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O que é um relacionamento disfuncional?

O que é um relacionamento disfuncional
Os relacionamentos disfuncionais são aqueles que não favorecem a verdadeira intimidade, a saúde emocional e o crescimento pessoal

Embora nenhum relacionamento seja perfeito, alguns são mais funcionais do que os outros. Se este princípio corresponde à realidade, o que torna certos relacionamentos menos saudáveis ​​ou mais disfuncionais do que os outros? A resposta está na quantidade, intensidade e frequência dos comportamentos disfuncionais que os moldam e os definem como tais.

Como regra universal, os relacionamentos disfuncionais são aqueles que não favorecem a verdadeira intimidade, a saúde emocional e o crescimento pessoal. Nestes contextos, as necessidades, os desejos, as vulnerabilidades e os sentimentos negativos não são expressos com clareza e autoconfiança por medo de rejeição e abandono. Portanto, o eu autêntico não floresce na presença do outro, mas se refugia atrás de uma fachada de equilíbrio e força criada para atender às expectativas do outro.

Apesar dessas expectativas terem significativa influência na dinâmica e saúde de qualquer relacionamento, na modalidade disfuncional, tendem a ser demasiado altas e irrealistas. Como não são discutidas abertamente, negociadas democraticamente e com um compromisso razoável, não correspondem às diferenças, necessidades e limitações individuais do eu autêntico. A falha em atender os próprios padrões idealizados ou as expectativas do outro culmina em sentimentos de não se considerar bom o suficiente, de não ser competente (medo de cometer erros, não agradar o outro ou “fazer tudo certo”) e indigno de ser amado. A inadequação que permeia tais relacionamentos desemboca, também, em uma tendência de encontrar falhas, culpar o outro e guardar rancores.

Devido à imaturidade, negligência e dependência emocional, as emoções não são processadas de forma autônoma ou através da presença empática com o outro. Como resultado, o comportamento é amplamente motivado por sentimentos inconscientes de medo, vergonha, raiva e ansiedade que exercem grande impacto negativo tanto em nível individual quanto relacional. A falta de apoio emocional adequado e validação, ou da disposição para escutar o outro e implementar mudanças de comportamento, resulta em um crescente ressentimento que faz com que se pareça “explodir por nada”, de tempos em tempos.

Nos relacionamentos disfuncionais, os limites não são claros ou respeitados, assim como o querer e as preferências de, pelo menos, um ou todos os envolvidos. Como os valores e as funções de cada um são rígidos, a dinâmica é altamente desigual e favorece a uma díade dominante/ativo e submisso/passivo, frequentemente mantida de modo inconsciente e baseada em muita negação. Em tais cenários, o relacionamento é usado como uma arma de manipulação e controle. A recusa de se conformar com a dinâmica disfuncional e desempenhar os seus rígidos papéis é seguida por ameaças de abandono, sejam manifestas de forma aberta/verbal ou oculta, através do distanciamento emocional e da agressividade passiva.

Nos casos em que há tentativas de resolver os problemas, a motivação é fraca e tende a definhar rapidamente, portanto, a trajetória dos relacionamentos disfuncionais é marcada por altos e baixos. Enquanto um assume a responsabilidade do bem-estar do relacionamento, o outro se recusa a reconhecer, integralmente, os efeitos de sua atitude, e, com facilidade, retorna aos antigos hábitos de negação, negligência ou resistência à mudança. Como as relações disfuncionais são constituídas por duas unidades altamente independentes que não funcionam de forma cooperativa, também são caracterizadas por sentimentos de impotência, vergonha, descontentamento e isolamento.

Se gostaria de parar de alimentar a dinâmica disfuncional de certo relacionamento, seja com o seu(sua) parceiro(a), parente, amigo(a), colega de trabalho ou chefe, a autoconsciência é fundamental. Embora não seja responsabilidade de ninguém carregar o bem-estar de qualquer relacionamento exclusivamente nas suas costas, abordar a questão de forma proativa e mudar o próprio comportamento possibilitará que se torne um modelo de autoestima e maturidade emocional.

Como tornar-se um modelo de maturidade emocional para o parceiro e os filhos

Como tornar-se um modelo de maturidade emocional
Quando você melhora a conexão com o corpo e as emoções, torna-se um exemplo de integridade e equilíbrio

A forma mais eficiente de influenciar o parceiro e os filhos é tornando-se um modelo de autoestima e maturidade emocional. Quando você melhora a conexão com o corpo e as emoções, torna-se um exemplo de integridade e equilíbrio. Como o que vemos tende a afetar muito mais do que o que ouvimos, a maneira como se trata tem o potencial de afetar, também, o relacionamento de seus filhos e parceiro consigo próprios, bem como os que mantêm com você. Para tornar-se um arquétipo mais saudável, elencam-se quatro simples maneiras de como tornar-se um modelo de maturidade emocional:

Torne-se emocionalmente congruente

Devido a sua intolerância emocional, os indivíduos emocionalmente imaturos precisam reprimir e negar as emoções. Para dar um exemplo de integridade e promover o bem-estar de seus entes queridos, permita-se ser o que sente, já que negar a tristeza ou forçar-se a sorrir, por exemplo, são comportamentos que perpetuam a vergonha e a negligência emocional. Ao contrário do que é defendido pelo senso comum, reprimir a raiva, a tristeza e o medo, ou fingir que não existem não ajuda a nos sentirmos melhor, mas rouba o nosso poder de processá-los de maneira saudável e nos conectarmos com as outras pessoas através da vulnerabilidade. Sentir-se de um jeito e comportar-se do outro passa uma mensagem de inconsistência e autodesprezo, como se os nossos verdadeiros sentimentos fossem inaceitáveis ​​e devessem ser rejeitados.

Fale conscientemente sobre os sentimentos

O simples exercício de dar um nome ao que sentimos ajuda o equilíbrio emocional. Dizer ao parceiro ou filhos “Quando você ____ (comportamento), eu me sinto ____ (sentimentos/emoções)” permite que expresse como se sente e lide com um problema sem parecer agressivo, isto pode ajudar a evitar discussões prologadas e improdutivas. Perceber a ansiedade do parceiro ou dos filhos, por exemplo, e fazer perguntas tais como, “Você parece ansioso, há algo o incomodando?” pode ajudá-los a conectarem-se com os sentimentos e sentirem-se à vontade em compartilhá-los com você. Ao iniciar essas conversas, lembre-se de agir de maneira não julgadora, dar-lhes total atenção e ouvir o que têm a dizer.

Tolere as emoções negativas

A maturidade emocional está intrinsecamente associada à autoaceitação e intimidade. Se tem o hábito de rejeitar as emoções negativas, torna-se impossível aceitar-se e ter um relacionamento íntimo e gratificante com alguém (inclusive consigo próprio). Quando reprime as emoções, seja em si ou nos outros, você negligencia e aliena, pois todas as emoções fazem parte de quem somos e merecem ser honradas. Vale lembrar que as emoções também existem sem um significado aparente, já que ocorrerem livremente é de sua natureza, portanto, resista à tentação de racionalizá-las, aprenda a tolerar o desconforto e permita a sua existência.

Dê apoio emocional

O apoio emocional não é um exercício de solução de problemas. Quando se concentra em uma solução para o que considera como o “problema” (isto é, uma emoção negativa), perde a conexão com a emoção. Logo, no momento que perceber que o parceiro ou os filhos sentem-se afetados pelas emoções negativas, demonstre uma atitude curiosa e receptiva. Resista à inclinação antagônica de dizer que estão bem ou envergonhá-los por sentirem a raiva ou encontrarem-se em um estado de irritabilidade e valide abertamente o que sentem. Para demonstrar a empatia, reflita as suas emoções como se fosse um espelho, fazendo declarações simples com palavras que as descrevem, tais como “Você me parece zangado ou “É normal sentir-se triste“.

Todas as dicas mencionadas exigem coragem e paciência e dependem da sua capacidade de tolerar o desconforto emocional. Para conseguir reproduzir na prática o que leu aqui, não desista nem retorne a antigos hábitos quando se sentir estranho ou inautêntico, mas confie que esses sentimentos mudarão com o tempo. A liberdade e a tolerância emocional são bastante viciantes e, após conseguir introduzi-las na própria vida e começar a desfrutar dos benefícios nas suas saúdes física, emocional e relacional, indagará por que não mudou a atitude antes.

O perfeccionismo além do estereótipo

O perfeccionismo além do estereótipo
Você não precisa se esforçar loucamente para reproduzir padrões altos em tudo o que faz para ter um problema de perfeccionismo

Embora o perfeccionismo tenda a ser concebido de uma forma polarizada, o seu escopo vai muito além de concentrar-se em um padrão alto de qualidade. Por sermos indivíduos de natureza complexa, o próprio significado de “alto padrão” varia de pessoa para pessoa. Antes de me tornar uma vegana, costumava fazer uma pizza vegetariana semanalmente. Para garantir que ficasse saborosa, tinha de conter 150g de queijo cheddar, o equivalente a uma embalagem do meu supermercado local, esse era, portanto, o meu padrão. Quando eu me animava a fazer uma pizza, mas descobria que tinha menos de 150g no pacote da geladeira, ficava extremamente desapontada, não a fazia ou ia direto ao supermercado para adquirir um novo pacote. Depois de tentar restringir o meu consumo de queijo e ter percebido que poderia “infringir” a minha própria regra e reduzir a quantidade, fiquei surpresa ao me dar conta de que o sabor da minha pizza ficava tão bom quanto antes! Como uma perfeccionista, a minha experiência havia sido limitada por uma regra rígida e causadora de estresse que poderia ser facilmente evitado através de uma pequena mudança de perspectiva.

Você não precisa se esforçar loucamente para reproduzir padrões altos em tudo o que faz. Como qualquer vulnerabilidade, o perfeccionismo se ajusta a visões e valores pessoais, sejam eles quais forem. Você pode ser um hippie, um acadêmico ou um jogador de futebol e ainda assim agir de maneira perfeccionista. Desde que se comporte como um escravo de regras rígidas, nas quais acredita refletirem um padrão alto ou objetivo para agir de forma perfeccionista. É importante destacar o significado da perspectiva individual para o perfeccionismo, pois assim como “a beleza está nos olhos de quem vê”, o perfeccionismo está no cérebro de quem tem baixa autoestima. Se você valoriza a aparência física e acha uma aparência esportiva charmosa, pode se tornar um perfeccionista e investir tempo e dinheiro para reproduzir, fielmente, este estilo. Você pode morar em uma casa desorganizada e suja, o que reflete a sua falta de cuidado, e isso não o incomodar nem um pouco comparado a quanto se preocupa em parecer atraente do lado de fora para se sentir bom o suficiente por dentro. Quando precisa de um colchão novo para ajudar a aliviar a dor nas costas, mas está de olho naqueles tênis da moda que custa uma fortuna, esquece-se do problema ao se imaginar andando com os tênis novos, sentindo-se bem e bonito enquanto recebe elogios e a atenção das outras pessoas.

O perfeccionismo compreende a manutenção de condições inflexíveis de valor que – apesar de nunca terem sido testadas – têm significado em nível individual e devem ser mantidas a todo custo. Portanto, se possui padrões de qualidade que permanecem constantes ao longo do tempo e não se adaptam às mudanças na sua pessoa e vida, pode confiar que o perfeccionismo é uma das principais razões pelas quais tem dificuldade de se sentir equilibrado e alcançar um estado de satisfação e realização pessoal. Devido a sua flexibilidade, esta vulnerabilidade é o par “perfeito” para qualquer atitude de baixa autoestima, valor e bem-estar condicionais. O perfeccionismo em ação pode ser observado na obsessão de pais de tornarem a experiência dos filhos o mais livre de dor possível, por exemplo, como considerar que as emoções negativas prejudicassem, permanentemente, o seu desenvolvimento (a fobia emocional – inconsciente -, é uma das características mais comuns do perfeccionismo) e comprometesse a capacidade de agirem como um bom pai e uma boa mãe. Embora corresponda à verdade nos casos de abuso, negligência e trauma da infância, a maioria das crianças – aquelas que são expostas a um estilo parental considerado bom o suficiente – cresce e se desenvolve muito bem com uma boa parcela de amor e atenção incondicionais que não dependem do desgaste e sofrimento dos pais.

Se se identificou com o relato de alguma forma, é vital ficar ciente de que a sua atitude perfeccionista não afeta apenas você, mas também aqueles ao seu redor. Como o custo emocional do perfeccionismo é alto, tende a estar intrinsecamente relacionado a problemas de relacionamento, além de uma grande variedade de psicopatologias, como os distúrbios alimentares, depressão e ansiedade. Você não precisa estar totalmente ciente de quanto a sua batalha para manter-se centrado é resultado do seu perfeccionismo, ou até compreender a extensão que afeta os seus colegas de trabalho e família, por exemplo, para que seja prejudicial a todos os envolvidos. A ironia é que o esforço para manter um certo padrão de qualidade a fim de garantir o bem-estar e a felicidade é o que causa os problemas de saúde emocional e relacional! Para sair da armadilha perfeccionista, comece a questionar as crenças rígidas – independente de seu significado e aplicação – de modo consciente e proativo enquanto brinca com a ideia de ter um desempenho “abaixo da média” ou, até, “péssimo”. Aumente a conexão emocional agindo de maneira congruente e permitindo-se sentir-se mal de vez em quando e na presença das outras pessoas. Quanto mais autoaceitação e amor incondicional trouxer a sua vida, maior a sua tolerância às imperfeições dos outros, e, quanto mais confortáveis ​​sentirem-se ao seu lado, mais fortes as suas conexões se tornarão, bem como o benefício de sua influência.

4 crenças disfuncionais que inviabilizam a autoafirmação

4 crenças disfuncionais que inviabilizam a autoafirmação
As crenças disfuncionais impedem que ajamos de forma assertiva

As crenças disfuncionais estão no centro de nossas vulnerabilidades. Para aqueles que sofrem de baixa autoestima e têm dificuldade de se autoafirmarem, identificar as crenças negativas que dão força a esses valores é um exercício produtivo. Para ajudá-lo a encontrar alguns dos fundamentos cognitivos que mantêm os seus sentimentos de insegurança, elencam-se 4 crenças disfuncionais que inviabilizam a autoafirmação:

“Eu não posso afetar os outros negativamente”

Essa regra implica que é responsabilidade de todos cuidar do bem-estar emocional dos outros e, pressupõe que a suposta necessidade alheia de felicidade constante venha em primeiro lugar. Por fim, sugere que as emoções negativas são de natureza insalubre e, portanto, devem ser evitadas como se não conseguíssemos nos recuperar delas, uma vez que “injustamente” submetidas a sua experiência.

“Eu não posso cometer erros”

O perfeccionismo nos leva a agir como crianças inseguras quando cometemos falhas e/ou recebemos críticas. Embora a maioria de nós não consiga associar a atitude intolerante ao perfeccionismo, a fobia do erro e da crítica é uma de suas características mais comuns. Além disso, essa crença desumana e idealista insinua que as consequências de nossos erros são sempre terríveis, tão terríveis, que não conseguiremos lidar com elas ou corrigi-las. Para quem mantém essa crença rígida, o aprendizado tende a ser uma experiência desagradável ou até traumática.

“Priorizar as minhas próprias necessidades é uma atitude egoísta”

Esta crença, apesar de bastante difundida entre os emocionalmente dependentes e codependentes, rouba-lhes o direito à individualidade e autoexpressão. Também sugere que só temos relevância em relação aos outros, ou que o direito de existir do nosso eu e seu senso de valor dependem da nossa capacidade de adequá-los às necessidades dos outros. Embora errônea, esta crença assume que um comprometimento é sempre melhor do que seguir a própria inclinação.

“Quando não tenho vontade de fazer o que os outros querem, devo dar-lhes uma boa razão para isso”

Essa crença pressupõe que os nossos sentimentos, necessidades e desejos só têm mérito quando forem razoáveis. Em outras palavras, não temos direito a eles apenas por sua existência, mas a importância deles depende do julgamento dos outros. De acordo com esse princípio, os sentimentos são como os pensamentos, uma vez que “devem” vir conectados à racionalidade. O eu autêntico e, portanto, altamente subjetivo, não tem como florescer sob uma regra tão inflexível.

O que as crenças mencionadas têm em comum? Todas se originam de uma postura de fraqueza e rigidez que aniquila o eu verdadeiro e criativo. Além disso, a sua abordagem perfeccionista (polarizada) “é tudo ou nada” em relação às emoções, os comportamentos, os relacionamentos e à vida em si é demasiadamente rígida para refletir a complexidade de nossa experiência e permitir a realização pessoal. Para que cessem de governar você e a sua vida, traga-as à consciência e questione-as abertamente. Faça um esforço consciente e corajoso para estabelecer a congruência entre o que acredita e como age e sente, a fim de tornar-se você e o ato de estar presente no próprio corpo algo agradável e gratificante.

10 conceitos básicos da terapia do trauma

10 conceitos básicos da terapia do trauma
Um evento traumático é uma experiência adversa tão intensa que supera a capacidade de lidarmos emocionalmente

Se você está sofrendo por causa de um trauma, pode se beneficiar de alguns conceitos que a ajudarão compreender como isso afeta a sua mente, as suas emoções e o seu comportamento. A seguir, você encontrará uma lista de 10 conceitos básicos da terapia do trauma, para expandir o seu conhecimento e facilitar o aprendizado:

1- Evento traumático: trata-se de uma experiência adversa tão intensa que supera a capacidade de lidarmos emocionalmente. Isso pode ser um evento muito assustador ou chocante, como um acidente de carro ou crescer sofrendo abuso verbal de alguém que se conhece e em quem se confia.

2- Tipos de trauma: o trauma vai além da lesão física, mas diz respeito a qualquer experiência negativa que afeta um indivíduo como um todo, corpo e mente. Portanto, o trauma também pode ser de natureza emocional/psicológica e relacional. O trauma é classificado como “simples” quando decorre de uma ocorrência, como no exemplo mencionado de acidente de carro. O trauma complexo, no entanto, consiste em uma série de eventos traumáticos que acontece em um longo período, tal como o trauma de infância ou desenvolvimento.

3- Gatilho: é algo ou alguém que acarreta a lembrança de um evento traumático. Um gatilho pode ser um cheiro, um som, um comportamento ou até mesmo uma emoção que o conecte a traumas passados. O adulto que tenha sofrido abuso emocional por parte do genitor, por exemplo, pode sentir-se afetado emocionalmente por uma situação gatilho em que testemunha idêntico tipo de abuso. Sob a influência de gatilhos, pode-se experienciar os flashbacks e reviver emoções negativas e sensações corporais relacionadas a um evento traumático em particular.

4- Flashback: como mencionado anteriormente, um flashback é a ativação de uma memória traumática, com ou sem a intenção da vítima/sobrevivente. Sob a influência de um flashback, sente-se como se estivesse revivendo a experiência adversa que a levou ao trauma. Ao contrário do conhecimento popular, nem todo o flashback possui um componente visual. Em alguns casos, os flashbacks não ativam imagens, mas exclusivamente as emoções negativas e/ou sensações corporais de quando o trauma ocorreu.

5- A resposta de luta ou fuga: quando o cérebro identifica uma ameaça ao nosso bem-estar, seja real ou imaginária, prepara o corpo para a ação, ou, em outras palavras, para lutar contra um inimigo, fugir da cena ou “congelar” no local. Quando em estado de luta ou fuga, a nossa fisiologia muda de modo a adaptar-se às nossas necessidades de autopreservação e proteção: o nosso coração bate mais rápido, a respiração fica mais curta e os músculos mais tensos, tudo para nos preparar para o embate ou para a fuga. Essas mudanças fisiológicas refletem o estado de alerta e sobrevivência do nosso sistema nervoso.

6- Estresse traumático crônico: o estresse vivenciado de maneira saudável ou administrável tende a não durar muito tempo. Na realidade, a maioria dos estresses com os quais lidamos são de curta duração, como correr apressado de manhã para chegar ao trabalho na hora. O estresse traumático crônico, contudo, não é temporário e pode durar meses ou até anos. Uma vítima vulnerável de abuso doméstico ou um prisioneiro de guerra, por exemplo, vivencia um estresse que não diminui com o tempo e que, como resultado, torna-se crônico a longo prazo.

7- Hipervigilância: compreende um estado de agitação e estimulação constantes. Quando alguém é hipervigilante, mesmo sem consciência, opera no modo sobrevivência ou luta ou fuga. Nesse estado, pensa-se de forma demasiada tendenciosa para o negativo, tende-se a ver catástrofes e ameaças ou perigos onde não haja, pois o cérebro encontra-se em constante estado de alerta. Portanto, as pessoas hipervigilantes são muito mais propensas a se preocuparem excessivamente e a terem transtorno de ansiedade.

8- A neurobiologia do trauma: explica como o trauma afeta o cérebro. Quando se estuda a neurobiologia do trauma, entende-se como a exposição ao estresse contínuo durante o desenvolvimento, por exemplo, resulta em um aumento acentuado da atividade do sistema límbico ou da área responsável pela resposta de luta ou fuga, a ponto da vítima tornar-se hipervigilante e incapaz de se desligar disso.

9- TEPT e TEPT-C: a exposição a um único ou vários eventos traumáticos pode resultar no Transtorno de Estresse Pós-Traumático e Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo, respectivamente. Os sintomas de TEPT incluem flashbacks, pesadelos, distúrbios do sono, hipervigilância e irritabilidade. Os sofredores do TEPT-C não só exibem esses sintomas, bem como a vergonha e culpa crônicas, raiva acumulada, pensamentos suicidas, problemas de relacionamento e desequilíbrio emocional, entre outros.

10- Retraumatização: pode ocorrer quando uma vítima do trauma é exposta a pessoas, situações e comportamentos, os quais, de alguma forma, provocam um estado de vulnerabilidade em si similar ao vivenciado no trauma original. Um exemplo clássico de retraumatização é uma mulher vítima de estupro ser considerada culpada pelo que aconteceu pelas autoridades envolvidas no caso, como um juiz ou policial.

O trauma mal resolvido pode ser bastante debilitante e comprometer a qualidade de vida. Se quiser obter ajuda para lidar com os efeitos do trauma, recomendo a terapia de EMDR Focada no Apego. Para saber mais sobre esta abordagem, clique aqui ou entre em contato comigo para solicitar uma consulta.

Pensamentos comuns dos emocionalmente dependentes

Pensamentos comuns dos emocionalmente dependentes
A dependência emocional é uma vulnerabilidade

Você é emocionalmente dependente? Caso tenha dificuldade de manter uma alta autoestima e preocupa-se excessivamente, há grande probabilidade de que seja. A dependência emocional é uma vulnerabilidade daqueles que não receberam amor incondicional suficiente na infância, de modo a criar um sólido senso de segurança e valor próprio. Por possuírem um grande déficit nestas áreas, tornam-se viciados por aprovação alheia a fim de se sentirem bem consigo próprios e nos relacionamentos. Para descobrir se se encaixa neste perfil, elencam-se os pensamentos comuns dos emocionalmente dependentes:

“Sempre me preocupo com o que os outros pensam sobre o que digo e faço”

“Preciso ter certeza de que estou fazendo a coisa certa, caso contrário, me sinto inseguro”

“É difícil saber o que é melhor para mim”

“Eu sempre faço o melhor possível para que os outros se sintam bem ao meu lado”

“Eu tenho o hábito de consultar as outras pessoas antes de tomar uma decisão”

“Sinto muita vergonha quando cometo um erro”

“Se não recebo um feedback positivo quando faço algo bem, sinto-me extremamente decepcionado”

“Já sofri muitas decepções na área de relacionamentos”

“Eu me preocupo e me sinto culpado quando não consigo agradar os outros”

“Não confio nos meus próprios sentimentos”

“Sinto-me muito envergonhado e ressentido quando recebo críticas, mesmo quando tenho consciência de que são construtivas”

“Faço um grande esforço para que os outros gostem de mim”

“Adoro ajudar os outros e fazê-los felizes”

“Quando as pessoas não estão bem ao meu redor, acho que é por causa de algo que eu disse ou fiz de errado”

“Nunca sei se estou fazendo o que é certo para mim ou se é o que realmente quero”

“Tento evitar o confronto porque me deixa nervoso”

“Tenho um grande medo de cometer erros e decepcionar os outros”

“Coloco as necessidades dos outros na frente das minhas, mesmo quando não quero”

“Adoraria poder confiar em mim e me valorizar”

“Sinto-me mais relaxado quando os outros assumem a liderança”

“Sempre tento fazer o melhor possível”

“Quando digo não, me sinto culpado”

Como em qualquer tipo de dependência, a cura é viável através da liberdade emocional. Para alcançar a autonomia emocional e autoconfiança, é essencial que aprenda a ser você, independente das consequências. Por mais simples que isso pareça, converter esta ideia em ação requer muita coragem. Isso ocorre porque, na cultura ocidental, a autenticidade requer uma atitude destemida. Aumente a tolerância ao desconforto e diga a si próprio que consegue suportar e superar a ansiedade, culpa e vergonha que tendem a surgir quando honra os seus sentimentos, interesses e limites. Por mais doloroso e difícil que isso possa lhe parecer, o seu objetivo final faz com que tudo valha a pena. Afinal, não há nada mais gratificante do que viver a própria vida e colher os frutos da autoexpressão genuína.