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5 sinais que você não respeita os limites das outras pessoas

Impor limites é essencial para aqueles que investem no crescimento e desenvolvimento pessoal. Quando se pensa em limites, associamo-lo a dizer não aos outros, isto serve para mostrar o modo como os limites não são respeitados e o que fazer a respeito. Mas se muitos de nós pensamos desta maneira, quem, então, desrespeita os limites do outro? Poderíamos ser nós, também? Se você acha que se impõe limites fracos, provavelmente tem dificuldade de respeitar os limites das outras pessoas. Para ajudá-lo a ver se incorre nisso, elenca-se 5 sinais que você não respeita os limites das outras pessoas:

5 sinais que você não respeita os limites das outras pessoas
Você tem dificuldade de respeitar os limites das outras pessoas?

1- Você tem certeza dos problemas dos outros: você não reconhece os outros como capazes de gerenciarem as suas próprias vidas e acredita ser aquele que conhece a verdadeira raiz do sofrimento deles. Portanto, despende grande energia psicanalisando-os, enquanto ignora as próprias vulnerabilidades e limitações.

2- Você não aceita quando os outros precisam de distância: você se sente pessoalmente atacado quando os outros não querem a sua companhia. Quando expressam a necessidade de se distanciar, não demonstra interesse pelos motivos, tampouco os leva em consideração.

3- Você se ressente dos outros quando não concordam com você: você sente-se rejeitado e alienado quando não consegue influenciar os outros. Além disso, mantém valores rígidos sobre os relacionamentos e tem dificuldade de aceitar a individualidade e separar-se emocional e psicologicamente das pessoas.

4- Você não aceita as limitações dos outros: você tem altas expectativas em relação aos outros e, quando não são atendidas, sente-se inquieto, desapontado e/ou ressentido, pois tem dificuldade de aceitar as pessoas e as coisas como são e não como deseja que sejam.

5- Você não vê os outros de forma íntegra: as suas opiniões sobre os outros são baseadas em projeções ou em como o fazem se sentir. Você vê os outros apenas em seus sofrimentos e limitações para se sentir empoderado e elevar a sua autoestima, embora tenha dificuldade de separar os sentimentos de insegurança e inadequação da percepção sobre estes.

Os relacionamentos são desafiadores e pouco sabemos sobre eles. Os limites saudáveis, portanto, estão no cerne do que torna os relacionamentos funcionais. Saber se impor limites, no entanto, é uma via de mão dupla: você pode tomar consciência dos seus limites, aprender como expressá-los e obter uma maior sensação de bem-estar nos relacionamentos, mas isso não exclui estar ciente de honrar e respeitar os limites das outras pessoas.

O que é um relacionamento codependente?

O que é um relacionamento codependente?
Os relacionamentos codependentes são marcados pelos limites fracos

Um relacionamento codependente é um relacionamento disfuncional porque não favorece o crescimento nem o desenvolvimento pessoal, portanto, quando a pessoa se encontra em um, sente-se descontente, pois as suas necessidades não são atendidas. Os relacionamentos codependentes não são compostos de heróis e vilões. Aqueles que colocam as necessidades dos outros antes das suas podem ter motivações obscuras que vão além da bondade ilimitada. Os considerados maus ou aqueles que recebem a atenção e a dedicação exageradas e, muitas vezes, a ajuda não solicitada, têm vulnerabilidades que vão além do egoísmo e do egocentrismo. Desta forma, a dinâmica do relacionamento codependente é complexa, sem ser estática e não pode ser totalmente compreendida por meio de termos simplistas.

A principal vulnerabilidade dos envolvidos nos relacionamentos codependentes se baseia nos limites fracos. Embora isso seja facilmente identificável no caso doador, já que a sua dedicação ao outro parece não ter limites, também está presente no receptor. Aqueles que dependem da dedicação e do esforço dos doadores para sentirem-se valorizados e conectados, fazem-no devido à incapacidade de nutrir estes sentimentos de forma autônoma. Quando a pessoa depende de fontes externas para o seu bem-estar, os limites entre ela, os outros e o mundo ao seu redor tornam-se porosos, o que leva a tipos de dependências, tais como a emocional e relacional.

Além disso, os limites fracos estão profundamente ligados a altas expectativas, à má comunicação e ao processo de leitura mental. Como não existe uma separação clara das necessidades individuais, tanto o doador quanto o receptor sentem-se insatisfeitos no relacionamento, o primeiro porque a sua dedicação e seu esforço não são correspondidos pelo receptor, enquanto o segundo sente-se sobrecarregado com a responsabilidade de igualá-los ou preso à dependência deles. Devido ao medo da rejeição e do abandono e à dificuldade de regulação emocional, tanto o doador como o receptor carecem de ferramentas para se expressarem emocionalmente, resolverem conflitos e sentirem-se ouvidos, vistos e percebidos.

Se se encontra em um relacionamento codependente e gostaria de mudar essa dinâmica, dê início a um trabalho interno de amadurecimento emocional. O foco dos indivíduos emocionalmente maduros é aprender a tolerar o desconforto sentido nos próprios corpos, em vez de psicanalisar e consertar os outros. Você pode conseguir isso por meio da autonomia emocional, permitindo-se sentir e processar os sentimentos negativos, tais como a raiva e insegurança, enquanto resiste à tendência de buscar o equilíbrio interior através de validação externa, seja através da dedicação exagerada ao bem-estar alheio ou da dependência desta para se sentir amado e seguro nos relacionamentos.

O mito da boa comunicação nos relacionamentos emocionalmente negligentes

Os relacionamentos amorosos têm grande influência em nosso bem-estar, pois nos afetam mesmo se não estivermos conscientes desse impacto. Neste sentido, os filhos adultos de pais emocionalmente negligentes (narcisistas, imaturos etc.) têm maior probabilidade de não perceberem quando não tem as emoções, necessidades e vontades atendidas pelos parceiros amorosos. Como resultado dessa falta de consciência, abordam os problemas do relacionamento sem saber quais são.

O mito da boa comunicação nos relacionamentos emocionalmente negligentes
A boa comunicação não é a unica característica dos relacionamentos saudáveis

Ressalta-se que a “boa comunicação” é considerada como a característica primordial para vivenciar bons relacionamentos; e é nisso que a maioria das pessoas acredita. De fato, embora a boa comunicação esteja frequentemente presente como uma variável em relacionamentos saudáveis, não é, apenas, isso que os faz funcionar. Existem outros fatores que contribuem para o seu sucesso, tais como o amor, a atração sexual, a intimidade (não somente a física, mas também a emocional), o respeito pela autonomia, entre outros. Nas relações funcionais, existe um esforço consciente e uma vontade de ver, sentir e ouvir o outro. A consciência emocional não está presente apenas em nível individual, mas também orienta a compreensão do indivíduo sobre as necessidades do parceiro.

Eu ouço você, mas não valido as suas necessidades

O esforço consciente para melhorar um relacionamento através de uma comunicação melhor tende ao fracasso nos relacionamentos emocionalmente negligentes se a negligência não for identificada e abordada. Um indivíduo pode aprender como se expressar perfeitamente, como usar as palavras de sentimentos e vinculá-las a comportamentos e pensamentos para ajudar a aumentar a consciência do outro (“quando você _____ (comportamento), eu sinto _____ (sentimento) e penso _____ (pensamento)”) e, ainda assim, não se sentir visto, ouvido ou sentido pelo parceiro. Se não há a intenção ou o esforço real do parceiro de se conectar emocionalmente e validar as necessidades do outro – na prática – a boa comunicação, por si só, não resultará nos benefícios prometidos.

Se você está passando por um momento difícil no seu relacionamento, considere a negligência emocional como um fator provável e reflita sobre o tipo de conexão que você tem consigo próprio e quanta importância dá aos seus sentimentos, desejos e necessidades. Faça o mesmo com os sentimentos, os desejos e as necessidades do parceiro. Aprenda a se expressar, caso sinta que não sabe como fazê-lo; e, além disso, reserve um tempo para entender o parceiro. Acima de tudo, observe o que acontece quando a comunicação vai bem se há mudanças positivas. Se os mesmos problemas continuarem a surgir, e as suas necessidades (ou as do parceiro) permanecerem não atendidas, está na hora de abordar a negligência emocional com mais cuidado e atenção.

5 estratégias para lidar com a negligência emocional dos pais

5 estratégias para lidar com a negligência emocional dos pais
Se se sente inadequado para compartilhar os sentimentos com os pais, isso significa que não são aptos para dar-lhe o apoio emocional que procura.

Os pais emocionalmente negligentes falham em fazer com que os filhos se sintam vistos, sentidos e ouvidos, o que resulta numa necessidade de atenção, validação e apoio, mesmo na idade adulta. Embora tais necessidades sejam razoáveis, a insistência dos filhos adultos dos pais emocionalmente negligentes de que as satisfaçam perpetua a infelicidade e o desapontamento. Se esse comportamento lhe parece familiar, elenca-se 5 estratégias para lidar com a negligência emocional dos pais para ajudá-lo a sair desse ciclo:

1- Acabe com a fantasia da família ideal: apesar de termos sido condicionados a acreditar que a família é a primeira e mais confiável ​​fonte de segurança, amor e apoio, isso é uma fantasia. Embora alguns se sintam seguros e acolhidos ao se conectarem emocionalmente com os pais, outros se sentem ignorados pelos pais egocêntricos e emocionalmente imaturos, o que tem um impacto negativo no seu desenvolvimento emocional. Se cresceu em um ambiente de negligência emocional, manter viva a fantasia da família ideal e a esperança que um dia os pais irão mudar e honrar como se sente é infrutífero.

2- Obtenha o apoio que necessita de pessoas emocionalmente maduras: se se sente invisível, insignificante ou inadequado para compartilhar os sentimentos com os pais, isso significa que não são aptos para dar-lhe o apoio emocional que procura. Quando os sentimentos de esperança tentarem convencê-lo do contrário, não os alimente, fale com um amigo emocionalmente maduro ou, se não possuir um, contrate uma terapeuta.

3- Limites, limites, limites: o que acontece com os seus pais não tem nada a ver com você, na maioria das vezes. A falta de interesse deles por você não significa que seja desinteressante, assim como a dificuldade de se conectarem emocionalmente começou antes do seu nascimento.Portanto, crie um limite bem sólido entre você e eles, permanecendo no próprio corpo e não alimente a narrativa de que é a razão de seu comportamento emocionalmente negligente.

4- Pratique o amor-próprio: como um adulto maduro, você não depende dos pais para se sentir digno de amor, competente e bom o suficiente. Você pode satisfazer essas necessidades através de relacionamentos com coisas e pessoas fora do seu círculo familiar, como amigos, parceiros amorosos, animais de estimação, colegas, vizinhos e até com pessoas aleatórias que lhe demonstram amor, consideração e respeito. Uma rica vida espiritual ou crenças que o ajudam a cultivar a sensação de fazer parte de algo maior do que si próprio também o conferem uma sensação de pertencimento e segurança interior.

5- Pratique a maturidade emocional: quebre o hábito de depender de fatores externos para se sentir melhor consigo próprio e passe a honrar as emoções de forma autônoma. Para lidar com a raiva e a tristeza que carrega como os efeitos do trauma relacional, reserve um tempo para processar a dor. Chorar quando surge a necessidade e expressar a raiva de forma criativa ou por meio de exercício ou atividade física, por exemplo, são meios saudáveis ​​de regular as emoções acumuladas no corpo.

Para aprofundar-se no tema negligência emocional parental e compreender como é vivenciada, recomendo a leitura do capítulo 5 A imaturidade e a negligência emocional das crianças grandes do meu terceiro livro Desconstruíndo a Família Disfuncional.

8 sinais da imaturidade emocional

8 sinais da imaturidade emocional
As pessoas emocionalmente imaturas são ruins em regularem as emoções

É comum as vítimas do trauma do desenvolvimento/da infância acreditarem que “atraem as pessoas erradas”, visto que os relacionamentos familiares não são uma boa referência de conexões que favoreçam o bem-estar e crescimento emocional. Se se identificou com essa vulnerabilidade e necessita de ajuda para quebrar o ciclo dos relacionamentos disfuncionais, seguem 8 sinais da imaturidade emocional:

1- Rigidez mental: os indivíduos emocionalmente imaturos possuem crenças rígidas sobre si próprios, o mundo e as outras pessoas que não evoluem com o tempo. Ademais, o seu pensamento preto e branco não lhes permite enxergarem além do certo ou errado, bom ou ruim, o que desemboca numa baixa tolerância à ambiguidade, a tomar riscos e a cometer erros. Devido à mentalidade inflexível, também não respeitam a individualidade nem honram os limites dos outros.

2- Má regulação emocional: as pessoas emocionalmente imaturas são ruins em regularem as emoções de forma independente. Por negligenciarem a saúde emocional, sofrem com a depressão, ansiedade e/ou raiva acumulada por um longo período. Devido à baixa tolerância ao desconforto, fazem o que consideram melhor para si próprios sem considerar os efeitos disso nos outros ou os benefícios de adiarem a gratificação.

3- Alta subjetividade: os emocionalmente imaturos não cultivam o hábito de se distanciarem da própria percepção para darem lugar às análises e interpretações neutras, pois são movidos por crenças fundamentais rígidas e emoções fortes.

4- Falta de responsabilidade: as pessoas emocionalmente imaturas são altamente motivadas pela vergonha e exibem uma mentalidade de vítima, pois não admitem as suas falhas nem se desculpam por estas.

5- Egocentrismo: as pessoas emocionalmente imaturas precisam se sentir o centro das atenções, portanto, despendem tempo excessivo absorbidos em si próprios e preocupando-se consigo mesmos. Além disso, tem o hábito de usarem-se como referência, exibindo traços narcisistas.

6- Comportamento infantil: os indivíduos emocionalmente imaturos esperam que os outros ajam de forma adulta no seu lugar, portanto, seus parceiros amorosos sentem-se pressionados a fazer o trabalho duro por eles, como confrontar as outras pessoas e tomar as decisões, por exemplo. Por outro lado, os filhos de pais emocionalmente imaturos são forçados a agir como se fossem os pais para se sentirem seguros (inversão de papéis/parentificação).

7- Medo da intimidade: a vulnerabilidade e a conexão emocional desencadeiam insegurança no emocionalmente imaturo. Quando “forçado” a se conectar com o eu interior e as outras pessoas, sente-se inadequado e sobrecarregado e lida com o desconforto mudando de assunto (fuga), desconectando-se/não se envolvendo (congelamento) e/ou de forma agressiva (luta).

8- Baixa empatia: devido à sua rigidez mental, má regulação emocional, alta subjetividade, falta de responsabilidade, egocentrismo e medo da intimidade, as pessoas emocionalmente imaturas são insensíveis aos sentimentos dos outros.

A imaturidade emocional também é um efeito do trauma de desenvolvimento. Se sofreu negligência ou abuso emocional na infância e identificou-se com o dito, buscar tratamento para as feridas do trauma o ajudará a abordar a vida e os relacionamentos com equilíbrio, confiança e maturidade.

4 sinais de estafa relacional (relationship burnout)

estafa relacional
Perder o interesse no outro é um sinal de estafa relacional

Apesar de desembocar em sentimentos de ansiedade, a estafa relacional é um fato real e abrange todos os tipos de relacionamento, seja entre colegas de trabalho, amigos ou, até, entre pais e filhos. Todos somos suscetíveis a isso, mas os codependentes em recuperação, ou aqueles que apresentam dificuldades de honrar os limites, tendem a vivenciá-la com mais frequência. Elenca-se aqui 4 sinais de estafa relacional para você conhecer os seus efeitos no comportamento:

Você se sente exausto: o relacionamento tornou-se muito intenso e/ou unilateral. Você se sente esgotado por passar muito tempo com a outra pessoa, mesmo quando esta não se sente da mesma forma, o que também desemboca em uma sensação de sobrecarga, especialmente quando os limites não são respeitados. Você se sente culpado quando diz não, mas mantém a obrigação de priorizar as necessidades do outro.

Você perdeu o interesse: você tem dificuldade de se conectar com a outra pessoa de uma maneira prazerosa, significativa ou recompensadora, visto que os seus valores, ideias e interesses mudaram e não se alinham mais com os da outra pessoa. Você começa a dar desculpas para não vê-la ou despende grande tempo preocupando-se em encontrar razões “boas o suficiente” para não encontrá-la.

Você superou o relacionamento: você cresceu e se desenvolveu como pessoa, mas a outra pessoa, não. Como a versão atual sua não favorece a dinâmica relacional, sente-se pressionado a agir de forma inautêntica para preservar a conexão.

Você se sente impotente: como você mudou, mas a dinâmica do relacionamento não, você se sente pessimista sobre o futuro do relacionamento. Você considera a possibilidade de contar como se sente para a outra pessoa, mas fica desesperançado diante de uma mudança real. Como resultado, passa a fantasiar sobre reduzir ou, até mesmo, cortar o contato.

Se se identificou com o relatado, é um bom momento para reavaliar o relacionamento. Embora a conexão com as outras pessoas promova o engajamento com a vida, os relacionamentos disfuncionais nos fazem sentir desconectados do nosso verdadeiro eu. Considere dar uma pausa no relacionamento se parece exigir-lhe demasiada energia e sacrifício. Lembre-se de que tem o direito de mudar de preferências e levar uma vida tranquila.