de volta.

Sempre que você se sentir oprimido ou desconectado, como se você estivesse em piloto automático, reserve alguns minutos para praticar um dos exercícios acima. Ambos farão com que você se sinta revigorado e centrado. É vital para o seu bem-estar psicológico e emocional entender esses sentimentos negativos assim que surgirem. Deixá-los acumular como se não fossem importantes tem o potencial de virar complicações de saúde mental mais tarde, como um episódio de esgotamento ou depressão, ou até resultar em um transtorno de ansiedade. Defina as suas prioridades de maneira correta e aprenda a amar e respeitar você inteiro primeiro, tanto corpo como alma.