Dificuldade para estabelecer limites? Comece a meditar.
Embora concordemos que os limites são fundamentais para o bem-estar psicológico e emocional, poucos de nós sabemos como estabelecê-los de maneira saudável. Isso ocorre porque estabelecer limites, para os inexperientes, tende a desencadear sentimentos de medo, de abandono e/ou rejeição, bem como de culpa e vergonha. Portanto, como um comportamento que nos favorece faz com que nos sintamos mal? A resposta é simples: a natureza configurou o cérebro para estabelecer uma conexão com outros seres humanos, o que permitiu nos desenvolvermos como espécie, mas a um custo emocional e psicológico.

Criado para a conexão, embora tenha sentimentos de medo, vergonha e culpa
A natureza nos ensinou que, para termos uma melhor chance de sobrevivência, devemos cultivar as conexões sociais, já que somos mais fortes em números e quando podemos contar com a ajuda das outras pessoas. Por outro lado, quando estamos sozinhos, tornamo-nos vulneráveis e mais suscetíveis à extinção. Portanto, a prioridade da natureza é manter-nos vivos e em grupos, independente do impacto emocional que isso tenha sobre nós como indivíduos.
Embora a natureza priorize a sobrevivência, ignora outros fatores que nos conferem o bem-estar. Quando aprendemos a estabelecer limites, sentimo-nos culpados por dizer não aos outros e envergonhados por priorizar as nossas necessidades. Além disso, sentimos medo de não sermos mais incluídos no grupo, justamente porque estabelecemos um limite! Isso acontece porque o cérebro age de forma tendenciosa para manter o aspecto social e a sobrevivência. Cabe a nós, como seres humanos evoluídos, contudo, ver além desta tendência e estabelecer limites, até mesmo de nossa própria natureza.
Usando o córtex pré-frontal (CPF) para moderar o comportamento social
O córtex pré-frontal é a área mais externa e evoluída do cérebro. Conforme Kolk e Rakic (2022), “o córtex pré-frontal (CPF) é considerado o substrato das funções cognitivas superiores”, que incluem tomar decisões, controlar o estresse, ser flexível e superar o medo. Por esse motivo, quem pretende ter limites bem estabelecidos deve se dedicar a esta área do cérebro para fortalecê-la. Embora estabelecer limites possa desencadear medo, vergonha e culpa em alguns, aqueles que têm controle sobre os próprios impulsos são capazes de superar o medo de forma autônoma.
A meditação para fortalecer o córtex pré-frontal (e os bons limites)
Vários estudos comprovaram que a meditação promove mudanças na atividade cerebral (vide referências). Lazar et al. (2005), em suas descobertas, mostraram que “as regiões cerebrais associadas à atenção, intercepção e ao processamento sensorial eram mais espessas nos participantes da meditação do que nos controles correspondentes”. A prática da meditação, ao engrossar as áreas corticais, fortalece o CPF que, por sua vez, favorece a capacidade de planejar, cumprir metas e ter autocontrole. Neste sentido, o autocontrole representa um elemento-chave para resistir os sentimentos de medo, vergonha e culpa desencadeados pelo ato de estabelecer limites. Assim sendo, precisamos de um CPF forte para criar e respeitar os nossos limites.
Se estiver interessado em aprender como praticar a meditação para preparar o cérebro para estabelecer limites, recomendo o atemporal Atenção plena (Mindfulness): Como encontrar a paz em um mundo frenético.
Referências:






