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Artigos para melhorar a sua qualidade de vida

4 sinais de estafa relacional (relationship burnout)

estafa relacional
Perder o interesse no outro é um sinal de estafa relacional

Apesar de desembocar em sentimentos de ansiedade, a estafa relacional é um fato real e abrange todos os tipos de relacionamento, seja entre colegas de trabalho, amigos ou, até, entre pais e filhos. Todos somos suscetíveis a isso, mas os codependentes em recuperação, ou aqueles que apresentam dificuldades de honrar os limites, tendem a vivenciá-la com mais frequência. Elenca-se aqui 4 sinais de estafa relacional para você conhecer os seus efeitos no comportamento:

Você se sente exausto: o relacionamento tornou-se muito intenso e/ou unilateral. Você se sente esgotado por passar muito tempo com a outra pessoa, mesmo quando esta não se sente da mesma forma, o que também desemboca em uma sensação de sobrecarga, especialmente quando os limites não são respeitados. Você se sente culpado quando diz não, mas mantém a obrigação de priorizar as necessidades do outro.

Você perdeu o interesse: você tem dificuldade de se conectar com a outra pessoa de uma maneira prazerosa, significativa ou recompensadora, visto que os seus valores, ideias e interesses mudaram e não se alinham mais com os da outra pessoa. Você começa a dar desculpas para não vê-la ou despende grande tempo preocupando-se em encontrar razões “boas o suficiente” para não encontrá-la.

Você superou o relacionamento: você cresceu e se desenvolveu como pessoa, mas a outra pessoa, não. Como a versão atual sua não favorece a dinâmica relacional, sente-se pressionado a agir de forma inautêntica para preservar a conexão.

Você se sente impotente: como você mudou, mas a dinâmica do relacionamento não, você se sente pessimista sobre o futuro do relacionamento. Você considera a possibilidade de contar como se sente para a outra pessoa, mas fica desesperançado diante de uma mudança real. Como resultado, passa a fantasiar sobre reduzir ou, até mesmo, cortar o contato.

Se se identificou com o relatado, é um bom momento para reavaliar o relacionamento. Embora a conexão com as outras pessoas promova o engajamento com a vida, os relacionamentos disfuncionais nos fazem sentir desconectados do nosso verdadeiro eu. Considere dar uma pausa no relacionamento se parece exigir-lhe demasiada energia e sacrifício. Lembre-se de que tem o direito de mudar de preferências e levar uma vida tranquila.

O que fazer para ser feliz (mesmo vindo de uma família tóxica)

O que fazer para ser feliz (mesmo vindo de uma família tóxica)
Qual é o caminho para a felicidade?

Qual é a importância da felicidade na sua vida? Você a considera quando toma decisões importantes ou tende a esquecê-la, pois se sente sobrecarregado com tanto caos e drama familiar? Se provém de uma família tóxica e é/foi vítima de abuso emocional, é comum apresentar uma tendência de negligenciar a própria felicidade para garantir um senso de (falsa) harmonia com os pais e irmãos, como quando se sente culpado por ter vontades, emoções e opiniões próprias e as sacrifica para não os aborrecer, ser rejeitado e, consequentemente, alienado do grupo, por exemplo. Naturalmente, revela-se como um desafio concentrar-se no que o faz feliz quando a atenção é constantemente divergida para os desentendimentos e a insegurança que causam.

Em Happiness by Design, o professor de ciência do comportamento da London School of Economics Paul Dolan propõe que, para vivermos uma vida feliz, precisamos direcionar a atenção para o que nos faz felizes e não para o que achamos que deva nos fazer felizes. As pesquisas de Dolan expuseram a grande diferença na perspectiva dos dois tipos de “eu”, the experiencing self (o eu que vivencia) e the remembering self (o eu que lembra) e como a nossa confiança no segundo não favorece a nossa felicidade (Dolan, 2014). O autor conclui que, para sermos felizes, precisamos conectar com as experiências no momento em que ocorrem para estabelecermos se nos afetam de forma positiva ou negativa, já que a informação proveniente destas é muito mais acurada do que a das lembranças que criamos.

Portanto, os filhos e filhas de mães narcisistas/abusivas/tóxicas que valorizam a felicidade e querem vivenciá-la na prática precisam atentar para o seguinte:

  • Seja cauteloso ao que dá atenção e com o tempo dispensado. Opte por dedicar-se a atividades e pessoas que o fazem – de fato – sentir-se bem, ou seja, leve, alegre, curioso, energético e animado, enquanto reduz a frequência ou corta o contato com aquelas que produzem o efeito oposto.
  • Não confie em versões de fatos que minimizam o efeito negativo que certas pessoas e circunstâncias provoca em você.
  • Honre o corpo de forma honesta e autêntica seguindo os valores que o favorecem, da cabeça aos pés, tolerando o desconforto que isso causa como um investimento na felicidade a longo prazo.

Embora a pressão cultural de negligenciar a própria felicidade para concentrar-se nas vontades dos pais seja defendida como correta, isso causa infelicidade a muitos. Contudo, é possível desvencilhar-se desta mentalidade medíocre e viver uma vida repleta de felicidade. Se precisa de ajuda para reavaliar os valores que o fazem se sentir preso aos relacionamentos disfuncionais, recomendo a leitura do meu novo livro, Desconstruindo a Família Disfuncional. O Prisioneiras do Espelho, Um Guia de Liberdade Pessoal para Filhas de Mães Narcisistas contém dicas práticas de como colocar-se em primeiro lugar, como através do corte de contato com a mãe narcisista/tóxica/abusiva.

Referência:

Dolan, P. (2014). Happiness by design: change what you do, not how you think. New York, New York: Hudson Street Press.

Afirmações para aqueles momentos de raiva aleatória e ódio injustificado

Afirmações para aqueles momentos de raiva aleatória e ódio injustificado
A raiva sem um gatilho conhecido faz com que nos sintamos ainda mais irritados

A raiva, como a maioria das emoções negativas, não é tolerada na nossa cultura de negligência emocional. Embora seja humano e até saudável sentir raiva, temos dificuldade de aceitá-la. A intolerância à raiva é ainda maior quando não conseguimos conectá-la a eventos específicos de nossas vidas. Portanto, a raiva sem um gatilho conhecido faz com que nos sintamos impotentes, perdidos, culpados, envergonhados, desesperançosos e, por vezes, ainda mais irritados! Para ajudá-lo a equilibrar-se nos momentos de raiva aleatória e ódio injustificado, leia as seguintes afirmações em voz alta ou silenciosamente:

O que eu sinto é normal

Eu sou normal

Eu sou forte o suficiente para tolerar a minha raiva

Eu permaneço íntegro mesmo quando não entendo a razão da minha raiva

Não há nada de errado em sentir raiva mesmo quando parece sem contexto

Essa raiva vai passar porque as emoções vêm e vão

Estou ciente da minha raiva e não culpo os outros por isso

Estou ciente da minha raiva e não me culpo por isso

Eu respeito as minhas emoções mesmo em momentos desagradáveis

Eu honro todas as partes existentes em mim

Eu aceito o fato de que os meus sentimentos não precisam de razões para existir

Sinto-me seguro em minha raiva

Eu posso confiar em mim, mesmo quando sinto intensa raiva

Eu respeito e amo o meu corpo, independente do meu estado emocional

Eu dispenso o autojulgamento tóxico em momentos de raiva

Tenho consciência dos meus estados emocionais

Eu consigo perceber a minha raiva, mas sem me envolver totalmente com ela

Sinto-me mais forte e resiliente quando aprendo com a minha raiva

Eu sou mais do que a minha raiva

Eu sou amado mesmo quando estou com raiva

Eu consigo superar a minha raiva

A melhor maneira de lidar com a raiva é por meio da aceitação. Quando notar que a raiva não desaparece facilmente ou parece não ter uma razão óbvia para existir, consciente e proativamente, abandone a necessidade de controlá-la. Faça uma pausa na sua lista de tarefas e seja gentil consigo. Se sentir uma necessidade ardente de ser produtivo, mesmo em estado de raiva, faça um exercício brusco, como corrida, ou canalize a energia da raiva para algo positivo, como aprender a lidar com ela de forma autônoma.

Psicologia nutricional: o que você come afeta a sua saúde mental

Psicologia nutricional o que você come afeta a sua saúde mental
As nossas escolhas alimentares têm um efeito direto na cognição

As nossas escolhas alimentares têm um efeito direto na cognição, em como nos sentimos e nos comportamos. Graças ao grande número de pesquisas na excitante nova área da Psicologia da Nutrição, a relação intrínseca entre a nutrição e a ocorrência de doenças mentais recebeu a exposição merecida. Atualmente, podemos afirmar que a nutrição não é apenas um fator contribuinte para o desenvolvimento de certas doenças mentais, mas também se revela como um importante auxílio para a prevenção e, até, o tratamento delas.

Em seu livro This is your brain on food, a Dra. Naidoo (2020), psiquiatra nutricional da Harvard Medical School, lista bolos, doces, refrigerantes e outros produtos adoçados com açúcar ou xarope de alta frutose; pão branco, arroz branco, batatas, massas e outros produtos feitos de farinha refinada; aspartame; batata frita, frango frito, frutos do mar fritos ou demais frituras seja em óleo, ou margarina; o bacon, o salame, a salsicha e a outras carnes curadas como alimentos que nos deixam infelizes e ansiosos. Aqueles que sofrem de depressão e ansiedade, portanto, devem comer alimentos ricos em fibras e fermentados, pare desfrutarem dos efeitos positivos e calmantes no humor.

O que você come também interfere com o sono. Enquanto a cafeína e o álcool afetam-no negativamente, os alimentos que contêm melatonina, como ovos, peixe, leite, arroz, frutas, nozes, sementes e vegetais, tais como: aspargos, tomates, brócolis e pepino ajudam a melhorá-lo.

Para combater a fadiga, a Dra. Naidoo recomenda a ingestão de alimentos ricos em ômega 3, magnésio, zinco, vitaminas B 1, 6, 9 e 12, C, D e E, além de vegetais coloridos e especiarias, tais como: o açafrão e o cominho preto.

Tanto a Dra. Naidoo como a psicóloga clínica e a pesquisadora Julia Rucklidge (2017) concordam que a dieta ocidental tem um efeito prejudicial para a saúde mental. Trata-se de uma dieta rica em gorduras ruins, carboidratos de alto índice glicêmico (IG) e glúten; e está fortemente ligada à expressão de uma variedade de problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade, TDAH e, até, esquizofrenia, além dos de memória e da diminuição da libido.

A conexão mente-intestino não pode mais ser ignorada pelos envolvidos nas práticas de bem-estar físico e mental/emocional. Para quem gostaria de melhorar a saúde mental, mas tem dificuldade de mudar os hábitos alimentares, recomendo buscar o aconselhamento psicológico e nutricional para facilitar o alcance deste objetivo através de uma abordagem mais holística e eficaz.

Referências:

Jacka, F.N., O’Neil, A., Opie, R. et al. A randomised controlled trial of dietary improvement for adults with major depression (the ‘SMILES’ trial). BMC Med 15, 23 (2017). https://doi.org/10.1186/s12916-017-0791-y

Naidoo, U. (2020). This is your brain on food. Hachette Book Group: NY, New York.

Palavras como armas: os efeitos crônicos do abuso verbal na infância

Se você anda por aí dizendo, “Paus e pedras podem quebrar os meus ossos, mas as palavras não me machucam” está na hora de reavaliar essa crença. A neurocientista Lisa Feldman Barrett explica em seu brilhante livro Seven and a Half Lessons About the Brain que a exposição ao abuso verbal durante um longo período produz efeitos prejudiciais significativos que vão além da baixa autoestima. Visto que as regiões do cérebro que processam a linguagem também controlam o interior do corpo, o abuso verbal também afeta o ritmo cardíaco, os níveis de glicose e o fluxo de substâncias químicas que sustentam o sistema imunológico. Assim como as palavras gentis ​​fazem-nos sentir amados, mais calmos e fortes; as agressivas têm o poder de prejudicar a saúde física.

As palavras, então, são ferramentas que regulam os corpos humanos. As palavras das outras pessoas têm um efeito direto na sua atividade cerebral e nos seus sistemas corporais, e as suas palavras têm o mesmo efeito nas outras pessoas. Se você tem ou não a intenção de afetá-las desta forma, isso é irrelevante. Fomos programados desta forma.

Lisa Feldman Barrett, 2020

Quando os indivíduos abusivos usam as palavras como armas para maltratar, manipular e controlar os outros, as suas vítimas também se tornam mais vulneráveis ​​à ansiedade, depressão, raiva, disfunção imunológica e a demais disfunções metabólicas, bem como aos distúrbios de humor quando se tornam jovens adultos. Diante de tais fatos, a conexão entre o abuso verbal e as doenças da mente e do corpo não deve mais ser menosprezada ou ignorada.

Palavras como armas os efeitos crônicos do abuso verbal na infância
Exposição ao abuso verbal pode prejudicar a sua saúde física

Embora o exposto seja concernente àqueles que trabalham na área de saúde mental, o que Barrett e outros neurocientistas demonstraram através de extensa pesquisa sobre os efeitos do abuso emocional e verbal não me surpreende. Como conselheira do trauma especializada no trauma de infância/desenvolvimento, tive vários clientes que cresceram em ambientes familiares altamente disfuncionais, e, atualmente, sofrem de, pelo menos, uma doença crônica ou vulnerabilidade física como as mencionadas. Curiosamente, seu início é percebido, em sua maioria, no final da adolescência ou na idade adulta, quando o corpo é submetido ao estresse crônico durante o desenvolvimento. Portanto, há grande probabilidade disso ter um efeito negativo nos sistemas imunológico, respiratório, digestivo, nervoso, endócrino e cardiovascular.

Chegou a hora da nossa cultura parar de normalizar o abuso verbal, seja na forma oral ou escrita. Se foi testemunha ou sofreu abuso verbal, lembre-se de como é tóxico para todos os envolvidos, e tome as medidas necessárias para impedir a sua perpetuação. Você pode fazer isso de modo autônomo, reavaliando as próprias crenças rígidas sobre a agressão verbal, as emoções negativas e vulnerabilidades, tais como, “Se eu deixar isso me afetar, significa que sou fraco”, por exemplo, comece a honrar como se sente com tolerância. Seja saindo da sua zona de conforto através do investimento proativo nos comportamentos assertivos ou participando abertamente de debates relacionados a abuso, pois ajudará a mudar não apenas a própria maneira de pensar, mas também a consciência coletiva.

 

Referência:

Barrett, L. F. (2020). Seven and a half lessons about the brain. Picador: London, UK.

 

A validação inatingível: quando desistir de tentar sentir-se visto, percebido e ouvido pelos pais

A validação inatingível: quando desistir de tentar sentir-se visto, percebido e ouvido pelos pais
Está na hora de desistir de tentar sentir-se visto, percebido e ouvido pelos pais?

A negligência emocional – apesar de ser mais comumente vivenciada do que os abusos verbal, emocional, físico e sexual – tem efeitos prejudiciais e duradouros no desenvolvimento. Embora incompreendida, mas recorrente na narrativa daqueles que cresceram em famílias disfuncionais e tóxicas, a negligência emocional é uma assassina silenciosa e real de autoestima. De forma compreensível, torna-se difícil nutrir amor e respeito por si próprio quando as emoções não são reconhecidas com a importância devida. Como é possível criar um senso de identidade confiável, quando o que vivenciamos nos corpos é consistentemente ignorado, negado e descartado por quem, supostamente, é visto como modelo de maturidade, congruência, autonomia e inteligência (emocionais)?

Quando se é submetido a uma cultura familiar de negligência emocional, a falha de conectar-se com os outros gera um vazio que é fortemente sentido no corpo, além de produzir um efeito de peso, solidão e alienação em quem o carrega. Alguns se sentem dormentes e sob os efeitos da dissociação, como se habitassem um corpo ou vivessem uma vida que não lhes pertencessem. Buscamos uma sensação de integridade para sermos capazes de desfrutar da felicidade e os que sofreram negligência emocional são particularmente propensos a confiar em fatores externos, como a aprovação e o reconhecimento dos outros, para se sentirem bem em relação a si próprios. Mesmo quando os pais são incapazes de ampará-los, continuam a buscar-lhes apoio e validação de forma exaustiva e, por vezes, obsessiva.

Então, como saber quando chegou a hora de dar um “basta!” a essa tendência? Em que ponto pode-se afirmar – com segurança – que os pais são realmente incapazes ou não têm desejo nenhum de validar o seu sofrimento?

Em Burnout (2019), as irmãs Nagoski recomendam as seguintes perguntas para determinar o valor de uma meta ou objetivo (meus comentários estão em parênteses):

Quais são os benefícios de continuar? (Existe uma probabilidade realista de seus pais reconhecerem o comportamento negligente de forma genuína? Qual é a probabilidade de sentir-se melhor ao continuar buscando esse reconhecimento?)

Quais são os benefícios de parar? (Que efeito deixar de perseguir a validação de seus pais teria na sua saúde mental/emocional? Qual é a probabilidade de sentir-se melhor ao abandonar esse hábito?)

Quais são os custos de continuar? (Que efeitos sentir-se invisível e sem importância, repetidamente, podem ocorrer em sua autoestima? Que influência isso continuaria a exercer na sua autoconfiança, também em outros contextos relacionais?)

Quais são os custos de parar? (Como sentir-se-ia ao parar de tentar se conectar emocionalmente com os seus pais? Quanto confia na sua capacidade de processar e aceitar essa perda de conexão?)

Embora a ideia de não contar com os pais como fonte de verdadeiro apoio e conexão emocional desperte grande tristeza a curto prazo, é superprodutivo processar essa perda como um investimento para a felicidade autêntica a longo prazo. Após desistir de consertar os relacionamentos disfuncionais e tóxicos, terá mais liberdade para se concentrar nos relacionamentos gratificantes e satisfatórios.

Referência:

Nagoski, E. & A (2019). Burnout. Solve Your Stress Cycle. Penguin Random House: London, UK