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Regulando o medo do abandono: um estudo sobre o papel da vergonha

Regulando o medo do abandono: um estudo sobre o papel da vergonha
O medo do abandono é sentido quando a expressão do eu autêntico desemboca em sentimentos de inadequação

As vítimas do trauma do desenvolvimento/infância, frequentemente, possuem o medo de serem abandonadas. O medo do abandono é sentido nos contextos relacionais quando a expressão do eu autêntico desemboca em sentimentos de inadequação. A autoexpressão genuína, por outro lado, é vivenciada quando o pensamento, os sentimentos e os comportamentos ocorrem de maneira congruente. Quando você está em processo de luto, por exemplo, e reflete sobre a perda, sente-se triste, parece abatido e evita o contato social demonstrando coerência entre o que pensa, como se sente e se comporta. No entanto, os pais emocionalmente negligentes e abusivos, por exemplo, não demonstram coerência, não promovem uma conexão saudável com as emoções, especialmente quando negativas. Isso é observado quando criticam, culpam e até punem os filhos por terem e expressarem as emoções como a raiva e tristeza, por exemplo. As crianças expostas à atitude imatura dos pais em relação às emoções negativas aprendem, portanto, a associar a sua expressão a sentimentos de rejeição, vergonha e perda de afeto.

Se o amor dos pais é condicional e se mostra indisponível quando os filhos se sentem frustrados e tristes, cometem um erro ou não atendem às expectativas, a vergonha que sentem desencadeia uma sensação de insegurança. Esse mecanismo não se observa operante apenas quando são jovens, mas também ao longo da idade adulta. Na prática, essa tendência se reflete nos comportamentos emocionalmente dependentes, como agradar às pessoas e negar as necessidades individuais para garantir a relação. A obsessão por cativar todos reprimindo as emoções negativas e vontades próprias é altamente motivada pelo medo das consequências drásticas que supostamente resultariam da liberdade emocional e dos atos de autoafirmação, ou seja, a perda de amor e apego.

Uma vez que a ligação entre a vergonha e o medo do abandono é tão íntima e prejudicial à saúde mental, é vital destacar a sua influência na nossa capacidade de criar os relacionamentos funcionais que nos permitem ser nós mesmos e estabelecermos conexões emocionais fortes. Se não se sente bom o suficiente para conectar-se com o corpo, entender e honrar as necessidades porque tem um grande medo do efeito que isso pode ter sobre os outros, recomendo questionar as crenças disfuncionais que estão alimentando o medo de abandono. Primeiramente, não é dever de ninguém tornar a existência alheia livre de desconforto emocional. Em segundo lugar, você gostaria de manter um relacionamento com alguém que só valida os próprios interesses, necessidades e desejos? E, finalmente, não gostaria de sentir-se digno do seu eu? Se acredita ser bom o suficiente para si próprio, pratique tolerar a vergonha que resulta de uma atitude autêntica até que esta tendência se torne uma característica sua.

A vergonha que você carrega é sua?

A vergonha que você carrega é sua?
Emoções como a vergonha são altamente contagiosas

A vergonha, assim como as outras emoções negativas básicas (tristeza, raiva, medo, choque e repulsa), pode tornar-se tóxica se não for identificada e lidada consciente e proativamente. A vergonha tóxica é particularmente prejudicial ao bem-estar emocional porque vivenciada de formas variadas, seja em nível cognitivo ou físico, isto a torna difícil de ser identificada. Embora subestimemos o quanto nos afeta nós nos compararmos com os outros, por exemplo, e não relacionamos a atitude à vergonha, esta tende a alimentar-se de nosso sentimento de inadequação. Como se fosse um vírus a tomar conta do corpo sem percebermos, e com a capacidade de penetrar em nosso sistema e enfraquecer a autoestima e o senso de identidade saudável.

As emoções são altamente contagiosas e comunicam-se rapidamente de um corpo para o outro. O papel da vergonha é criar desconforto quando deixamos de cumprir com as normas sociais, que gera o risco de mudança de status no grupo, portanto, pode facilmente desembocar em medo de rejeição. Como seres sociais que se desenvolvem em união, os sentimentos de ineficiência e exclusão desencadeados pela vergonha têm o potencial de comprometer a nossa capacidade de nos conectarmos com o eu de forma autêntica. Um falso senso de identidade é, então, criado para garantir a adesão ao grupo, equilibrar o sentimento de inadequação e restabelecer um senso interno de segurança.

Perceber quando nos sentimos afetados pela vergonha é a chave para protegermos a nossa autoestima e nutrirmos um eu autêntico e autônomo. Você pode alcançar esse objetivo perguntando a si próprio: “Essa vergonha me pertence?” quando se sentir inadequado, inferior, desvalorizado, criticado ou julgado. Assim como a raiva, a vergonha tende a ser projetada de forma disfuncional para que possa ser regulada. Apesar dos danos causados àqueles que são direta ou indiretamente afetados por esse processo, é repetido de maneira altamente inconsciente, prejudicando não apenas a nossa capacidade de nos amarmos e nos aceitarmos, bem como os nossos relacionamentos. Se acredita que a sua vergonha seja incongruente com as crenças de seu eu livre e autoconfiante, devolva-a a quem pertence de fato, movendo as mãos como se estivesse jogando uma bola da vergonha de volta para o dono ou dizendo, silenciosamente e para si próprio, que a vergonha que está sentindo não é sua. Recomendo usar a criatividade para divertir-se com esta prática. Para questionar os pensamentos negativos que desembocam em sentimentos de vergonha, também recomendo preencher um Registro Diário de Pensamentos Disfuncionais durante os períodos de vulnerabilidade.

3 crenças rígidas sobre namoro e relacionamentos prejudiciais à sua vida amorosa

3 crenças rígidas sobre namoro e relacionamentos prejudiciais à sua vida amorosa
Quando sofremos os efeitos de qualquer tipo de trauma do relacionamento, começamos a ver a nós, ao mundo e as outras pessoas através de uma lente demasiado negativa e tendenciosa.

Quem tem um histórico de trauma relacional com frequência enfrenta ou enfrentou dificuldades para ter uma vida amorosa rica e gratificante. Isso ocorre porque o trauma relacional é um dos mais dolorosos e difíceis de superar. Quando sofremos os efeitos de qualquer tipo de trauma do relacionamento, começamos a ver a nós, ao mundo e as outras pessoas através de uma lente demasiado negativa e tendenciosa. O cérebro traumatizado e, portanto, superprotetor, tem o potencial de prejudicar ou mesmo destruir a nossa capacidade de encontrar satisfação na vida por meio dos relacionamentos amorosos. Para ficar ciente a respeito dos pensamentos disfuncionais que podem estar por trás do seu descontentamento, elencam-se 3 crenças rígidas prejudiciais a sua vida amorosa:

1- Preciso me sentir cem por cento confiante e centrado para começar a namorar novamente

Essa é uma das crenças perfeccionistas mais comuns e, embora seja idealista e incoerente com a natureza humana, desemboca em solidão e insatisfação com a vida. Como seres sociais que foram criados para a conexão, o nosso caminho de cura é através desta e não de sua evasão. Ninguém é cem por cento ou perfeito em nada, especialmente quando se trata de relacionamentos. Todos aprendemos juntos e uns com os outros, assim como com o tempo e a experiência.

2- Não posso ser magoado novamente

Se é isso que repete para si próprio quando pensa em namorar novamente, sofre de fobia emocional – ou um grande medo de emoções como a tristeza, raiva e vergonha, por exemplo, além de sentimentos de rejeição e abandono. Somos equipados para lidar com as emoções dolorosas e superar a nossa dor, portanto, sim, você pode suportar a dor, superar um relacionamento que não deu certo e tentar novamente com um match melhor.

3- Se eu quiser me envolver romanticamente de novo, o relacionamento tem que dar certo

Aprendemos, essencialmente, através da experiência e de tentativa e erro, se você se impede de tentar devido ao medo de “falhar” e não ser correspondido, a sua vida amorosa sofrerá como resultado. Como nas esferas profissional e acadêmica, o sucesso em sua vida amorosa requer prática – o que realmente promove o conhecimento e mudança – e não a inércia.

Se se identificou com o exposto, pare de desperdiçar o tempo precioso e comece a questionar os pensamentos negativos prejudiciais a sua vida amorosa. Ao aceitar as imperfeições com coragem e tolerância, todas as suas partes, você se torna emocionalmente maduro e preparado para desenvolver um relacionamento verdadeiro.

O que é um relacionamento disfuncional?

O que é um relacionamento disfuncional
Os relacionamentos disfuncionais são aqueles que não favorecem a verdadeira intimidade, a saúde emocional e o crescimento pessoal

Embora nenhum relacionamento seja perfeito, alguns são mais funcionais do que os outros. Se este princípio corresponde à realidade, o que torna certos relacionamentos menos saudáveis ​​ou mais disfuncionais do que os outros? A resposta está na quantidade, intensidade e frequência dos comportamentos disfuncionais que os moldam e os definem como tais.

Como regra universal, os relacionamentos disfuncionais são aqueles que não favorecem a verdadeira intimidade, a saúde emocional e o crescimento pessoal. Nestes contextos, as necessidades, os desejos, as vulnerabilidades e os sentimentos negativos não são expressos com clareza e autoconfiança por medo de rejeição e abandono. Portanto, o eu autêntico não floresce na presença do outro, mas se refugia atrás de uma fachada de equilíbrio e força criada para atender às expectativas do outro.

Apesar dessas expectativas terem significativa influência na dinâmica e saúde de qualquer relacionamento, na modalidade disfuncional, tendem a ser demasiado altas e irrealistas. Como não são discutidas abertamente, negociadas democraticamente e com um compromisso razoável, não correspondem às diferenças, necessidades e limitações individuais do eu autêntico. A falha em atender os próprios padrões idealizados ou as expectativas do outro culmina em sentimentos de não se considerar bom o suficiente, de não ser competente (medo de cometer erros, não agradar o outro ou “fazer tudo certo”) e indigno de ser amado. A inadequação que permeia tais relacionamentos desemboca, também, em uma tendência de encontrar falhas, culpar o outro e guardar rancores.

Devido à imaturidade, negligência e dependência emocional, as emoções não são processadas de forma autônoma ou através da presença empática com o outro. Como resultado, o comportamento é amplamente motivado por sentimentos inconscientes de medo, vergonha, raiva e ansiedade que exercem grande impacto negativo tanto em nível individual quanto relacional. A falta de apoio emocional adequado e validação, ou da disposição para escutar o outro e implementar mudanças de comportamento, resulta em um crescente ressentimento que faz com que se pareça “explodir por nada”, de tempos em tempos.

Nos relacionamentos disfuncionais, os limites não são claros ou respeitados, assim como o querer e as preferências de, pelo menos, um ou todos os envolvidos. Como os valores e as funções de cada um são rígidos, a dinâmica é altamente desigual e favorece a uma díade dominante/ativo e submisso/passivo, frequentemente mantida de modo inconsciente e baseada em muita negação. Em tais cenários, o relacionamento é usado como uma arma de manipulação e controle. A recusa de se conformar com a dinâmica disfuncional e desempenhar os seus rígidos papéis é seguida por ameaças de abandono, sejam manifestas de forma aberta/verbal ou oculta, através do distanciamento emocional e da agressividade passiva.

Nos casos em que há tentativas de resolver os problemas, a motivação é fraca e tende a definhar rapidamente, portanto, a trajetória dos relacionamentos disfuncionais é marcada por altos e baixos. Enquanto um assume a responsabilidade do bem-estar do relacionamento, o outro se recusa a reconhecer, integralmente, os efeitos de sua atitude, e, com facilidade, retorna aos antigos hábitos de negação, negligência ou resistência à mudança. Como as relações disfuncionais são constituídas por duas unidades altamente independentes que não funcionam de forma cooperativa, também são caracterizadas por sentimentos de impotência, vergonha, descontentamento e isolamento.

Se gostaria de parar de alimentar a dinâmica disfuncional de certo relacionamento, seja com o seu(sua) parceiro(a), parente, amigo(a), colega de trabalho ou chefe, a autoconsciência é fundamental. Embora não seja responsabilidade de ninguém carregar o bem-estar de qualquer relacionamento exclusivamente nas suas costas, abordar a questão de forma proativa e mudar o próprio comportamento possibilitará que se torne um modelo de autoestima e maturidade emocional.

Como tornar-se um modelo de maturidade emocional para o parceiro e os filhos

Como tornar-se um modelo de maturidade emocional
Quando você melhora a conexão com o corpo e as emoções, torna-se um exemplo de integridade e equilíbrio

A forma mais eficiente de influenciar o parceiro e os filhos é tornando-se um modelo de autoestima e maturidade emocional. Quando você melhora a conexão com o corpo e as emoções, torna-se um exemplo de integridade e equilíbrio. Como o que vemos tende a afetar muito mais do que o que ouvimos, a maneira como se trata tem o potencial de afetar, também, o relacionamento de seus filhos e parceiro consigo próprios, bem como os que mantêm com você. Para tornar-se um arquétipo mais saudável, elencam-se quatro simples maneiras de como tornar-se um modelo de maturidade emocional:

Torne-se emocionalmente congruente

Devido a sua intolerância emocional, os indivíduos emocionalmente imaturos precisam reprimir e negar as emoções. Para dar um exemplo de integridade e promover o bem-estar de seus entes queridos, permita-se ser o que sente, já que negar a tristeza ou forçar-se a sorrir, por exemplo, são comportamentos que perpetuam a vergonha e a negligência emocional. Ao contrário do que é defendido pelo senso comum, reprimir a raiva, a tristeza e o medo, ou fingir que não existem não ajuda a nos sentirmos melhor, mas rouba o nosso poder de processá-los de maneira saudável e nos conectarmos com as outras pessoas através da vulnerabilidade. Sentir-se de um jeito e comportar-se do outro passa uma mensagem de inconsistência e autodesprezo, como se os nossos verdadeiros sentimentos fossem inaceitáveis ​​e devessem ser rejeitados.

Fale conscientemente sobre os sentimentos

O simples exercício de dar um nome ao que sentimos ajuda o equilíbrio emocional. Dizer ao parceiro ou filhos “Quando você ____ (comportamento), eu me sinto ____ (sentimentos/emoções)” permite que expresse como se sente e lide com um problema sem parecer agressivo, isto pode ajudar a evitar discussões prologadas e improdutivas. Perceber a ansiedade do parceiro ou dos filhos, por exemplo, e fazer perguntas tais como, “Você parece ansioso, há algo o incomodando?” pode ajudá-los a conectarem-se com os sentimentos e sentirem-se à vontade em compartilhá-los com você. Ao iniciar essas conversas, lembre-se de agir de maneira não julgadora, dar-lhes total atenção e ouvir o que têm a dizer.

Tolere as emoções negativas

A maturidade emocional está intrinsecamente associada à autoaceitação e intimidade. Se tem o hábito de rejeitar as emoções negativas, torna-se impossível aceitar-se e ter um relacionamento íntimo e gratificante com alguém (inclusive consigo próprio). Quando reprime as emoções, seja em si ou nos outros, você negligencia e aliena, pois todas as emoções fazem parte de quem somos e merecem ser honradas. Vale lembrar que as emoções também existem sem um significado aparente, já que ocorrerem livremente é de sua natureza, portanto, resista à tentação de racionalizá-las, aprenda a tolerar o desconforto e permita a sua existência.

Dê apoio emocional

O apoio emocional não é um exercício de solução de problemas. Quando se concentra em uma solução para o que considera como o “problema” (isto é, uma emoção negativa), perde a conexão com a emoção. Logo, no momento que perceber que o parceiro ou os filhos sentem-se afetados pelas emoções negativas, demonstre uma atitude curiosa e receptiva. Resista à inclinação antagônica de dizer que estão bem ou envergonhá-los por sentirem a raiva ou encontrarem-se em um estado de irritabilidade e valide abertamente o que sentem. Para demonstrar a empatia, reflita as suas emoções como se fosse um espelho, fazendo declarações simples com palavras que as descrevem, tais como “Você me parece zangado ou “É normal sentir-se triste“.

Todas as dicas mencionadas exigem coragem e paciência e dependem da sua capacidade de tolerar o desconforto emocional. Para conseguir reproduzir na prática o que leu aqui, não desista nem retorne a antigos hábitos quando se sentir estranho ou inautêntico, mas confie que esses sentimentos mudarão com o tempo. A liberdade e a tolerância emocional são bastante viciantes e, após conseguir introduzi-las na própria vida e começar a desfrutar dos benefícios nas suas saúdes física, emocional e relacional, indagará por que não mudou a atitude antes.

O que fazer e não fazer quando se dá apoio emocional a alguém

O que fazer e não fazer quando se dá apoio emocional a alguém
Dar apoio emocional não é tão simples quanto se imagina

Dar apoio emocional não é tão simples quanto se imagina. Quando reconhecemos que crescemos e nos desenvolvemos em um ambiente de negligência emocional e perfeccionismo, fica claro como a falta de intimidade emocional afeta a nossa capacidade de lidar naturalmente com os sentimentos. O hábito de nos distanciarmos dos sentimentos, especialmente quando negativos, bem como recusar-nos a valorizar a sua sabedoria e a nossa própria vulnerabilidade apenas contribuem para que criemos uma distância ainda maior com os outros e conosco mesmo. Se você quiser mudar esse cenário e se sentir mais conectado, elencam-se 5 dicas para o que fazer e não fazer quando se dá apoio emocional a alguém:

1- Não se concentre em resolver o problema

O conceito de “apoio emocional” é autoexplicativo, ou seja, não se trata de um processo de criação de ideias para se resolver um problema, mas de dar suporte aos sentimentos que nos cercam. A menos que haja um pedido explícito de ajuda, não estamos à procura de conselhos práticos quando falamos sobre as questões que nos preocupam ou incomodam. Vale a pena notar que a vontade de “ajudar” e resolver os problemas ou aflições das outras pessoas, inclusive quando a ajuda não é necessária nem solicitada, está no cerne de um comportamento codependente.

2- Concentre-se nos sentimentos

O apoio emocional vem da sintonia de compreender a necessidade de outra pessoa de ter os sentimentos reconhecidos. Não há nada mais reconfortante quando nos sentimos para baixo, frustrados ou ansiosos, por exemplo, do que ter alguém, ao nosso lado, que respeite a nossa inadequação, validando a maneira como nos sentimos. Quando você diz para alguém que está sofrendo de angústia, “Percebo como isso afeta você”, independente do que esteja acontecendo, ou se concorda com a razão ou a reação emocional da pessoa, você a faz se sentir vista, aceita e compreendida.

3- Direcione o foco da atenção para o outro e não para si mesmo

A nossa complexidade como indivíduo é tamanha que nenhuma experiência é sentida de igual maneira por duas pessoas diferentes. Assim que você começa a falar a respeito de sua experiência, com exemplos de como você lidou com uma questão semelhante à mencionada pela outra pessoa, o foco da conversa volta-se para você. Como mencionado anteriormente, o apoio emocional não se trata de uma análise ou comparação de experiências e, supostamente, do aprendizado que resulta destas, mas de perceber e lidar com os sentimentos.

4- Não antagonize o outro

Antagonizar é contrariar, discordar ou causar aborrecimento a outrem, ou seja, o oposto de “apoiar”. Enquanto uma pessoa emocionalmente congruente e complacente favorece a expressão e o reconhecimento dos sentimentos, seja em si mesmo ou nos outros, uma pessoa antagonista, egoísta ou emocionalmente negligente, no entanto, tem o hábito de ignorá-los, reprimi-los, evitá-los, negá-los ou banalizá-los. Quando você se comporta como esta última, não está oferecendo apoio emocional, mas alienando o outro. Você pode fazer isso de forma bastante automática, involuntária e inconsciente, usando o julgamento e chavões do senso comum, discurso motivacional ou um excesso de psicologia positiva, por exemplo.

5- Seja empático

A empatia é como um espelho, ou a capacidade de sentir, ver e experienciar o que o outro está sentindo, vendo ou vivenciando. Em outras palavras, quando alguém se sente triste, com raiva, com medo ou repugnado, esses são os sentimentos nos quais você se concentra e procura validar. Além disso, você exibe uma atitude empática quando faz o seguinte:

– Escuta o outro

Deixe a pessoa falar e não a interrompa. Não se apresse em providenciar aquele lenço ou copo d’água, mas se concentre primeiro no que a pessoa tem a dizer.

–  Tolera a inadequação

Seja emocionalmente tolerante, permitindo a expressão e fluxo das emoções.

– Concorda com o outro

Coloque-se em seu lugar e tente ver o mundo a partir de sua perspectiva.

– Se não souber o que dizer, sugiro o seguinte:

“Entendo como se sente”

“Deve ter sido difícil para você”

“Eu vejo como isso a angustia”

“Eu também odeio quando isso acontece”

“Entendo. Isso deve ter sido muito chato para você”

 “Sentir-se ansioso é uma merda, não é?”

“Você me parece estar com raiva, o que aconteceu?”

“É horrível quando isso acontece”

“Você deve ter se sentido superdesconfortável”

“Eu entendo que isso não é fácil para você”

“Sinto muito que se sinta assim”

“Eu entendo o seu ponto”

“Isso é triste/horrível/irritante!”

“Eu entendo como isso deve ter afetado você”

“Deve ser um saco sentir-se desta maneira!”

– Dê ao outro um sinal de afeto

Se tem um relacionamento íntimo com a outra pessoa, você também pode oferecer um abraço ou um beijo, desde que já tenha terminado de falar e lidado com os seus sentimentos de inadequação.